Especial IT Forum 35 anos: CIO da MBRF viu tecnologia deixar os silos e provar seu valor para o negócio

O mundo sem conectividade exigia uma mobilidade maior para aqueles que trabalhavam com tecnologia. Em 1988, após terminar de construir suas soluções, um programador de uma grande empresa precisava ir até cada uma das unidades para implementá-las. O mesmo acontecia em casos de manutenção, atualização e consolidação de dados.

Nessa época, em vez de uploads na nuvem, eram os carros e disquetes que faziam o trabalho de transporte, e no lugar de Tecnologia, a área era chamada de Informática. Foi nesse mesmo período que Antônio Cesco ingressou na MBRF, ainda Perdigão. O atual CIO da organização se lembra até hoje da diferença das suas primeiras viagens como desenvolvedor.

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“Como a Perdigão possuía diversas fábricas, precisávamos ir até as unidades para gerar os dados, consolidá-los no local e só então transmiti-los via modem analógico para o escritório central, onde as informações eram concentradas. Hoje, se a internet cai, entramos todos em pânico”, brinca.

Há 37 anos na organização, Cesco começou na MBRF como auxiliar de Centro de Processamento de Dados (CPD). Foi crescendo até chegar à cadeira de diretor de TI da organização. Ao longo dos anos, o executivo acompanhou de perto os impactos das diferentes ondas tecnológicas sobre os negócios e as transformações que vieram com elas. Desde que chegou à companhia, atravessou mais de uma fusão e, como costuma dizer, conheceu diferentes versões de uma mesma empresa.

Em meio a tantas mudanças, porém, a transformação que Cesco considera mais significativa não está em uma tecnologia específica, mas no lugar que a TI passou a ocupar nas organizações. Nos últimos anos, com a chegada da nuvem, de novos dispositivos e, principalmente, da inteligência artificial (IA), a área passou por uma forte integração com os negócios. Na MBRF, porém, Cesco situa o início dessa relação bem antes: na chegada do software de gestão empresarial (ERP).

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Fechando os silos

Em 1995, já trabalhando como analista de negócios, Cesco viu a chegada da SAP ao Brasil de camarote. A Perdigão, na época, foi a primeira cliente da companhia alemã no Brasil, em uma iniciativa que ajudou a transformar a tecnologia em elo entre diferentes áreas da empresa. Diante da novidade, o clima na organização se dividia entre os entusiasmados e os temerosos.

A área de Tecnologia, segundo Cesco, estava entre os animados, já que, antes do ERP, a área desenvolvia soluções personalizadas para cada setor, focando em infraestrutura e customização de sistemas. A integração do SAP, mesmo que desafiadora, abriu uma porta para que os profissionais tivessem tempo de olhar para a transformação, ainda não digital na época.

O processo, segundo o executivo, foi desafiador e encontrou resistências semelhantes às que hoje cercam a IA, sobretudo pelo receio de que a tecnologia pudesse substituir funções. Ainda assim, lembra, a implementação foi bem-sucedida e criou as bases para as transformações que viriam depois, com a chegada de ferramentas como os smartphones e a nuvem.

Com o passar dos anos, a nova forma de utilizar a tecnologia trazia uma visão diferente de lidar com quem cuidava dela. Em 2009, durante a fusão entre Perdigão e Sadia, que Cesco, então gerente de Projetos de TI, percebeu que poderia provar a importância da tecnologia na empresa. “Contamos, integramos e harmonizamos processos para que a cultura da companhia fosse refletida ali. Foi um projeto que envolveu diversas áreas”, lembra.

Hoje, o executivo percebe que a experiência serviu para abrir portas dos dois lados, tanto para que os negócios se aproximassem da tecnologia quanto para que ele aprendesse mais sobre gestão. Esse conhecimento foi o que o levou a assumir o cargo de gerente-executivo de Tecnologia da Informação (TI) em 2013.

Após quase cinco anos na função, Cesco assumiu a diretoria de Tecnologia e Transformação Digital, posição que ocupa há nove anos e na qual atravessou sua segunda fusão. Em 2025, BRF e Marfrig se tornaram uma só companhia. Dessa vez, porém, o executivo chegou ao processo com uma lição aprendida ao longo da trajetória. “Não há transformação digital sem a transformação de pessoas”, afirma.

Se, no passado, o cenário era marcado por áreas fragmentadas, hoje a realidade é de hiperconectividade, dados e inteligência artificial. O desafio passa a ser como tirar o melhor proveito dessa combinação. Para Cesco, as transformações construídas gradualmente nos últimos anos criaram condições necessárias para que o Brasil ocupe uma posição de destaque na era da IA.

Para o executivo, a tecnologia funciona hoje como um grande elo entre as diferentes áreas do negócio. Mas diante da velocidade e da quantidade de inovações disponíveis, transformar não significa adotar tudo, significa saber escolher. “Um dos nossos grandes desafios hoje está em acompanhar todas essas transformações e entender quais delas fazem mais sentido para o negócio”, assinala.

No caso da MBRF, Cesco estabeleceu workshops e reuniões mensais com seus vice-presidentes para entender as maiores dores de cada setor e, a partir daí, criar o roadmap de inovação. E foi assim que a companhia desenvolveu um ecossistema de assistentes virtuais para auxiliar diferentes frentes, desde modelos preditivos de grãos até a troca com fornecedores.

“Embora a IA já exista há alguns anos, a evolução da IA generativa e, mais recentemente, da agêntica abriu novas possibilidades para identificar oportunidades, enfrentar desafios e gerar mais valor dentro de casa. Falamos muito de tecnologia, mas, no fim, a principal questão continua sendo as pessoas”, encerra.

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Fonte: https://itforum.com.br/noticias/especial-antonio-cesco-tecnologia-negocio/