“As empresas adotam IA sem saber qual problema querem resolver”, diz diretor da Huawei Cloud

A inteligência artificial (IA) já mudou a rotina das fábricas chinesas. No Brasil, a discussão ainda gira em torno de produtividade de escritório. Essa diferença de ritmo é o que o diretor de Soluções da Huawei Cloud na América Latina, Bin Duan, observa ao comparar os dois mercados, e é o ponto de partida da estratégia da empresa para o país.

“Na China, a questão não é mais testar modelos ou criar pilotos. É como a IA melhora produtividade, qualidade, manutenção, logística, consumo de energia e tomada de decisão dentro da operação”, diz Duan. “No Brasil, há uma grande oportunidade de levar a IA para os setores físicos da economia. O país tem escala e setores muito competitivos. O próximo passo é conectar a IA a problemas operacionais concretos.”

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Para sustentar essa aposta, a Huawei Cloud lançou no Brasil o Model as a Service (MaaS), plataforma que permite às empresas acessar modelos avançados de inteligência artificial via API, sem construir infraestrutura própria. A solução inclui DeepSeek V4, DeepSeek R1, V3.2, GLM-5 e GLM-5.1, rodando sobre chips Ascend, desenvolvidos pela própria Huawei, com capacidade de processar até 10 milhões de tokens por minuto em picos de uso. A empresa estima economia de até 20% em cenários de uso intensivo em relação a modelos de desempenho equivalente.

Escolher o modelo certo é o novo desafio

Duan observa que a maioria das empresas que chega querendo colocar IA em produção comete o mesmo equívoco. “Começam pela tecnologia antes de definir claramente o problema de negócio. Querem usar IA, mas ainda não sabem qual processo desejam melhorar, qual custo querem reduzir ou qual resultado pretendem gerar”, diz.

O segundo erro é escolher o modelo errado. Nem toda aplicação exige o modelo mais pesado ou mais caro. “Quando uma empresa escolhe o modelo errado, desperdiça orçamento, aumenta a complexidade e tem dificuldade para escalar”, alerta.

A resposta da Huawei Cloud para esse problema é o que Duan chama de abordagem multimodelo. Em vez de apostar em uma única solução para todas as tarefas, as empresas deverão escolher o modelo mais adequado para cada aplicação, equilibrando precisão, latência, segurança e custo. “O futuro da IA nas empresas será multimodelo. A pergunta certa não é qual modelo é melhor no benchmark, mas qual entrega o melhor resultado para o meu caso de uso”, diz.

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O agro como próxima fronteira

Entre os setores com maior potencial no Brasil, Duan destaca o agronegócio. O setor tem escala e pressão por eficiência comparáveis às da indústria chinesa, mas a adoção de IA física ainda enfrenta obstáculos específicos. “O desafio não é falta de interesse. É transformar dados distribuídos em inteligência operacional. O agro gera muitos dados, mas eles nem sempre estão integrados ou prontos para alimentar aplicações de IA em escala”, explica.

Na China, os casos com retorno demonstrável no agronegócio envolvem monitoramento, previsão, automação de processos e análise de grandes volumes de dados. O que os une, segundo Duan, é o mesmo princípio. “A empresa não adota IA porque é uma tendência. Ela adota porque resolve um problema mensurável.”

A disputa com o Ocidente

Duan também questiona a percepção de que modelos chineses entregam em custo, mas ficam atrás em raciocínio. “O custo continua sendo uma vantagem, mas não é o único ponto. O que vemos hoje é uma evolução forte dos modelos chineses também em capacidade, raciocínio e estruturação de respostas”, afirma.

O ecossistema chinês de IA evoluiu, segundo ele, porque combinou pesquisa, engenharia, infraestrutura e aplicação prática de forma simultânea. “A inovação em IA se tornou mais distribuída globalmente. A competição não está concentrada em poucos players. Para as empresas, isso amplia as opções.”

Em dois anos, Duan acredita que a diferenciação no mercado não estará em ter IA disponível, mas em saber aplicá-la. “Muitas empresas terão acesso a modelos. A diferença estará em quem consegue ajudar o cliente a aplicar IA com eficiência, segurança, custo previsível e impacto real no negócio. É esse espaço que a Huawei Cloud quer ocupar no Brasil.”

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Fonte: https://itforum.com.br/noticias/empresas-querem-ia-huawei-cloud/