PwC: 89% dos líderes não veem retorno em seus investimentos em IA

A inteligência artificial já chegou às operações da maioria das empresas, mas transformar essa presença em resultados concretos segue sendo o obstáculo central da transformação digital. É o que mostra a Pesquisa sobre Tendências Digitais em Operações 2026, da PwC, divulgada nessa quarta-feira (28): 85% dos líderes de operações e cadeia de suprimentos entrevistados dizem estar à frente dos concorrentes em transformação digital, mas 89% admitem que os investimentos em tecnologia ainda não entregaram tudo o que deveriam.

O levantamento ouviu mais de 700 líderes de operações e cadeia de suprimentos de empresas nos Estados Unidos, em setores como produção industrial, consumo, varejo, tecnologia, energia, farmacêutico e serviços financeiros. O achado central é que o retorno dos investimentos digitais depende, sobretudo, da capacidade de conectar inteligência artificial (IA), dados e operações à estratégia do negócio.

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Principais barreiras à geração de valor

Os obstáculos mais citados para que os investimentos em tecnologia gerem retorno são a complexidade de integração (52%), os problemas com dados (46%) e as dificuldades de adoção pelos usuários (43%), segundo a pesquisa da PwC.

A qualidade dos dados aparece como um nó estrutural nesse processo. Para 87% dos executivos ouvidos, a má qualidade das informações está diretamente ligada às dificuldades de avançar na geração de valor das iniciativas digitais. Ainda assim, só 30% relatam melhora significativa na qualidade e na confiabilidade dos dados nos últimos anos.

A pesquisa sugere, porém, que esperar por dados perfeitos não é a saída. Para 89% dos entrevistados, ter informações capazes de orientar decisões é mais importante do que ter dados completos. Outros 73% afirmam que a perfeição dos dados não é requisito para gerar valor.

“Capturar valor da inteligência artificial exige olhar para a transformação de forma integrada. Não basta incorporar novas tecnologias: é preciso conectá-las aos dados, aos processos e às pessoas, com uma visão clara dos resultados que se pretende alcançar. Para as empresas, o desafio é transformar experimentação em capacidades para escalar e gerar valor de forma consistente”, afirma Simone Furegato, sócia da PwC Brasil.

IA e a dinâmica competitiva

A transformação digital também pode reconfigurar as posições de mercado. Entre os entrevistados, 93% consideram que ferramentas de dados baseadas em IA e cloud ajudam empresas menores a alcançar paridade com líderes digitais. Outros 91% concordam, total ou parcialmente, que tecnologias emergentes de IA e cloud permitem que organizações em diferentes níveis de maturidade digital ultrapassem líderes de seus setores.

O movimento vai além da tecnologia e chega à estrutura interna das empresas. Para 83% dos entrevistados, agentes de IA e automação vão acelerar o rompimento das barreiras entre funções tradicionais. Entre as organizações com estruturas fragmentadas ou parcialmente integradas, 94% esperam migrar para modelos mais horizontais e em rede. Por ora, apenas 41% descrevem suas empresas como horizontais e colaborativas.

As vantagens de quem já opera com estruturas horizontais são concretas. Nessas empresas, 61% relatam capacidades digitais integradas de ponta a ponta, contra 21% nas organizações predominantemente verticais ou parcialmente integradas. O uso ativo de IA para qualidade e gestão de dados chega a 87% no primeiro grupo, em comparação com 65% no segundo.

O perfil das empresas líderes

Apenas 4% das empresas ouvidas pela PwC reúnem simultaneamente as quatro características que definem os líderes da transformação digital: estratégia de IA totalmente incorporada ao negócio, investimentos em tecnologia operacional que entregam os resultados esperados, ausência de barreiras significativas à adoção ou escala de agentes autônomos e estrutura organizacional colaborativa e horizontal.

Esse grupo se distancia das demais organizações em indicadores relevantes. Entre as empresas líderes, 87% integraram capacidades digitais de ponta a ponta, contra 35% das demais. No que se refere à mensuração de resultados, 83% medem os impactos operacionais e financeiros dos investimentos digitais recentes, ante 39% das outras. Além disso, 73% alcançaram impacto amplo na organização com esses investimentos, em comparação com 30% das demais empresas.

As diferenças se repetem na inovação e nos dados: 74% das líderes utilizam plataformas nativas de IA ou agentes de IA em pesquisa e desenvolvimento, contra 45% das demais, e 63% relatam melhora significativa na qualidade e confiabilidade dos dados, ante 28% das outras organizações.

“O que diferencia as empresas mais avançadas é a capacidade de conectar tecnologia à operação e acompanhar o valor gerado. Elas integram capacidades digitais aos fluxos de trabalho, medem os impactos dos investimentos e ampliam as iniciativas para a organização. A próxima fronteira da transformação está justamente em fazer com que IA, dados e pessoas trabalhem de forma integrada para gerar resultados sustentáveis para o negócio”, afirma Rodrigo Damiano, sócio da PwC Brasil.

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Fonte: https://itforum.com.br/noticias/pwc-lideres-veem-retorno-investimentos/