O uso de inteligência artificial em contratos, sistemas internos e bases de dados corporativas elevou 61% os incidentes de segurança envolvendo modelos de IA nas organizações, segundo o Cost of a Data Breach Report 2026, da IBM. O levantamento registrou avanço de 13% para 21% nas violações ligadas à tecnologia em um único ciclo de pesquisa.
A expansão da IA para áreas sensíveis das empresas ocorre em ritmo mais acelerado do que a criação de mecanismos de controle. Entre as organizações que sofreram incidentes relacionados à tecnologia, 92% não tinham controles adequados de acesso, segundo o mesmo relatório. Outros 68% das empresas afetadas por violações operavam sem qualquer política de governança de inteligência artificial.
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Risco nos dados corporativos
O perfil do risco se transforma à medida que a IA se integra à infraestrutura das companhias. Em ferramentas abertas, parte da preocupação recai sobre o conteúdo que o próprio usuário compartilha. Em sistemas integrados ao ambiente corporativo, a equação envolve quais bases podem ser consultadas, quem acessa as informações geradas e quais registros ficam dessas interações.
Para André Xavier, CEO da BHS, empresa de tecnologia e segurança da informação com atuação no setor financeiro, modelos de controle já consolidados em ambientes regulados passam a ser referência também para projetos de IA. “Setores como o financeiro trabalham há anos com uma lógica muito rígida de acesso e rastreabilidade porque lidam diariamente com informações sensíveis. Com a IA, essa preocupação se espalha para outras áreas. A tecnologia pode mudar a forma de consultar e processar o dado, mas os critérios sobre quem pode acessá-lo precisam continuar existindo”, afirma Xavier.
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IA no desenvolvimento de sistemas
O desafio se aprofunda quando a inteligência artificial passa a participar da criação e manutenção dos próprios sistemas corporativos. Modelos já são utilizados para desenvolver aplicações, automatizar etapas e modificar processos internos, aproximando a tecnologia de informações que antes circulavam principalmente entre equipes especializadas.
Paulo Cacciari, CEO da Deyel no Brasil, observa que a velocidade de adoção precisa ser acompanhada de previsibilidade. “Quanto mais a IA participa do desenvolvimento e dos processos internos, maior precisa ser a clareza sobre quais informações ela utiliza e quais regras devem ser preservadas. A velocidade é importante, mas a empresa também precisa conseguir prever como aquela aplicação vai se comportar dentro do seu ambiente”, diz Cacciari.
Acesso e rastreabilidade nos contratos
Nos departamentos jurídicos, a questão ganha dimensão específica. Contratos reúnem valores, condições comerciais, dados de clientes e fornecedores e informações confidenciais. Com ferramentas capazes de consultar grandes volumes desses documentos, a permissão de acesso precisa acompanhar não apenas o arquivo original, mas também as respostas produzidas pela IA.
Cíntia Oliveira, country manager da Webdox no Brasil, explica que as regras de acesso corporativo devem valer também para o que a tecnologia entrega. “Se um profissional não tem autorização para acessar determinado contrato, uma ferramenta de IA também não pode entregar a ele uma informação retirada daquele documento. A tecnologia acelera a consulta, mas precisa respeitar as mesmas regras de acesso que a empresa já aplica às informações originais”, afirma Oliveira.
Nesse cenário, a capacidade de executar uma tarefa deixa de ser o único critério para avaliar uma solução de IA. Rastreabilidade, controle de acesso e consistência operacional entram na análise conforme a tecnologia alcança processos mais críticos. “Uma demonstração consegue provar que a IA executa determinada tarefa. O desafio é garantir que ela continue fazendo isso de forma consistente, dentro das regras da empresa e sem criar novas brechas quando ganha escala. É aí que histórico, método e previsibilidade começam a fazer diferença”, conclui Xavier.
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Fonte: https://itforum.com.br/ia-eleva-incidentes-de-seguranca-em-61/

