A Magalu Cloud, nuvem pública do grupo Magalu, apresenta nesta quarta-feira (9), na Arena Magalu, em São Paulo, uma nova oferta de inferência de inteligência artificial (IA) com preços abaixo dos praticados por concorrentes. A iniciativa faz parte da estratégia da companhia para ampliar o acesso à IA no Brasil, combinando redução de custos, modelos de código aberto e infraestrutura desenvolvida no País.
A frente de inferência é uma das principais apostas da empresa para 2026. Segundo o vice-presidente de plataformas do Magalu Cloud, André Fatala, a companhia identificou empresas que ampliaram o uso de IA, mas precisaram rever os gastos diante do custo dos tokens.
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“Vimos notícias de grandes empresas que ampliaram o uso de IA em seu dia a dia, mas muitas precisaram conter as despesas porque o custo dos tokens começou a ficar acima do esperado”, afirma Fatala.
A estratégia da Magalu Cloud é atuar justamente nessa barreira. “A ideia é tornar o uso das LLMs mais acessível”, diz o executivo.
Preço como estratégia
O marketplace reúne cerca de 20 modelos de linguagem de grande escala (LLMs), divididos entre as categorias básica, intermediária e de fronteira. Segundo a companhia, a redução de preço chega a 30% nos modelos básicos, 74% nos intermediários e 50% nos de fronteira, em comparação com concorrentes.
Antes do lançamento, a solução passou por cerca de três meses de testes com clientes. Segundo Fatala, o principal retorno recebido durante o período esteve relacionado ao custo dos tokens. “Estamos trabalhando para tornar o uso economicamente viável, considerando a realidade do Brasil e das empresas brasileiras”, afirma.
A estratégia segue uma lógica que a companhia já aplica à computação em nuvem tradicional: ganhos de eficiência podem reduzir os custos de infraestrutura. A intenção, segundo Fatala, é levar esse mesmo princípio para a inteligência artificial.
A primeira oferta brasileira disponível no marketplace será o Sabiá, modelo desenvolvido pela Maritaca AI. Inicialmente, a companhia pretende disponibilizar a solução de forma privada para um grupo de clientes e, posteriormente, ampliar o acesso. A expectativa é que todos os interessados possam utilizar a plataforma até o fim de 2026.
A redução de preços também está relacionada ao objetivo de ampliar a base de usuários, especialmente entre pequenas e médias empresas. “Queremos ampliar o acesso das pequenas e médias empresas aos serviços de nuvem”, afirma Fatala.
Durante o evento, a Alibaba Cloud e a Magalu Cloud também anunciaram uma parceria para expandir os serviços de IA generativa no mercado brasileiro. A colaboração combina a presença e o ecossistema da Magalu Cloud com os serviços de nuvem completos e o portfólio de modelos de IA avançados da Alibaba Cloud. As duas empresas trabalharão em conjunto para fornecer os mais recentes serviços de modelos de IA, incluindo a família Qwen.
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Soberania tecnológica
O segundo eixo da estratégia é a soberania tecnológica. Fatala divide o conceito em três frentes: dados, operação e tecnologia.
Na avaliação do executivo, empresas que operam no Brasil já conseguem atender aos dois primeiros aspectos. O diferencial da Magalu Cloud estaria no desenvolvimento da própria base tecnológica no País. “Não se trata apenas de ter independência e domínio da tecnologia. Haverá negócios em que o cliente poderá decidir operar com um provedor completamente soberano”, afirma.
Para Fatala, a discussão também envolve ampliar as possibilidades de escolha dos clientes. “Essa visão está relacionada a oferecer opções e alternativas para que os clientes possam fazer suas escolhas”, diz.
A companhia relaciona esse posicionamento ao desenvolvimento de sua própria infraestrutura tecnológica. “A base tecnológica é desenvolvida no Brasil. Essa é uma diferença que trazemos ao mercado”, afirma Fatala.
O executivo também cita o chamado Cloud Act, legislação dos Estados Unidos que pode permitir, em determinadas circunstâncias, que autoridades americanas solicitem dados armazenados por empresas sujeitas à jurisdição do país.
“Com a Magalu Cloud, não tenho esse problema de o governo exigir o compartilhamento de dados e eles serem entregues”, afirma.
Redata pode estimular infraestrutura de IA
Outro fator apontado pela companhia como relevante para o avanço da infraestrutura de IA no Brasil é o Regime Especial de Tributação para Serviços de Data Center (Redata). Segundo Fatala, a aprovação do regime pode estimular novos investimentos em centros de dados no País.
“O Redata abre uma possibilidade importante de investimento no Brasil, com a expansão de data centers e de empresas investindo em infraestrutura, principalmente voltada à IA”, afirma.
Na avaliação do executivo, a disponibilidade de energia também pode favorecer o mercado brasileiro. “O Brasil tem uma matriz energética limpa, que pode favorecer investimentos na construção de data centers e em grandes operações no país”, diz.
O efeito esperado não se limita à infraestrutura para inferência. Fatala afirma que o regime pode facilitar investimentos em estruturas voltadas também ao treinamento de modelos. “O Redata facilita investimentos específicos em infraestrutura para IA, com clusters de inferência e, futuramente, clusters de treinamento disponíveis no Brasil”, opina.
Marketplace amplia ecossistema de serviços
Além dos modelos de IA, a Magalu Cloud apresenta um marketplace com mais de 30 parceiros. Entre as iniciativas está uma parceria com a AgentShop para soluções de comércio conversacional pelo WhatsApp.
A proposta permite que clientes da AgentShop integrem seus produtos ao canal da Lu no WhatsApp. Segundo Fatala, a taxa de conversão da Lu nesse canal é cinco vezes superior à do aplicativo.
A empresa também prevê uma integração com o aplicativo no quarto trimestre de 2026.
A definição do modelo comercial para o WhatsApp ainda depende das negociações entre Meta e empresas brasileiras. “O Magalu e outras empresas, incluindo a AgentShop, estão em conversas próximas com a Meta sobre o tema e seus possíveis impactos para os negócios no Brasil”, afirma Fatala.
A cobrança da solução não será baseada no consumo de tokens. Segundo o executivo, o modelo combina uma taxa de manutenção com uma comissão sobre as vendas.
Outra frente apresentada pela companhia é o Accelerate PaaS, plataforma voltada à simplificação da gestão de cargas de trabalho na nuvem. A ferramenta utiliza um assistente de configuração para reduzir a necessidade de operações manuais. “Algumas empresas não querem gerenciar todas as suas cargas de trabalho dentro de uma infraestrutura nem administrar cada operação diretamente pelo console. Por isso, desenvolvemos uma plataforma que abstrai e simplifica a gestão dessas cargas de trabalho”, explica Fatala.
A Magalu Cloud reúne atualmente mais de 2 mil empresas em sua base, segundo a companhia. Os novos clientes não foram detalhados. Para 2027, Fatala afirma que o planejamento será construído a partir dos retornos dos clientes. A empresa, neste momento, não antecipa novos lançamentos.
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Fonte: https://itforum.com.br/noticias/magalu-cloud-preco-soberania-ia/

