O iFood já obtém 35% de sua receita com operações que vão além da entrega de refeições. O percentual foi apresentado nesta quinta-feira (15), durante um evento sobre a Black Friday de 2026, e sinaliza uma mudança na estratégia da companhia, que utiliza a estrutura tecnológica e logística construída para atender restaurantes como base para expandir sua atuação em outros setores do varejo.
A empresa reúne atualmente 65 milhões de usuários ativos, aproximadamente 500 mil estabelecimentos parceiros e 600 mil entregadores. Desenvolvida ao longo de 15 anos, essa estrutura passou a conectar consumidores também a supermercados, farmácias, pet shops e lojas de diferentes segmentos.
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A estratégia é aproveitar recursos existentes, como a plataforma digital, a base de consumidores e a operação de entregas, para desenvolver novas fontes de receita. Essa estrutura pode facilitar a entrada em outros mercados, embora a expansão para cada categoria também exija adaptações operacionais e tecnológicas.
Durante a apresentação, Paula Ritto, vice-presidente de Marketplace do iFood, explicou que a expansão se apoia em três vantagens desenvolvidas no negócio original: reconhecimento da marca, frequência de uso do aplicativo e capacidade logística.
“Os consumidores fazem compras todos os dias, algumas vezes ao dia. Essa frequência é muito alta e leva muitos deles a acessarem o iFood diariamente”, afirmou.
Esse comportamento ajuda a explicar a estratégia de diversificação. Com uma base de usuários recorrentes, o iFood busca ampliar as ocasiões de compra dentro do aplicativo e oferecer produtos e serviços que vão além das refeições.
O percentual de 35%, entretanto, foi apresentado sem detalhamento sobre quais negócios compõem essa receita ou quanto cada operação contribui para o faturamento.
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A tecnologia construída para restaurantes chega a outros setores
Um dos principais elementos da transformação é o aproveitamento da infraestrutura logística desenvolvida originalmente para a entrega de refeições.
O iFood processa aproximadamente 180 milhões de pedidos por mês, considerando todas as suas categorias. Parte dessa operação envolve estabelecimentos localizados a poucos quilômetros dos consumidores, o que favorece entregas rápidas a partir de lojas próximas ao comprador.
Esse modelo, conhecido como quick commerce, combina comércio digital e entregas rápidas, geralmente realizadas a partir de estabelecimentos próximos ao consumidor.
Para Paula, a oportunidade está em digitalizar uma parcela do comércio que ainda depende de compras presenciais.
“O comércio local envolve situações em que uma pessoa sai de casa, percorre um, dois ou três quilômetros até uma loja, faz uma compra e volta para casa com os produtos”, explicou.
Ao levar essa atividade para o aplicativo, o iFood passa a disputar compras que antes não faziam parte de sua operação. Isso inclui produtos de necessidade imediata, compras de supermercado e mercadorias vendidas por estabelecimentos de bairro.
A empresa afirma que os pedidos são entregues, em média, em menos de 40 minutos. Na modalidade Turbo, o prazo pode ser inferior a 20 minutos.
A expansão exige adaptações para atender às particularidades de cada categoria. Enquanto restaurantes trabalham principalmente com refeições preparadas após o pedido, supermercados precisam separar diferentes produtos e lidar com a disponibilidade dos itens. Farmácias, por sua vez, têm características próprias de estoque e atendimento.
O desafio tecnológico é adaptar sistemas e processos para conciliar os prazos de entrega com as necessidades de cada operação. Durante o evento, a companhia não detalhou quais mudanças foram necessárias em seus sistemas para atender a essas categorias.
Mercados e farmácias impulsionam diversificação
A expansão já aparece no tamanho das operações fora do segmento de refeições. Atualmente, o iFood reúne aproximadamente 14 mil mercados e 22 mil farmácias em sua plataforma. Segundo a companhia, a categoria de mercados cresceu 60%, enquanto a de farmácias avançou 70% no ano fiscal encerrado em março de 2026.
A operação inclui desde pequenos estabelecimentos até grandes redes varejistas. De acordo com Paula, 70% dos 20 maiores varejistas associados à Associação Brasileira de Supermercados (Abras) estão presentes no aplicativo.
A presença de grandes redes amplia o papel do iFood como intermediário digital entre empresas e consumidores. Para os varejistas, a plataforma representa mais um canal de vendas. Para o iFood, significa aumentar a variedade de produtos disponíveis e diversificar as fontes de receita.
A executiva destacou que a expansão envolve duas frentes complementares. A primeira é ampliar a oferta de produtos e serviços do comércio local, levando a outros segmentos a digitalização e a conveniência já associadas à plataforma de alimentação.
A segunda é a velocidade de entrega, sustentada pela estrutura logística existente. No caso das farmácias, a companhia afirma que 80% de seus 65 milhões de usuários têm acesso à opção de receber pedidos em menos de 20 minutos.
Com isso, a plataforma passa a atender empresas de diferentes setores, cada uma com suas próprias necessidades operacionais e comerciais.
Mais categorias mudam a lógica de crescimento
A diversificação também modifica a maneira como o iFood busca aumentar suas receitas. Em um negócio concentrado em refeições, o crescimento depende principalmente da quantidade de consumidores e da frequência dos pedidos de comida. Com a incorporação de outras categorias, a empresa pode ampliar as ocasiões de compra dos mesmos usuários.
Atualmente, 19% dos consumidores compram produtos de mais de uma categoria em um mesmo mês. Segundo Paula, quando o período analisado é de um ano, a maioria dos usuários já realiza compras em diferentes segmentos, embora a companhia não tenha apresentado o percentual exato.
A diferença entre os indicadores mensal e anual reflete a frequência distinta de compra em cada categoria. Enquanto as refeições fazem parte da rotina diária de muitos consumidores, brinquedos, presentes e outros produtos são adquiridos com menor regularidade.
Para o modelo de negócios, o objetivo é ampliar a utilização de uma estrutura que já atende milhões de pessoas. Com mais categorias disponíveis, aumenta a possibilidade de o consumidor recorrer ao aplicativo para atender a diferentes necessidades ao longo do tempo.
A estratégia também se apoia no Clube iFood, programa de fidelidade que possui 15 milhões de assinantes e oferece benefícios para compras realizadas dentro do ecossistema.
Ainda assim, o aumento da receita não significa necessariamente um crescimento proporcional dos lucros. A companhia não divulgou a rentabilidade das novas categorias nem indicadores que permitam avaliar se o aproveitamento da infraestrutura existente já resultou em redução de custos.
Essas informações ajudariam a dimensionar o impacto financeiro da diversificação, especialmente diante das diferenças operacionais entre os segmentos atendidos.
Investimentos de R$ 24 bilhões acompanham transformação
A mudança no modelo de negócios ocorre em meio a um ciclo de investimentos de R$ 24 bilhões anunciado pelo iFood.
Os recursos abrangem tecnologia, desenvolvimento de produtos, fortalecimento da operação com estabelecimentos parceiros e entregadores e iniciativas para estimular a demanda na plataforma.
Durante a apresentação, Paula relacionou os investimentos à necessidade de fortalecer o ecossistema da companhia, incluindo a geração de demanda. “Os investimentos em tecnologia e geração de demanda fortalecem o ecossistema. A Black Friday é uma parte importante dessa estratégia”, afirmou.
A companhia não informou quanto desse montante será direcionado especificamente à infraestrutura tecnológica, à inteligência artificial ou à automação.
Para a Black Friday de 2026, o iFood pretende aumentar em 60% o valor das vendas durante a campanha, depois de registrar crescimento de 50% na edição anterior.
A campanha será uma oportunidade para medir o desempenho comercial da plataforma, mas a transformação em curso vai além de uma data promocional. O iFood busca converter uma operação originalmente dedicada à entrega de refeições em uma plataforma de comércio digital com atuação em diferentes setores.
O próximo desafio será demonstrar que a diversificação também pode gerar rentabilidade sustentável, mantendo a eficiência operacional diante do aumento da complexidade tecnológica e logística.
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Fonte: https://itforum.com.br/noticias/ifood-receita-delivery-plataforma-digital/


