Modernização com IA exige validação humana de regras de negócio, aponta Forrester

A inteligência artificial consegue reescrever código, mas não é capaz de recuperar a intenção por trás das regras de negócio que acumuladas em sistemas legados ao longo de décadas. Essa é a tese central de um artigo publicado nessa terça-feira (2) pelo analista Biswajeet Mahapatra, da Forrester, que examina os limites e as possibilidades da IA na modernização de sistemas corporativos.

A análise parte de um diagnóstico comum em grandes organizações: por décadas, aplicações críticas acumularam regras de negócio, integrações, gambiarras e dependências em ritmo mais rápido do que as equipes conseguiam documentar. Desenvolvedores originais saíram, especialistas estão se aposentando e levam consigo o conhecimento institucional. O resultado, segundo Mahapatra, é um problema de negócio disfarçado de desafio tecnológico.

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O que a IA vê e o que ela não vê

Ferramentas de IA conseguem analisar código-fonte, documentação, interfaces de programação de aplicações (API), configurações, telemetria operacional, histórico de incidentes e registros de mudanças em velocidade muito superior à descoberta manual. Plataformas de descoberta cada vez mais organizam esses achados em grafos de conhecimento que conectam aplicações, dados, serviços, integrações e regras de negócio em todo o ambiente corporativo.

Essa visão conectada ajuda as equipes a expor dependências ocultas, avaliar riscos de integração, identificar lógicas duplicadas e entender como as aplicações realmente se comportam antes de qualquer modernização. Porém, comportamento não é intenção. Uma regra encontrada no código pode representar um requisito de negócio válido, uma política obsoleta, um contorno para um sistema desativado ou um defeito que persiste despercebido há anos.

A plataforma de descoberta identifica a regra; ela não determina se essa regra pertence à aplicação futura.

Duas formas de descoberta, um único financiamento

Na maioria dos ambientes, o contexto ausente está com as pessoas que operam o sistema. São elas que sabem quais regras refletem obrigações regulatórias, quais sustentam exceções legítimas de negócio e quais sobrevivem simplesmente porque ninguém as removeu.

Mahapatra sustenta que a modernização exige duas formas de descoberta, mas a maioria dos programas financia apenas uma. A metade automatizada ingere, analisa e mapeia o ambiente de aplicações. A metade humana valida a intenção de negócio por meio de entrevistas estruturadas com usuários, operadores e responsáveis pelas áreas, registrando essas decisões como regras confirmadas.

O analista observa que, à medida que a IA comprime os ciclos de desenvolvimento e revisão, o acesso a especialistas de negócio se torna o gargalo. Equipes de descoberta conseguem identificar regras em minutos, mas validá-las ainda depende das pessoas que as entendem. Organizações que colocam distância entre equipes de modernização e partes interessadas do negócio podem descobrir que a latência nas decisões substitui a complexidade técnica como principal restrição na entrega.

Arquitetura não pode ser delegada à IA

A compreensão do estado atual é apenas metade do desafio. Sem direção arquitetural definida, a IA reescreve o código preservando o acoplamento rígido, os padrões de integração obsoletos e a dívida técnica acumulada. O resultado é código moderno rodando sobre uma arquitetura legada, entregue mais rápido do que nunca.

Modelos de domínio, contextos delimitados, padrões de integração aprovados, controles de segurança e padrões arquiteturais fornecem as restrições de que a IA precisa para ser eficaz. A IA pode implementar decisões arquiteturais em escala. Ela não deve tomá-las.

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A sequência proposta por Mahapatra é direta: regras de negócio validadas informam modelos de domínio; modelos de domínio moldam padrões arquiteturais; padrões arquiteturais se tornam templates de engenharia; a IA gera e refatora dentro dessas fronteiras, enquanto testes automatizados, validação de segurança, verificações de conformidade arquitetural e revisão humana confirmam que o trabalho melhora a aplicação em vez de reproduzi-la.

As organizações que mais vão se beneficiar da modernização com IA, conclui o analista, não serão as que geram código mais rápido. Serão as que capturam o conhecimento institucional antes que ele desapareça, validam quais regras de negócio ainda importam e projetam intencionalmente a arquitetura que desejam operar no futuro.

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Fonte: https://itforum.com.br/noticias/ia-reescreve-codigo-mas-nao-a-intencao/