Nutanix aponta 81% dos executivos veem risco no uso de IA

A inteligência artificial avança nas empresas brasileiras mais rápido do que a governança. É o que aponta o Enterprise Cloud Index (ECI) 2026, pesquisa anual da Nutanix conduzida pela Wakefield Research e divulgada em coletiva na última terça-feira (23).

O levantamento ouviu 1.600 profissionais de nuvem, TI e engenharia em cargos de gerência ou acima, de organizações com mais de 500 funcionários em 14 países, sendo cem deles do Brasil. Os dados revelam um cenário de aceleração tecnológica acompanhado de lacunas significativas em governança, integração entre áreas e prontidão de infraestrutura.

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Avanço da shadow AI

Um dos achados mais críticos do ECI 2026 é a disseminação da chamada shadow AI, que é o uso de ferramentas e agentes de inteligência artificial fora da supervisão oficial de TI. No Brasil, 74% dos executivos afirmaram já ter encontrado aplicações ou agentes de IA implementados por colaboradores de outras áreas sem aval da equipe técnica, número próximo ao global de 79%.

A preocupação com esse cenário é ampla, 81% dos executivos brasileiros acreditam que o uso não supervisionado de IA representa risco ao negócio, com o mesmo percentual no cenário global. Os principais vetores de risco apontados incluem exposição de dados sensíveis e comprometimento de propriedade intelectual.

O descompasso entre TI e as demais áreas também aparece como um gargalo, 82% dos executivos brasileiros avaliam que os silos entre tecnologia e negócio prejudicam a capacidade de executar iniciativas tecnológicas com eficácia.

Na apresentação da pesquisa, Leonel Oliveira, diretor-geral da Nutanix Brasil, contextualizou o desafio: “Quando as organizações correm para atender à pressão do mercado sem o devido controle, é aí que o risco se instala e é assim que vem a shadow AI. A pressa para ser o primeiro acaba gerando retrabalho e um tempo muito maior de correção”, declara.

Para ele, a resposta passa obrigatoriamente pela capacitação. “Precisamos trabalhar na educação de todos os setores sobre como usar a tecnologia de forma adequada”, completa.

IA pressiona modernização

A pesquisa também mapeia como a IA está remodelando as decisões de infraestrutura. No Brasil, 86% dos executivos afirmam que a inteligência artificial está acelerando a adoção de containers, sendo que 32% dizem que essa aceleração ocorre em grande escala. Outros 81% esperam que o nível de conteinerização de aplicações aumente nos próximos três anos.

O principal motivador para essa expansão é desempenho; 48% dos executivos brasileiros apontam ganhos de velocidade, confiabilidade e escalabilidade como objetivo central para ampliar o uso de containers nos próximos 12 meses.

A tendência se replica globalmente, onde 85% dos entrevistados confirmam que a IA acelera a adoção dessa tecnologia.

Marlon Menezes, especialista em soluções e IA da Nutanix, destacou que a demanda que chega às organizações é essencialmente de negócio, não de infraestrutura em si. “A infraestrutura representa uma grande janela de transformação, mas a inteligência artificial não está sendo demandada para ela, está sendo demandada pelo negócio”, afirma.

Soberania de dados e preferência por ambientes híbridos

A localização dos dados aparece como uma variável na estratégia. No Brasil, 72% dos executivos classificam a soberania de dados como prioridade alta ou obrigatória nas decisões de infraestrutura, resultado abaixo do índice global de 80%, mas ainda expressivo.

Mais da metade dos entrevistados brasileiros e globais, em torno de 57%, afirma sentir necessidade de operar sua infraestrutura dentro do próprio país.

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Esse contexto se reflete nas escolhas de arquitetura, onde 49% das empresas brasileiras preferem executar aplicações conteinerizadas em ambientes de nuvens privadas, enquanto 38% optam por nuvens públicas, reforçando uma inclinação por modelos híbridos.

Ambição estratégica à frente da prontidão técnica

O estudo também expõe uma tensão entre intenção e capacidade. Globalmente, 59% das organizações esperam ter mais de cinco aplicações habilitadas por IA nos próximos três anos. No entanto, 82% admitem que sua infraestrutura atual não está totalmente preparada para suportar cargas de trabalho de IA, o que indica uma contradição, que tende a se agravar com o avanço das implementações.

Oliveira também reconhece que a jornada de adaptação é contínua. “Não chegamos perfeitos, buscamos aprender continuamente.” Ele reforça que a preparação para esse novo momento exige mais do que tecnologia: “É preciso ter alinhamento e preparo para que os dados possam gerar relevância de fato.”

Menezes completou indicando a importância da governança. “Estamos diante de uma nova estrutura de governança e de riscos operacionais, e este é o momento de se preparar para essa nova fase.”

O ECI é realizado pela Nutanix pelo oitavo ano consecutivo. A pesquisa foi conduzida entre 13 e 23 de novembro de 2025, com margem de variação de 9,8 pontos percentuais para o recorte brasileiro.

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Fonte: https://itforum.com.br/noticias/nutanix-81-executivos-risco-no-uso-de-ia/