Especial IT Forum 35 anos: para CIO do Santander, velocidade é o diferencial na era da IA

Em 1998, dois anos depois de o Bradesco lançar o primeiro internet banking do Brasil, Richard Flavio Silva se formava na faculdade de computação da Universidade de São Paulo (USP), em São Carlos, e ingressava em uma consultoria de tecnologia. O ambiente era de frenesi: mesas abarrotadas de livros sobre como programar na rede e desenvolvedores tentando entender as mudanças que se desenhavam.

A ida para a Accenture, para trabalhar com o setor financeiro, demandou ainda mais estudo. “Sou de uma geração que entendia de tecnologia, mas que não havia sido preparada para codificar pela internet”, explica o atual CIO do Santander e CEO da F1RST Digital Services, empresa de tecnologia do banco.

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Do lado de fora, o mercado explodia em número de startups. Foi ali que Silva viu pela primeira vez uma diferença de ritmos entre organizações. As novas companhias apostavam na internet; os chamados incumbentes se perguntavam o quanto aquela tecnologia poderia redefinir os negócios.

Os profissionais de tecnologia, por sua vez, observavam o movimento de fora, já que a área era vista como de difícil acesso. Essa é, para ele, uma das principais mudanças desde então. “Há 20 anos, não se pensava que a tecnologia se sentaria à mesa de negócios e falaria a mesma linguagem”, diz.

O início dos anos 2000, com demanda maior do que a mão de obra disponível, é o período em que ele considera mais parecido com o que se vive hoje na era da inteligência artificial (IA), mesmo em ritmos de adoção diferentes.

“Foi um dos momentos mais gritantes que presenciei, em relação a uma demanda altíssima e uma baixa oferta de profissionais. Nós aprendíamos enquanto desenvolvíamos os projetos.”

Nos 17 anos de Accenture, além do boom da internet, ele presenciou a era do mobile first e a chegada da nuvem. Em 2016, porém, o repertório começou a parecer incompleto. A ida para o Santander veio da curiosidade de acompanhar as jornadas de transformação de ponta a ponta.

“Os tempos são mandatos para o consultor, não se vive uma história de transformação completa. Comecei a sentir falta de poder administrar um negócio e criar jornadas de médio e longo prazos”, explica.

Entrou pela porta do CTO, função que exerceu até assumir a cibersegurança.

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Parte da história financeira do País

De toda a carreira no setor financeiro, 2020 foi um dos anos mais marcantes. Enquanto a pandemia mantinha todos do lado de dentro, sua equipe trabalhava para cruzar uma nova barreira no sistema bancário.

Era o ano do Pix, lançado em novembro, e da regulamentação do Open Finance, publicada em maio, com a primeira fase prevista para fevereiro de 2021. Os dois seguem sendo seus maiores desafios em tecnologia.

No caso do Pix, à frente da cibersegurança durante a implementação, ele conta que a operação elevou ainda mais os padrões do banco.

Já o Open Finance trouxe mais do que tecnologia. Então CTO, Silva pediu para liderar o desenvolvimento da solução e decidiu tocar o projeto inteiramente na nuvem, em modelo de streaming de dados orientado a eventos. Com prazos comprimidos, depois de anos à frente da gestão, foi preciso voltar a codificar.

A experiência o aproximou da equipe de forma inesperada. “Quem entende de tecnologia tem essa paixão de falar do trabalho, então aquele momento trouxe uma conexão muito legal. E percebi que o time começou a me ver diferente.”

Em agosto de 2024, chegou à posição de CIO do Santander e CEO da F1RST, com a qual realizou o objetivo de administrar um negócio.

Chegada da era da IA

Silva descobriu a tecnologia aos 14 anos, e é ao encantamento daquela época que recorre para descrever o momento atual. “Era um teclado e um computador, mas eu dava instruções e ela respondia, e me encantei com isso. A IA tem a mesma magnitude.”

Quando pensa em IA, ele pensa em cadeia de produção. Apesar de reconhecer o valor na etapa de codificação, acredita que a tecnologia precisa estar a serviço de todo o ciclo ágil, já que seu maior ativo de mudança está na velocidade e na integração que impõe aos negócios.

Na F1RST, a IA foi implementada em todas as camadas de produção. Diante de receios sobre o futuro agêntico, afirma que a chegada da tecnologia apenas reforça a necessidade do trabalho humano e do conhecimento das fundações. O momento, porém, pede adaptação, acrescentando o “fast ao continuous learning”.

Como na chegada da internet, estudo e treinamento serão de novo necessários. Para que um agente faça bem o seu trabalho, diz Silva, ele precisa ser contextualizado, e cabe às pessoas estabelecer os padrões.

“Mas a maior transformação aqui é a velocidade.” Sem aderir a esse novo ritmo, adverte, as empresas veem a transformação passar.

Fonte: https://itforum.com.br/noticias/richard-flavio-silva-santander/