América Latina e Caribe formalizaram, nesta quinta‑feira (18), a criação de um bloco regional para desenvolver o ecossistema de semicondutores e chips.
O documento cria o SemiCon‑LAC, comunidade permanente de cooperação entre governos, universidades, centros de pesquisa e empresas da região. O objetivo central é inserir a região na cadeia global de chips e atrair investimentos; o Tecnopuc assumirá a primeira secretaria executiva.
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A iniciativa responde à reconfiguração geopolítica do setor, cuja produção global concentra‑se no Pacífico Leste (Taiwan, Coreia do Sul e China), enquanto países e blocos buscam diversificar a cadeia de suprimentos.
Mercado em expansão acelerada
O setor vive ciclo de crescimento impulsionado pela demanda de IA. Dados da Gartner mostram que a receita mundial de semicondutores atingiu US$ 793 bilhões em 2025, 21 % acima de 2024. Os chips para IA representam quase um terço das vendas globais.
Os gastos globais com infraestrutura de IA devem superar US$ 1,3 trilhão em 2026, e os semicondutores desse segmento desse segmento deverão representar mais de 50 % das vendas do setor até 2029.
Quatro pilares da declaração
A Declaração de Porto Alegre organiza a atuação do bloco em torno de quatro eixos:
- Autonomia e resiliência: fomentar a independência tecnológica regional, reduzindo riscos de desabastecimento e reforçando a segurança nacional.
- Cooperação regional e internacional: mecanismo permanente de diálogo entre governos, universidades e empresas, aberto a parcerias globais.
- Fortalecimento de capacidades: integrar academia e indústria para acelerar pesquisa aplicada, inovação e formação de talentos.
- Gestão permanente: estrutura administrativa contínua coordenada pelo Tecnopuc, com mandato inicial da secretaria executiva.
Adão Villaverde, professor da Escola Politécnica da PUCRS e chair do SemiCon-LAC 2026, contextualizou a criação do bloco na disputa geopolítica pelo setor.”Oevento no Brasil ocorre em um período de reestruturação global para desconcentrar a produção de semicondutores do Pacífico Leste. Este é um setor que demanda capital humano, investimentos, parcerias e um diálogo permanente entre empresários, especialistas, gestores públicos e agências de financiamento com foco em business. Assim, o SemiCon-LAC surge como uma articulação público-privada para transferência de conhecimento e geração de valor, tendo como meta reforçar o Rio Grande do Sul como um hub de semicondutores em nosso país, América Latina e Caribe. E também buscando a nossa soberania científica, técnica, comercial e geopolítica”.
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Encerramento com visitas técnicas
O SemiCon‑LAC 2026 encerra nesta sexta‑feira (19) com visitas a instalações de referência no Rio Grande do Sul. A programação inclui o Centro Nacional de Tecnologia Eletrônica Avançada (CEITEC), o Tecnosinos e empresas dos parques tecnológicos da região, como Impinj, EnSilica, HT Micron e itt CHIP.
O evento é organizado pelo Tecnopuc, coorganizado pela Secretaria de Inovação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul (SICT‑RS), com patrocínio de Badesul Desenvolvimento, BRDE, FINEP, Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação e Vero.
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Fonte: https://itforum.com.br/noticias/semicondutores-america-latina-porto-alegre/
