O Reino Unido pode ampliar seu arcabouço regulatório para incluir modelos de inteligência artificial (IA) de uso geral, como ChatGPT, Claude e Gemini, à medida que essas tecnologias passam a influenciar decisões financeiras de consumidores e empresas. A recomendação foi apresentada por Sheldon Mills, diretor-executivo da Financial Conduct Authority (FCA), órgão regulador do mercado financeiro britânico, em um relatório divulgado nesta segunda-feira (6), segundo a Reuters.
O estudo faz parte de uma revisão sobre os impactos da inteligência artificial nos serviços financeiros e sugere que a FCA avalie, entre três e seis meses, se o perímetro regulatório atual deve ser adaptado para abranger modelos de linguagem de grande porte (LLMs) que hoje operam fora das regras específicas aplicadas ao setor financeiro.
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De acordo com a Reuters, a preocupação da autoridade decorre da crescente adoção dessas ferramentas tanto por consumidores quanto por instituições financeiras. O levantamento citado pelo regulador mostra que mais de um quarto dos consumidores britânicos já confia em plataformas como ChatGPT, Claude e Gemini para obter orientações financeiras, embora muitos desconheçam que essas ferramentas não estão sujeitas às mesmas proteções legais aplicáveis aos serviços financeiros regulamentados.
Segundo a agência, OpenAI, Anthropic e Google não comentaram o assunto imediatamente após a divulgação do relatório.
IA amplia eficiência
O documento também analisa como a inteligência artificial está transformando a operação das instituições financeiras. Embora a maior parte das implementações continue concentrada em funções internas e administrativas, cresce o uso da tecnologia em atividades diretamente voltadas aos clientes, incluindo atendimento, tratamento de reclamações e suporte a decisões de investimento.
A revisão destaca que a IA pode ampliar o acesso a serviços financeiros e aumentar a eficiência operacional, mas alerta para riscos relacionados à proteção do consumidor, à transparência das recomendações automatizadas e à concentração tecnológica.
Outro ponto de atenção apontado pelo relatório é a dependência crescente de um número reduzido de fornecedores de infraestrutura, modelos de IA e serviços de computação em nuvem. Segundo a FCA, caso grande parte do sistema financeiro utilize as mesmas plataformas tecnológicas, uma eventual falha operacional ou vulnerabilidade poderá afetar simultaneamente diversas instituições, elevando o risco sistêmico. O documento também menciona a possibilidade de comportamentos semelhantes entre empresas decorrentes do uso dos mesmos modelos de IA, fenômeno que pode reduzir a diversidade de decisões no mercado financeiro.
A Reuters informa que uma pesquisa recente apontou que 81% das instituições financeiras no mundo já utilizam inteligência artificial em algum nível, enquanto cerca de 40% se encontram em estágios mais avançados de adoção ou expansão da tecnologia.
O presidente da FCA, Ashley Alder, afirmou, segundo a Reuters, que o regulador pretende manter uma abordagem baseada em princípios e focada nos resultados, preservando flexibilidade para acompanhar a rápida evolução da inteligência artificial.
A discussão ocorre em um momento de revisão das políticas públicas voltadas à IA em diferentes países. Reguladores vêm avaliando se os modelos de inteligência artificial de uso geral exigem regras específicas ou se os marcos regulatórios existentes permanecem suficientes para lidar com questões relacionadas à proteção do consumidor, estabilidade financeira, segurança cibernética e riscos operacionais.
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Nos últimos meses, autoridades britânicas também passaram a discutir os impactos de modelos de IA cada vez mais avançados sobre a resiliência do sistema financeiro e a necessidade de mecanismos adicionais de supervisão. O novo relatório da FCA amplia esse debate ao sugerir uma reavaliação do escopo regulatório para tecnologias que, embora desenvolvidas fora do setor financeiro, exercem influência crescente sobre decisões econômicas de consumidores e empresas.
Caso a recomendação avance, o Reino Unido poderá redefinir a forma como supervisiona modelos de inteligência artificial de propósito geral, aproximando sua regulação das novas aplicações que surgem no mercado financeiro sem abandonar a estratégia de adaptação gradual das normas existentes, segundo a Reuters.
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Fonte: https://itforum.com.br/noticias/reino-unido-ampliar-regulacao-modelos-ia/

