Estudo recente mostra que 68% das montadoras e fornecedoras automotivas já utilizam ou testam em formato piloto a inteligência artificial (IA) agêntica no desenvolvimento de produtos. Apenas 5% dessas organizações, no entanto, contam com uma governança de IA considerada madura. Os dados são do relatório “Reformulando o desenvolvimento de produtos automotivos: como as organizações podem avançar na corrida da IA”, publicado em julho de 2026 pelo Instituto de Pesquisa da Capgemini (CRI, na sigla em inglês).
O estudo ouviu 800 executivos seniores do setor em 12 países e aponta que a tecnologia avança mais rápido do que a capacidade das empresas de governá-la. A adoção de IA agêntica em atividades de engenharia não essenciais deve saltar de 26% para 68% nos próximos dois a três anos, segundo o CRI.
As melhores notícias de tecnologia B2B
Acompanhe todas as novidades diretamente na sua caixa de entrada
Vantagem da IA agêntica no desenvolvimento automotivo
A pesquisa identifica um grupo de organizações que já colhe resultados expressivos com o uso da IA. Essas empresas registram ciclos de desenvolvimento 17% mais curtos, ganhos de 19% na produtividade de engenharia e redução de 19% no tempo de lançamento de produtos no mercado, de acordo com o relatório.
A vantagem, segundo o CRI, não decorre da velocidade de adoção da tecnologia em si. Bases de dados mais sólidas, casos de negócio mais claros e modelos operacionais e de governança mais disciplinados são os principais fatores que diferenciam as empresas de alto desempenho das demais.
Para o líder global para o setor automotivo da Capgemini, Laurence Noël, o setor vive uma inflexão estrutural. “Na última década, a indústria automotiva passou por uma transformação profunda com a transição para veículos definidos por software, estabelecendo as bases digitais que agora viabilizam a próxima onda de inovação. A IA agêntica está criando uma nova divisão de desempenho no setor automotivo”, afirma. “As organizações que geram mais valor não estão apenas adotando a IA mais rapidamente; elas redesenham fluxos de trabalho, fortalecem a colaboração no ecossistema, constroem bases de dados confiáveis e estabelecem responsabilidades claras para decisões habilitadas por IA. Os líderes do futuro serão aqueles que conseguirem integrar a IA aos processos de engenharia em escala”, diz Noël.
Confiança cai em atividades críticas de segurança
Mais de sete em cada dez executivos acreditam que a IA agêntica pode melhorar a tomada de decisões em engenharia. A confiança, porém, varia conforme a aplicação. Nas etapas iniciais de pesquisa e concepção, 59% dos executivos se dizem confortáveis com o uso da tecnologia. Esse índice cai para 40% nas atividades de desenvolvimento, onde os resultados gerados pela IA têm implicações mais diretas para qualidade do produto e segurança, segundo o estudo.
O relatório indica que muitas organizações ainda precisam construir as camadas de evidência, rastreabilidade e responsabilidade necessárias para escalar a tecnologia com confiança.
Lacunas organizacionais travam a escala
Os obstáculos ao crescimento da IA agêntica no setor são cada vez mais organizacionais do que técnicos. Seis em cada dez executivos atribuem os atrasos principalmente a ineficiências nos processos. Ao mesmo tempo, 45% das organizações ainda não definiram uma estratégia e um roteiro para a IA no desenvolvimento de produtos, conforme o CRI.
A colaboração no ecossistema também figura como gargalo. Apenas 30% das organizações operam modelos de codesenvolvimento estruturados em torno de métricas de resultados compartilhados. A parcela que estabeleceu responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida do produto em todo o ecossistema é ainda menor: 10%.
Leia mais: Sony anuncia novos presidentes para operações na América Latina
O ciclo de retroalimentação dos veículos em uso representa outra lacuna. 64% das organizações utilizam os dados coletados em campo principalmente para orientar programas futuros, em vez de promover melhorias nos modelos já em circulação. As atualizações remotas (over-the-air) seguem concentradas em áreas como cibersegurança e navegação, com poucos fabricantes implementando mudanças em funções de condução ou recursos de assistência ao motorista.
Maturidade da IA agêntica varia por região
A evolução da estratégia de IA difere entre os mercados pesquisados. Nos Estados Unidos, 53% das montadoras (fabricantes de equipamentos originais, ou OEMs, na sigla em inglês) já estão em fase de implementação de iniciativas de IA; na Europa, esse índice é de 46%. Com estratégia, visão e roadmap multifuncionais consolidados, estão 18% das OEMs americanas e 16% das europeias.
Na China, quatro em cada dez entrevistados relatam estar na fase de implementação, mas apenas 7% alcançaram maturidade estratégica equivalente à registrada nos EUA e na Europa. No restante da Ásia-Pacífico, os índices de maturidade de implementação são ainda mais baixos, segundo o relatório.
A pesquisa foi conduzida em julho de 2026 com 400 OEMs, 160 fornecedores de primeiro nível e 240 provedores de tecnologia, além de entrevistas aprofundadas com 24 executivos da indústria automotiva e de empresas fornecedoras de tecnologia para o setor.
Siga o IT Forum no LinkedIn e fique por dentro de todas as notícias!
Fonte: https://itforum.com.br/noticias/estudo-da-capgemini-ia-agenticaindustria-automotiva/


