Robôs humanoides com “cérebro” de IA chegam na China

A China está a um ano de ter robôs humanoides capazes de executar tarefas gerais a partir de comandos de voz, mas levar essas máquinas para dentro das casas vai exigir pelo menos mais oito anos de desenvolvimento. A projeção é de Gao Yang, cofundador e cientista-chefe da Spirit AI, empresa chinesa especializada no desenvolvimento de “cérebros” para robôs.

A afirmação foi feita à Reuters durante visita à sede da companhia em Pequim, nessa quinta-feira (17). Ela resume o estágio atual de um setor que, após avanços de hardware que permitiram a robôs humanoides correr, dançar e dar saltos mortais, volta as atenções para o software responsável pela inteligência das máquinas, campo conhecido como inteligência incorporada (embodied AI).

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“O cérebro é de fato o elo mais fraco em toda a pilha de robótica”, diz Gao.

O marco do GPT-3.0 em robótica

A Spirit AI projeta atingir em meados de 2027 o que chama de marco equivalente ao GPT-3.0 para robôs. “Você vai conseguir falar com um robô em linguagem natural, e ele vai executar uma série de ações físicas razoáveis para tentar realizar a tarefa”, afirma Gao, que também é professor assistente de robótica na Universidade Tsinghua.

Para chegar lá, a empresa emprega cerca de mil contratados em todo o território nacional. Eles usam equipamentos de coleta de dados em residências e fábricas, fornecendo informações sobre como humanos se movem em seus ambientes. Na sede em Pequim, dezenas de jovens com sensores acoplados ao corpo repetiam movimentos como abrir geladeiras, abrir cofres e cortar legumes com facas. Os robôs da Spirit AI já atingiram 90% de taxa de sucesso em tarefas simples em ambientes de sala de estar estruturados.

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A empresa prefere dados do mundo real em vez de simulações virtuais para treinar seus modelos. Muitos concorrentes recorrem a simuladores para reduzir custos de treinamento, mas Gao afirma que certas tarefas só podem ser aprendidas por meio do estudo de interações reais com objetos físicos. “Simuladores lidam bem com corpos rígidos, mas objetos flexíveis, como cabos elétricos deformáveis, ainda são um problema”, diz ele.

A abordagem com dados “sujos” também diferencia a Spirit AI; ao usar um conjunto mais diverso de movimentos, mesmo com menor precisão, a empresa conseguiu acelerar a evolução dos seus modelos em comparação com competidores que exigem movimentos repetidos mais de 50 vezes para obter um único registro com a precisão necessária.

Aplicações industriais e próximos passos

Os robôs da linha Moz1 com rodas da Spirit AI já estão em operação em linhas de produção da fabricante de baterias CATL e da varejista JD.com, que também é investidora da empresa. A startup de 300 funcionários levantou mais de US$ 670 milhões desde sua fundação, em 2024, tornando-a uma das empresas de inteligência incorporada que mais rapidamente acumularam capital na China. A companhia está avaliada em 20 bilhões de yuans (aproximadamente US$ 2,9 bilhões). Gao não comentou planos de abertura de capital.

“O progresso é extremamente rápido. Quando a Spirit AI foi fundada, um robô conseguia executar bem apenas uma tarefa isolada, como servir água ou dobrar uma peça de roupa”, afirma Gao. “Hoje, os robôs operam em grandes áreas espaciais e executam fluxos de trabalho complexos e contínuos.”

Dificuldades persistem em ações de motricidade fina, como abrir a tampa de uma garrafa, e na execução de tarefas desconhecidas, segundo o cofundador.

Segurança da IA incorporada

Nos Estados Unidos, empresas de inteligência artificial têm pedido uma desaceleração no desenvolvimento de modelos de linguagem avançados depois que incidentes de segurança digital expuseram riscos de agentes não controlados. Para Gao, o risco de uma IA fora de controle é, por enquanto, uma preocupação menos urgente no mundo físico, dado que os modelos de software ainda são imaturos demais.

A questão da segurança, no entanto, ganha relevância à medida que os robôs passam a interagir com mais pessoas em ambientes lotados e imprevisíveis, como espaços comerciais e residências. “Nossos robôs têm controle de força em todo o corpo. Se o robô encontrar força de interação excessiva com o ambiente, a frenagem de emergência é acionada automaticamente como política de segurança de base”, diz Gao.

A cronologia de Gao para as próximas fases do setor é clara; o intervalo de um a dois anos é a janela inicial para aplicações industriais; em dois anos, os robôs devem chegar a ambientes comerciais realizando tarefas mais simples. “Entrar nas casas é muito mais difícil do que ambos”, diz o cientista. Quando os modelos de base alcançarem uma era autônoma madura, equivalente ao GPT-4.0, pesquisar segurança avançada e alinhamento de IA se tornará muito mais viável, segundo ele.

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Fonte: https://itforum.com.br/noticias/robos-humanoides-com-cerebro-de-ia-china/