TOTVS lança Corten e aposta em agentes de IA para ir além do ERP

A Totvs anunciou nesta terça-feira (13), durante o Universo Totvs 2026, em São Paulo, o Corten, plataforma apresentada como um sistema operacional de gestão que busca reunir sistemas empresariais, serviços financeiros, infraestrutura em nuvem e agentes de inteligência artificial (IA). A iniciativa representa uma mudança na estratégia da companhia, que pretende integrar diferentes aplicações corporativas em um único ambiente de trabalho, reduzindo a necessidade de alternar entre sistemas.

A proposta vai além da atualização das interfaces dos tradicionais sistemas de planejamento de recursos empresariais (ERP). A Totvs pretende conectar processos administrativos, relacionamento com clientes, operações financeiras e agentes digitais em uma arquitetura comum, na qual usuários humanos e sistemas automatizados possam executar tarefas de maneira integrada.

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O presidente da Totvs, Dennis Herszkowicz, apresenta o movimento como uma tentativa de superar a divisão entre categorias de software que historicamente operaram de forma separada.

“Se todos estavam imaginando que o ERP iria desaparecer, o que dizemos é que, a partir de agora, o que existe é um sistema operacional de gestão chamado Corten”, diz o executivo.

Na apresentação, Herszkowicz argumenta que a expansão do portfólio da Totvs, originalmente concentrado em sistemas administrativos, passou a exigir maior integração entre aplicações de gestão, relacionamento com clientes, serviços financeiros e nuvem. A chegada da IA amplia essa necessidade, principalmente porque os agentes digitais precisam acessar informações e executar tarefas em diferentes sistemas.

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Como o Corten pretende mudar a utilização dos sistemas

Uma das principais mudanças apresentadas pela companhia está na forma como os profissionais utilizam os sistemas no dia a dia. Atualmente, um funcionário pode precisar abrir diferentes programas para consultar informações financeiras, acompanhar pedidos, verificar tarefas ou acessar dados de clientes. Com o Corten, a proposta é reunir essas atividades em uma única área de trabalho, na qual cada pessoa encontrará os aplicativos, indicadores, notificações e agentes de inteligência artificial (IA) necessários para suas funções.

O vice-presidente de plataformas da Totvs, Gustavo Bastos, explica que a nova interface deverá conectar tanto os produtos da companhia quanto aplicações de parceiros homologados. Isso significa que um profissional poderá acessar informações de diferentes áreas da empresa em um mesmo ambiente, sem precisar abrir e fechar vários sistemas ao longo do dia. A tela também poderá ser personalizada de acordo com as atividades de cada usuário.

“Cada um dos produtos tem seu roadmap, seu ciclo de vida. O que vocês vão ver aqui é a diretriz para onde estamos seguindo, e cada produto vai chegar a essas diretrizes dentro do seu roadmap”, explica Bastos.

Na prática, isso significa que a mudança não acontecerá de uma só vez. Cada sistema da Totvs terá seu próprio calendário de atualização até incorporar os novos recursos. Embora a companhia tenha demonstrado como será essa experiência, ainda não apresentou um prazo único para disponibilizar todas as funcionalidades do Corten aos clientes.

Um exemplo é o trabalho de quem cuida das compras de uma empresa. Hoje, esse profissional pode precisar consultar um sistema para verificar o estoque, outro para analisar o orçamento e um terceiro para negociar com fornecedores. Na proposta do Corten, essas informações poderão ser reunidas em um mesmo ambiente. Agentes de IA também poderão ajudar a pesquisar fornecedores, comparar preços e preparar cotações, enquanto o funcionário acompanha o processo e toma as decisões necessárias.

A integração deverá incluir ainda produtos da RD Station, voltados ao relacionamento com clientes e marketing, e da Techfin, que oferece serviços financeiros. Assim, atividades como acompanhar vendas, consultar informações de clientes e acessar operações financeiras poderão fazer parte de uma mesma área de trabalho, em vez de depender de sistemas separados.

Agentes de IA terão diferentes níveis de autonomia

A inteligência artificial (IA) é um dos componentes centrais da estratégia. Para colocar essa tecnologia dentro dos sistemas empresariais, a Totvs pretende utilizar o LYNN, uma plataforma de IA corporativa anunciada em fevereiro de 2026. Na prática, o LYNN funciona como uma base tecnológica que permite criar, conectar e administrar agentes de IA, programas capazes de executar tarefas em nome dos usuários, como consultar informações, analisar documentos ou acompanhar processos.

A diferença em relação a um chatbot tradicional é que esses agentes não se limitam a responder perguntas. Eles também podem interagir com os sistemas da empresa e realizar determinadas atividades, desde que tenham as permissões necessárias. O Corten pretende reunir esses recursos em um ambiente integrado, permitindo que funcionários trabalhem com os agentes sem precisar acessar diferentes ferramentas.

O LYNN reúne três componentes principais. O primeiro permite desenvolver agentes de IA utilizando diferentes modelos de inteligência artificial, sem depender de uma única tecnologia. O segundo estabelece regras de segurança e controle sobre o que esses agentes podem fazer. Já o terceiro permite conectá-los aos sistemas corporativos, para que possam consultar informações e participar dos processos da empresa.

Segundo a Totvs, a possibilidade de utilizar diferentes modelos de IA permite escolher a tecnologia mais adequada para cada atividade. Uma tarefa simples, como organizar informações, pode exigir menos capacidade de processamento do que uma análise complexa de documentos. Essa escolha pode ajudar a equilibrar custos e desempenho.

Isso não significa, porém, que os agentes poderão tomar qualquer decisão sozinhos. A arquitetura prevê mecanismos de supervisão humana, conhecidos como human in the loop, expressão em inglês utilizada para descrever situações em que uma pessoa precisa acompanhar, validar ou autorizar uma ação realizada pela inteligência artificial.

“Todos os processos podem, inclusive, ser autônomos, mas, dependendo da criticidade e da forma como esse processo será executado, sempre teremos uma autorização de alguém para chancelar o trabalho daquele assistente ou agente”, afirma Bastos.

Na prática, um agente de IA poderia reunir informações de fornecedores, comparar propostas e preparar uma solicitação de compra. Entretanto, dependendo das regras definidas pela empresa, a aprovação final do pagamento ou da contratação continuaria nas mãos de um funcionário. Assim, tarefas repetitivas poderiam ser automatizadas sem necessariamente transferir decisões importantes para a tecnologia.

A definição desses limites dependerá do risco de cada operação e do grau de automação permitido pela organização. Para os responsáveis pela tecnologia nas empresas, o desafio será estabelecer quais atividades podem ser realizadas automaticamente, quem deverá autorizar as demais e como acompanhar o trabalho dos agentes, especialmente quando estiverem envolvidos dados financeiros, informações confidenciais e processos essenciais ao negócio.

Totvs amplia estratégia comercial com novos pacotes

Além do Corten, a Totvs anunciou uma reformulação de suas ofertas comerciais Intera. Trata-se de um modelo em que a companhia reúne diferentes soluções empresariais em pacotes, permitindo que os clientes contratem um conjunto de ferramentas para atender a determinadas necessidades do negócio, em vez de adquirir cada produto separadamente.

Entre as novidades apresentadas estão o Intera Financeiro, voltado às atividades financeiras das empresas; o Intera RH, relacionado à gestão de pessoas; o Intera Marketing Contínuo, direcionado às atividades de marketing; e o Intera 360, apresentado como a oferta que melhor representa a proposta de integração entre diferentes áreas do negócio. A companhia, porém, não detalhou na apresentação todas as funcionalidades incluídas em cada pacote.

A mudança acompanha a estratégia da Totvs de aproximar ferramentas que, tradicionalmente, funcionam de maneira separada. Uma empresa, por exemplo, pode utilizar um sistema para controlar suas finanças, outro para administrar funcionários e um terceiro para acompanhar o relacionamento com clientes. A proposta é facilitar o uso conjunto dessas soluções, permitindo que informações e processos circulem entre diferentes áreas.

Outra parte dessa estratégia envolve o conceito de Task as a Service (TaaS), expressão em inglês que pode ser traduzida como “tarefa como serviço”. Nesse modelo, em vez de utilizar um software apenas como ferramenta para realizar um trabalho, a empresa também poderá contar com agentes de inteligência artificial (IA) para executar determinadas atividades.

Um exemplo seria o processamento de uma solicitação de compra. Em um sistema tradicional, o funcionário precisa acessar diferentes telas, consultar informações e preencher os dados necessários. Com agentes de IA integrados, parte dessas etapas poderá ser executada automaticamente, enquanto o profissional acompanha o andamento e autoriza as decisões que exigem sua participação.

Isso representa uma possível mudança na forma como as empresas utilizam a tecnologia. Até então, o software corporativo era, principalmente, uma ferramenta operada por pessoas. Com o avanço dos agentes de IA, esses sistemas também poderão participar diretamente da execução das tarefas, respeitando os limites e as regras estabelecidos pelas organizações.

A Totvs, entretanto, não detalhou nas apresentações analisadas os preços dos novos pacotes, as condições de contratação nem se a adoção do modelo Task as a Service provocará mudanças na forma de licenciamento dos sistemas existentes. Portanto, ainda não é possível afirmar se os clientes passarão a pagar por tarefa executada ou se os recursos estarão incluídos nas assinaturas atuais.

Para as empresas, a adoção dessa arquitetura dependerá de fatores que vão além da tecnologia. Será necessário avaliar a integração com os sistemas já utilizados, definir quais atividades poderão ser automatizadas, estabelecer quem será responsável pelas decisões dos agentes e verificar se a mudança realmente reduz custos ou melhora a produtividade.

A apresentação do Corten e das novas ofertas Intera indica a direção que a Totvs pretende seguir: integrar seus produtos e ampliar o uso da inteligência artificial na execução de processos empresariais. A chegada desses recursos aos clientes, porém, dependerá dos cronogramas de evolução de cada produto e de condições comerciais que ainda precisam ser detalhadas.

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Fonte: https://itforum.com.br/noticias/totvs-corten-agentes-ia-erp/