Precisamos superar o complexo de inferioridade que, muitas vezes, nos impede de reconhecer a capacidade de inovação do Brasil. O País já ocupa uma posição de destaque na adoção da inteligência artificial (IA). Um estudo recente que realizamos mostrou que 66% das empresas brasileiras já utilizam IA de alguma forma em suas operações, enquanto 38% afirmam ter alcançado implementações em larga escala.
Diante desse cenário, faço uma pergunta direta e provocativa: sua empresa ainda está apenas testando IA em iniciativas isoladas ou está, de fato, construindo a infraestrutura, a governança e as competências necessárias para transformar essa tecnologia em valor real para os negócios?
As melhores notícias de tecnologia B2B
Acompanhe todas as novidades diretamente na sua caixa de entrada
A inteligência artificial deixou de ser apenas um chatbot de perguntas e respostas. Estamos entrando na era da IA agêntica, na qual sistemas são capazes de interagir, executar tarefas e apoiar decisões com graus crescentes de autonomia. Mas a IA não faz mágica sozinha. Ela funciona como um poderoso amplificador daquilo que já existe. Se uma empresa possui dados de baixa qualidade, processos engessados ou vulnerabilidades estruturais de segurança, a IA não resolverá automaticamente esses problemas. Ao contrário: poderá expor e ampliar essas fragilidades.
O desafio, portanto, é retirar a IA da gaveta ou, como ainda ocorre em muitas organizações, de iniciativas isoladas em determinados departamentos e colocá-la no centro da agenda do conselho de administração e da alta liderança. Ela precisa ser tratada como um pilar estratégico para a competitividade, a produtividade e a longevidade das empresas. A IA deixou de ser um luxo ou apenas um diferencial competitivo.
Leia também: Especial IT Forum 35 anos: tecnologia só transforma o mundo quando aproxima pessoas
Infraestrutura e segurança para sustentar a IA
Para explicar um dos desafios dessa transformação, costumo fazer uma analogia com os antigos orelhões. Assim como cada ligação consumia uma ficha telefônica, cada interação com um modelo de IA consome tokens, tanto no treinamento quanto na inferência, ou seja, em sua utilização cotidiana.
Sem uma arquitetura adequada e uma estratégia eficiente, a conta pode se tornar pesada. Além das preocupações relacionadas à segurança, um dos principais desafios passa a ser o uso inteligente desses tokens e da capacidade computacional necessária para processá-los. Por essa razão, muitas empresas já reconhecem a importância de combinar serviços em nuvem com data centers próprios, buscando mais eficiência financeira, desempenho, controle e segurança. E não podemos esquecer uma regra básica: nenhuma aplicação funciona na nuvem sem uma rede capaz de sustentá-la.
No campo da cibersegurança, a transformação que estamos vivendo também é impressionante. Para os principais executivos das empresas, um incidente cibernético deixou de representar apenas um risco reputacional. Ele pode provocar sequestro de dados, interrupção das operações, perda de receita, exposição de informações sensíveis e graves consequências regulatórias.
Nesse novo cenário, o profissional de segurança deixa de ser apenas a pessoa chamada para “apagar o incêndio” depois que um ataque já aconteceu. Ele passa a atuar de forma preventiva, utilizando agentes inteligentes para identificar ameaças, correlacionar informações e apoiar decisões em tempo real.
O novo papel do CIO e o valor humano da tecnologia
Nessa nova configuração, o CIO deixa de ser responsável apenas pela infraestrutura e pelas aplicações e passa a ocupar uma posição ainda mais estratégica na organização. Esse importante líder corporativo assume, cada vez mais, o papel de arquiteto da estratégia de negócio, conectando tecnologia, inovação, segurança e resultados.
Entretanto, para sustentar toda essa transformação, ainda precisamos superar um grande obstáculo: a escassez de profissionais qualificados.
A mudança nunca é confortável. No entanto, quem esperar que tudo se torne óbvio antes de agir provavelmente já terá perdido relevância.
Ao olhar para meus mais de 30 anos de carreira, reconheço uma lição essencial: a tecnologia só faz sentido quando melhora a vida das pessoas. Um ótimo exemplo é o uso da IA para acelerar a triagem de pacientes em hospitais públicos. Ao apoiar a identificação das prioridades de atendimento, a tecnologia permite que médicos e profissionais de saúde dediquem mais tempo aos pacientes e à qualidade do cuidado. Esse é o verdadeiro propósito da inovação.
As empresas que compreenderem que a tecnologia deve estar a serviço do ser humano estarão preparadas para liderar não apenas o próximo ano, mas a próxima década e tudo o que vier depois dela.
Siga o IT Forum no LinkedIn e fique por dentro de todas as notícias!
Fonte: https://itforum.com.br/artigos/ia-experimentacao-estrategia-empresas/

