A pressa das empresas em adotar inteligência artificial (IA) sem preparar sua base de dados tem se transformado em uma das principais fontes de receita da Dedalus. A companhia de serviços de tecnologia fechou o primeiro semestre de 2026 com salto de 30% na receita de serviços na comparação com o mesmo período do ano anterior, crescimento puxado, segundo o CEO da empresa, Maurício Fernandes, por clientes que chegam pedindo IA e saem com projetos de governança e modernização de dados.
“Conversamos com o cliente sobre inteligência artificial, mas voltamos com um projeto de dados”, resume Fernandes. Na leitura do executivo, a corrida por IA generativa (GenAI) expôs uma fragilidade que já vinha se acumulando havia anos, na qual dados guardados sem organização, sem dono definido e sem relação clara entre si, se tornam ponto de partida para riscos na tecnologia empresarial. “Existe muita informação desorganizada e falta de conhecimento sobre ela”, completa o executivo
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Fernandes cita como exemplo um caso que, segundo ele, ilustra parte da demanda atual da empresa. Um cliente do setor de serviços profissionais contratou uma ferramenta de IA generativa para centenas de funcionários, em um acordo de milhões de reais com duração de três anos, sem que houvesse, porém, uma estrutura de governança estabelecida para sustentar a adoção da tecnologia. De acordo com o executivo, a iniciativa resultou em aumento dos custos e em uma queda na qualidade do atendimento ao cliente. “Empresas estão começando a perceber a realidade da IA, em que uma implementação sem profundidade pode resultar em erros”, afirma Fernandes.
Esse tipo de chamado é rotina para a companhia, que no seu crescimento se tornou um “pronto-socorro de governança”, como diz o executivo. “As empresas chegam já precisando de atendimento emergencial, com dor, adrenalina, buscando remediação”, compara.
Governança como decisão de topo
Para o CEO, o erro mais comum do atual cenário da IA é acreditar que a tecnologia resolve tudo sozinha, um padrão que, segundo ele, se repete a cada onda tecnológica desde a chegada dos celulares e da computação em nuvem. A correção, defende, não pode partir da área de TI. “A governança de IA é uma decisão do board, da presidência da companhia, não apenas da área de tecnologia”, explica.
Fernandes cita como exemplo as ferramentas de transcrição de reuniões, hoje amplamente utilizadas no ambiente corporativo, mas que podem abrir novas brechas de segurança quando fornecidas por empresas desconhecidas ou sem os controles adequados. “É uma forma muito moderna de phishing”, alerta.
Sobre o FinOps, a governança de custos de nuvem e IA que a Dedalus também oferece como serviço, o executivo afirma que a abordagem varia conforme a maturidade de cada cliente. A empresa avalia setor, histórico de projetos de transformação digital e tempo de experiência dos líderes antes de decidir como conduzir a conversa, “não faça uma senhora atravessar a rua sem antes perguntar o objetivo fina”, resume o CEO.
Crescimento vem da base, não só de clientes novos
Questionado sobre a origem do salto de receita, Fernandes foi direto ao revelar que 82% das vendas da Dedalus acontecem na própria base de clientes, hoje com 850 contas ativas. Cerca de 50 novos clientes foram fechados neste ano, “isso mostra primeiro que os clientes estão satisfeitos com a consultoria e segundo que a Dedalus está de fato funcionando como apoio na jornada digital, não apenas uma venda de produto”, indica.
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Essa proximidade, segundo o CEO, é também o que tem permitido à empresa vencer concorrências diretas contra consultorias globais; com ciclo de vendas médio de 40 dias, mas capacidade de resposta no mesmo dia em emergências, a Dedalus se posiciona como alternativa mais ágil e mais familiarizada com a realidade latino-americana. “Somos uma empresa brasileira que entende e se personaliza para América Latina, e não uma empresa europeia ou americana que também tem uma divisão que atende a região”, exalta.
A companhia já opera na Argentina, no Chile e atende clientes no México e na Colômbia. Para 2026, ainda existe a expectativa de que cerca de 15% da receita venha de fora do Brasil, com 80 clientes internacionais. O plano estratégico da empresa para os próximos quatro anos, batizado de Visão 2030, tem como meta consolidar a liderança regional. “A América Latina é a região mais vibrante do mundo em tecnologias digitais, isso precisa ser valorizado”, encerra Fernandes.
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Fonte: https://itforum.com.br/noticias/governanca-de-dados-dedalus/


