Pesquisa da Pearson em parceria com a Amazon Web Services (AWS) revela que 74% dos empregadores e 74% dos estudantes brasileiros acreditam que os avanços da inteligência artificial (IA) tornam o ensino superior ainda mais essencial. O estudo foi divulgado em setembro de 2026 e integra uma pesquisa realizada em seis mercados.
O levantamento, intitulado “Prontidão para a IA: construindo a ponte entre o ensino superior e o mercado de trabalho no Brasil”, ouviu 500 participantes no país, entre estudantes de graduação, líderes do ensino superior e empregadores. Apesar do otimismo em relação ao diploma universitário, os dados apontam um descompasso entre o acesso às ferramentas de IA e a capacidade de aplicá-las em situações reais de trabalho.
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Lacunas entre percepção e preparo prático
A percepção de que as universidades acompanham os avanços da IA varia de forma expressiva conforme o grupo consultado. Apenas 17% dos estudantes acreditam que suas instituições acompanham a maior parte ou a totalidade dessas mudanças, enquanto 38% dos líderes do ensino superior fazem a mesma avaliação. Além disso, 76% dos empregadores brasileiros esperam que o ritmo das transformações trazidas pela IA aumente nos próximos dois anos.
A insatisfação dos estudantes com o currículo também se reflete nos dados. Só 47% dos graduandos estão satisfeitos com o volume de conteúdo voltado ao aprendizado de IA nas grades acadêmicas, o menor percentual entre os mercados analisados pela pesquisa. Entre 55% e 66% deles recorrem a ferramentas de IA obtidas por conta própria, fora das opções oferecidas pelas instituições.
Outro indicador relevante: 30% dos estudantes afirmam não se sentir confortáveis em revelar aos professores que utilizam IA, o maior índice de uso não declarado entre todos os países pesquisados.
Exigências do mercado de trabalho
Entre os empregadores, as lacunas na contratação de recém-formados têm dois focos principais. Para 42%, a distância entre o conhecimento acadêmico e a aplicação prática é uma barreira; outros 42% citam a falta de experiência prática com ferramentas de IA no ambiente de trabalho. Na hora de contratar, 44% priorizam a capacidade de usar ferramentas de IA e outros 44% valorizam a compreensão dos riscos e das limitações da tecnologia.
Ao mesmo tempo, há sinais de avanço. Um total de 54% dos empregadores afirma que os recém-formados de hoje chegam mais preparados do que os contratados há cinco anos. Os pontos fortes mais citados são a agilidade para aprender (58%) e a capacidade de usar ferramentas digitais e de IA (52%). A criatividade e o pensamento inovador, no entanto, ainda são avaliados como excelentes por apenas 18% dos empregadores, abaixo da média de 27% registrada nos demais mercados analisados.
O interesse por um modelo híbrido que combine formação universitária e experiência prática é compartilhado por 53% dos estudantes, 52% dos empregadores e 49% dos líderes do ensino superior.
“O estudo mostra que o Brasil reúne condições importantes para liderar uma nova etapa da educação na era da inteligência artificial; estudantes engajados, universidades mobilizadas e empregadores que reconhecem o valor da formação superior. Agora, o ponto decisivo é transformar esse potencial em prontidão real para o trabalho”, afirma a CEO da Pearson no Brasil, Cinthia Nespoli. Ela acrescenta que “isso exige aproximar educação e empresas, ampliar o uso responsável da IA e desenvolver competências humanas indispensáveis, como adaptabilidade, comunicação, criatividade e capacidade de julgamento”.
Governança e investimento em IA nas universidades
A ausência de orientações institucionais claras sobre o uso de IA é outro ponto de atenção identificado pelo estudo. Apenas 15% dos estudantes brasileiros dizem conhecer claramente as diretrizes de suas universidades sobre o tema, enquanto 42% afirmam não ter conhecimento de qualquer orientação. Entre os líderes acadêmicos, 28% consideram significativos os investimentos em IA nas instituições e 16% os classificam como mínimos ou inexistentes.
Do lado dos empregadores, 34% citam hábitos inadequados de uso de IA entre recém-formados, como dependência excessiva da tecnologia ou aceitação não crítica dos resultados gerados por ela.
“O Brasil tem uma oportunidade única: um ecossistema de ensino superior robusto, estudantes com alto engajamento em tecnologia e empregadores que já reconhecem o valor da IA. O que falta é a ponte, com diretrizes claras de governança, formação prática e parcerias entre setor público, academia e indústria”, diz Paulo Cunha, diretor para o Setor Público da AWS Brasil. “A AWS está comprometida em ajudar a construir essa ponte, oferecendo infraestrutura de nuvem e IA, programas de capacitação gratuitos e colaboração com universidades e governos em todo o país”, afirma Cunha.
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Seis pontos de atrito identificados pela pesquisa
Pearson e AWS identificaram seis pontos de atrito ao longo da jornada entre educação e trabalho:
- Ritmo: distância entre a velocidade das mudanças provocadas pela IA e a capacidade das instituições de atualizar currículos e decisões;
- Governança: ausência de orientações claras para transformar o acesso à IA em uso responsável e supervisionado;
- Capacidade: preparo desigual de educadores para integrar a IA de forma consistente às experiências de aprendizagem;
- Conexão: falta de mecanismos de troca entre empregadores e instituições de ensino, reduzindo o alinhamento com as necessidades do mercado;
- Experiência: diferença entre ter acesso às ferramentas e contar com oportunidades estruturadas para praticar e demonstrar capacidade em situações reais;
- Competências: desalinhamento entre o que os estudantes sabem e o julgamento, a adaptabilidade e a colaboração exigidos em funções habilitadas por IA.
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Fonte: https://itforum.com.br/noticias/ia-ensino-superior-mercado-trabalho/

