G20 discute IA e Sam Altman defende uso inegociável da tecnologia

O presidente-executivo da OpenAI, Sam Altman, afirmou nesta quarta-feira (2) que a adoção da inteligência artificial (IA) pelos países é inegociável. A declaração foi feita durante o segundo dia do Ministerial de Inovação do G20, realizado em Chapel Hill, na Carolina do Norte, nos Estados Unidos.

Segundo a CNBC, o evento reuniu líderes tecnológicos e representantes das nações do G20, incluindo China, Brasil, Canadá e Alemanha. O secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, e o diretor do Escritório de Política de Ciência e Tecnologia da Casa Branca, Michael Kratsios, lideram a conferência.

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“Eu acho que é inegociável que você tem que usá-la”, diz Altman sobre a IA. “O crescimento econômico e o benefício para as pessoas que podem vir disso, o valor para um país, é alto demais para ignorar.”

O executivo comparou a adoção da IA à da eletricidade, mais de 100 anos atrás. “Eu acho que seria aproximadamente tão má ideia dizer que não vamos ter IA em nosso país quanto foi dizer que não vamos ter eletricidade em nosso país”, afirma. Altman também previu que a tecnologia impulsionará o empreendedorismo. “Eu acho que este será o maior boom no empreendedorismo e na criação e desenvolvimento de pequenas empresas que o mundo já viu”, diz em conversa com Lutnick.

Huang, Musk e regulação da IA

O presidente-executivo da Nvidia, Jensen Huang, chamou a IA de “o grande equalizador” e afirmou que a tecnologia vai democratizar a inteligência para os países do G20. Em conversa com Lutnick, Huang comparou a IA a infraestruturas essenciais como água, estradas e eletricidade. “Todo país precisa construir infraestrutura para que possa sustentar sua própria economia local”, diz.

Sobre regulação, Huang defendeu uma abordagem pragmática. “Meu conselho seria regular danos práticos e reais, e não regular danos teóricos e hipotéticos”, afirma aos jornalistas nas margens da cúpula.

Elon Musk, presidente-executivo da Tesla e da SpaceX, participou da sessão de terça-feira (1º) e fez previsões sobre o impacto econômico da tecnologia. “A IA provavelmente vai aumentar a economia global em 20% a 30%”, diz, acrescentando que espera mais de um bilhão de robôs humanoides no mundo em dez anos. Musk também alertou contra o excesso de regulação, comparando novas empresas a mudas numa floresta que precisam de espaço para crescer.

O cofundador da Anthropic, Tom Brown, elogiou uma publicação do presidente Donald Trump sobre data centers. “Ele estava apontando que os data centers são uma enorme fonte de prosperidade. Eles geram muitos empregos. Eles reduzem impostos”, diz Brown em conversa com Lutnick.

Reação ao avanço dos data centers

A resistência das comunidades locais ao avanço dos data centers de IA dominou parte das discussões. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, criticou as próprias empresas de tecnologia na terça-feira (1º). “Eu acho que as empresas de IA, sejam os construtores dos data centers, sejam os próprios laboratórios, fizeram um trabalho horrendo, um trabalho horrendo de se explicar para o povo americano”, afirma.

Lutnick classificou a oposição aos data centers nos EUA como “propaganda de nossos adversários”. Já o governador da Pensilvânia, Josh Shapiro, disse na terça-feira (1º) que “muitos” desenvolvedores de data centers não se importam com as comunidades onde os projetos são construídos.

David Sacks, copresidente do Conselho de assessores do presidente em ciência e tecnologia, defendeu que os projetos podem beneficiar as comunidades locais se bem executados. “A decisão federal não deve se sobrepor à decisão dos estados em relação aos data centers”, diz. “É fundamentalmente uma decisão local.”

Tarifas sobre semicondutores e tensão com o Canadá

Lutnick confirmou à CNBC que o governo Trump trabalha em uma estrutura tarifária para chips. “O que você vai ver é uma política tarifária direcionada e criteriosa que basicamente diz; se você constrói aqui, não paga, mas se não constrói aqui, espere pagar para entrar no maior mercado do mundo”, afirma.

O presidente-executivo da Nvidia disse à CNBC que não teve “nenhuma conversa” no G20 sobre as tarifas sobre semicondutores anunciadas pela administração Trump.

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Na frente comercial, Lutnick insistiu que o Canadá sabotou as negociações de um acordo bilateral. “Eles destruíram por razões exclusivamente políticas”, diz, referindo-se ao colapso das tratativas que resultou na entrada em vigor das tarifas de 50% dos EUA sobre produtos canadenses. A primeira-ministra da Alberta, Danielle Smith, rebateu a afirmação em entrevista à CNBC. “Todo mundo quer um acordo comercial”, diz. “As pessoas vão se machucar” com as novas tarifas, acrescentou, ressaltando que o impacto “na vida das pessoas reais é enorme”.

Lutnick também defendeu a política tarifária de Trump em termos macroeconômicos, atribuindo ao colapso das tarifas recíprocas; derrubadas pelo Supremo Tribunal em fevereiro; uma redução de 1,6% no Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA no segundo trimestre. Ele prevê que, com a recomposição das alíquotas, as receitas tarifárias podem chegar a US$ 400 bilhões por ano.

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Fonte: https://itforum.com.br/noticias/g20-discute-ia-e-sam-altman-defende-uso-inegociavel/