Pesquisa revela que 59% dos CXOs querem inovação radical, mas esbarram em barreiras

Pesquisa com 750 executivos C-level globais revela que 59% dos diretores de experiência do cliente (CXOs) consideram a inovação radical a forma mais atrativa de inovar, mas identificam barreiras estruturais, culturais e organizacionais como os maiores obstáculos ao avanço. Os dados são do novo Deep Tech Index global da Cambridge Consultants, divisão de deep tech da Capgemini, divulgado nessa segunda-feira (28).

O levantamento, realizado pelo The Editorial Institute em nome da Cambridge Consultants, envolveu 750 líderes C-level e 25 entrevistas aprofundadas com CXOs em múltiplos setores e regiões. O estudo expõe um descompasso entre a intenção declarada de inovar radicalmente e a capacidade efetiva de execução, apontando que os entraves não são tecnológicos, mas sim estruturais.

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Inovação radical se refere a produtos, serviços ou modelos de negócios revolucionários que geram novo valor significativo. Deep tech é a estratégia de negócios para alcançá-la por meio da aplicação de ciência, engenharia e tecnologia avançadas.

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Inovação radical como prioridade estratégica

Entre os entrevistados, 81% afirmaram que a propriedade intelectual (PI) com forte proteção tecnológica é importante para captar valor de longo prazo. Os CXOs relataram recorrer cada vez mais à inovação radical tanto como estratégia ofensiva quanto defensiva para responder a exigências crescentes dos clientes, cenários competitivos voláteis e mudanças tecnológicas aceleradas.

Quatro sinais de uma mudança de foco, de atividades para resultados, emergiram nas entrevistas com os executivos:

  • A inovação radical é reconhecida como estratégia de sobrevivência para dobrar ou triplicar o crescimento da receita, meta frequentemente exigida por acionistas.
  • O financiamento de iniciativas exploratórias sem retorno claro está sendo encerrado; business cases hoje precisam demonstrar rentabilidade de curto prazo e prontidão para o mercado.
  • Os modelos de remuneração por prestação de serviço estão cedendo espaço a parcerias de coinvestimento, nas quais provedores externos e empresas compartilham responsabilidades e resultados.
  • Programas de tecnologia radical passam por validação rigorosa da procura do usuário final antes de qualquer comprometimento de capital.

Barreira estrutural, não tecnológica

O Deep Tech Index identifica que cerca de um em cada seis líderes empresariais destina orçamentos relevantes à inovação radical. A média intersetorial é de 16% dos respondentes que afirmam alocar 70% ou mais do orçamento de inovação nesse tipo de iniciativa, segundo o levantamento. A distribuição por setor, porém, é desigual: apenas 3% dos líderes de bens de consumo afirmam destinar mais de 70% dos recursos de inovação a iniciativas radicais, enquanto 36% dos líderes de semicondutores fazem o mesmo. Os setores industrial (22%) e de saúde (18%) apresentam maior propensão ao investimento. Materiais (14%), serviços de comunicação (13%) e energia (12%) ficam abaixo da média. Nenhuma empresa do setor de serviços públicos (utilities) relatou alocar mais de 70%.

Em entrevistas, os CXOs afirmaram que conselhos de administração, estruturas de financiamento restritivas e culturas com aversão ao risco inibem ativamente avanços radicais antes mesmo que cheguem ao mercado. Visão de curto prazo, gargalos de aprovação, cultura de consenso e escassez de talentos também se somam a esses obstáculos.

O diretor-presidente da Cambridge Consultants, Richard Traherne, afirma que “as organizações não estão perdendo a corrida global pela inovação porque os concorrentes têm ideias melhores, mas sim porque esses concorrentes se destacam ao financiar, proteger e comercializar melhor essas ideias”. Para Traherne, “a lacuna não é técnica, é estrutural”.

O Deep Tech Index 2026 está disponível para download no site da Cambridge Consultants. O índice é replicável e mensura o nível de prontidão para a adoção de estratégias de deep tech em diferentes regiões geográficas e setores de mercado.

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Fonte: https://itforum.com.br/noticias/inovacao-radical-barreiras-cxos/