As ações de fabricantes de semicondutores começaram o terceiro trimestre em queda, interrompendo uma sequência histórica de valorização que marcou os primeiros seis meses de 2026.
Depois de um segundo trimestre recorde, impulsionado pela demanda por infraestrutura de inteligência artificial, investidores passaram a realizar lucros e avaliar se os preços atuais refletem de forma sustentável as perspectivas do setor. As informações foram publicadas pela CNBC.
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O movimento ocorre poucos dias após o índice Philadelphia Semiconductor Index (SOX), principal referência do setor, registrar o melhor desempenho trimestral de sua história, com alta de aproximadamente 88%. A valorização foi liderada por empresas ligadas à cadeia de infraestrutura para IA, especialmente fabricantes de memória, processadores e equipamentos para produção de chips.
Na primeira sessão de julho, porém, o cenário mudou. O índice de semicondutores recuou cerca de 3,4%, com 25 das 30 empresas que compõem o indicador encerrando o dia em baixa. Apesar da queda, o SOX permanece próximo de máximas históricas depois da forte recuperação observada desde abril.
Entre as companhias que lideraram a valorização no trimestre estão Micron, Intel e AMD. Juntas, elas adicionaram cerca de US$ 2 trilhões em valor de mercado entre abril e junho, refletindo a expansão dos investimentos globais em inteligência artificial e a crescente demanda por memória de alta largura de banda (HBM), processadores e armazenamento para data centers.
A Micron foi um dos principais destaques do período. Beneficiada pela escassez global de memória e pela forte demanda dos hyperscalers, a fabricante registrou ganhos superiores a 240% no trimestre. Intel avançou mais de 216%, enquanto a AMD acumulou valorização próxima de 186%, segundo dados citados pela CNBC.
IA amplia demanda, mas investidores monitoram sustentabilidade do ciclo
A recuperação das fabricantes de chips ocorreu em um ambiente de investimentos recordes em infraestrutura de inteligência artificial. Empresas como Microsoft, Amazon, Meta e Alphabet seguem destinando centenas de bilhões de dólares à expansão de data centers, aquisição de GPUs, sistemas de armazenamento e redes de alta velocidade, alimentando toda a cadeia de semicondutores.
Além dos fabricantes de chips, empresas que produzem equipamentos para fabricação de semicondutores também registraram forte valorização no trimestre. Applied Materials, Lam Research e KLA mais que dobraram de valor durante o período, acompanhando a aceleração dos investimentos em novas fábricas e na ampliação da capacidade produtiva.
Apesar do desempenho expressivo, parte do mercado começa a questionar até que ponto a expansão poderá ser mantida. Analistas destacam que o ciclo atual de investimentos em IA representa um dos maiores já registrados pela indústria de tecnologia, mas alertam que avaliações elevadas tornam o setor mais sensível a qualquer desaceleração na demanda ou revisão dos planos de investimentos das grandes empresas de nuvem.
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Outro fator acompanhado pelos investidores é a capacidade das empresas converterem os elevados gastos em infraestrutura em crescimento consistente de receitas e lucros. Embora fabricantes de memória estejam operando em um cenário de oferta restrita e preços elevados, parte do mercado ainda monitora quando os bilhões investidos em data centers começarão a gerar retorno financeiro para os hyperscalers.
Mesmo com a correção registrada no primeiro pregão de julho, analistas avaliam que a tendência estrutural permanece apoiada pela expansão da inteligência artificial. A demanda por chips de memória, aceleradores de IA, processadores e infraestrutura de armazenamento continua elevada, sustentada pelo avanço de agentes de IA, modelos generativos e novas aplicações corporativas que exigem capacidade computacional cada vez maior.
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Fonte: https://itforum.com.br/noticias/rali-historico-das-acoes-chips-perde-forca/

