10 curiosidades sobre o Marrocos

O Marrocos é uma caixinha de supresas, mas é preciso estar preparado. Quem caminha pelas ruas coloridas de Marrakech costuma se surpreender com os costumes locais: a pechincha é a lei nos bazares, o chá é servido a todo momento e não é raro se perder pelas infinitas ruas das medinas. Também não é incomum que as paisagens invoquem alguma familiaridade, ainda que difusa: Hollywood adora os cenários marroquinos e estima-se que mais de 100 filmes foram rodados por lá.

Primeira seleção que o Brasil enfrentará na fase de grupos da Copa do Mundo, o país africano é peso pesado no futebol. A equipe marroquina terminou o último mundial na quarta colocação e conquistou a Copa Africana de Nações e a Copa Árabe da Fifa em 2025. É uma nação que ama o esporte e tem craques como Achraf Hakimi, lateral-direito do PSG, e Brahim Díaz, meia-atacante do Real Madrid.

A seguir, 10 curiosidades para conhecer um pouco mais do Marrocos:

1. O fígado é o símbolo do amor

Esqueça o coração. Para os marroquinos, é o fígado que simboliza o amor. Em certas regiões, o órgão é associado mais ao afeto entre parentes, enquanto em outras ele simboliza a paixão: na vila de Imilchil, por exemplo, uma mulher fica com o “fígado preso” quando escolhe se casar. Chamar alguém de “meu fígado” também pega bem, ou “Thssa Ino” em tamazight (línguas berberes) e “Lkbida diali” em darija (árabe marroquino).

A origem dessa associação é desconhecida. Popularmente, é dito que o fígado proporciona bem-estar quando a pessoa está saudável. Além disso, há registros do uso do fígado como símbolo de amor desde os mesopotâmicos, em documentos de quase 3 mil anos.

2. Comer com a mão esquerda? Que nojeira!

Para os muçulmanos, comer com a mão esquerda é uma grosseria. E no Marrocos, onde cerca de 99% da população segue o Islã, isso não é diferente. A canhota é considerada impura na cultura islâmica, sendo dedicada à higiene corporal, principalmente após o uso do sanitário. Mesmo que você lave as duas mãos antes da refeição, é melhor evitar essa gafe e usar a mão direita para saborear um bom pão com hommus.

3. Só mais um copinho…

Os marroquinos adoram chá. Manhã, tarde ou noite, eles estão sempre consumindo a bebida em pequenos copos. O modo de servir é charmoso, com um movimento de sobe e desce do bule. Oferecer a bebida aos visitantes ou clientes é sinal de hospitalidade, e por isso é comum ofertarem um chazinho ao entrar em lojas e hospedagens.

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O grande favorito da população é o chá verde com hortelã: versátil, a bebida esquenta no inverno e refresca no verão. O amor é tanto que o país foi o maior importador da erva em 2024: 76 milhões de toneladas, um abismo em relação ao segundo lugar – 26 milhões de toneladas importadas pelo Uzbequistão. Haja chá!

Hora do chá: para os marroquinos, não basta despejar a bebida no copinho, é preciso fazer isso com estilo (katiebordner/Wikimedia Commons)

4. Trato feito: nada se compra no Marrocos sem uma boa pechincha

Os mercados de rua, chamados de souks, são ótimos para praticar a milenar arte da pechincha. Os preços são apenas uma sugestão: o que decide quanto sairá do seu bolso é a capacidade de argumentar com o marroquino do outro lado do balcão. E eles adoram isso.

Os comerciantes começam com valores altos. A dica é baixar aos poucos até chegar, digamos, à metade do valor anunciado – ou um meio termo agradável ao bolso de quem está comprando. Se você virar as costas e sair, grandes são as chances do vencedor correr atrás fazendo uma oferta derradeira.

Um bom momento para ir aos souks é ao anoitecer. A população está fora de casa e os mercadores diminuem os preços. Com as ruas mais agitadas, é sempre bom estar atento aos gritos de “Balak!” (cuidado, em árabe) dito por comerciantes que transportam mercadorias pesadas.

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5. Neve? Sim! E o maior resort de esqui da África também!

Marrakech bate facilmente os 40°C e, no Saara, no sudeste do país, 50°C é algo corriqueiro. Mas nem só de calorão é feito o Marrocos. As temperaturas despencam na Cordilheira do Atlas, com picos a mais de 4 mil metros de altitude. A paisagem ondulada e coberta de neve garante temperaturas abaixo de zero, com um recorde de -23°C batido em Ifrane, em 2012.

Esse cenário montanhoso ajudou a consolidar o resort de esqui de Oukaimeden, a 74 km ao sul de Marrakech, como o maior da África. A mais de 3 mil metros de altura, o local possui 18 pistas e uma área esquiável de 300 hectares.

Montanhas nevadas sob um céu azul vibrante com nuvens brancas. No vale, um vilarejo com casas de pedra e muitas pessoas caminhando na neve, algumas perto de barracas coloridas. O cenário é de inverno, com picos cobertos de neve e um clima frio.
Oukaimeden: uma estação de esqui vizinha do Saara (Anass Elouihi/Pexels)

6. O pão é sagrado

Ao lado do chá, o pão é um dos alimentos mais populares do Marrocos, além de ser sagrado. É culturalmente malvisto jogar o alimento fora, pior ainda brincar com ele. O Islã também considera o desperdício (israf) um pecado. Em casa, os marroquinos guardam o pão para o dia seguinte e, quando está impróprio, é dado de alimento aos animais. O consumo por lá é massivo: cerca de 100 kg de pão por cidadão marroquino a cada ano, contra uma média de 30 kg por brasileiro.

7. O lar da mais antiga universidade do mundo

A Universidade de Al Quaraouiyine é um marco na história global: com 1167 anos, é a mais antiga universidade do mundo em funcionamento, segundo o Guinness World Records. Fundada em 859 d.C., ela foi integrada ao sistema de ensino estatal do Marrocos em 1963 e segue com cursos em diversas áreas do conhecimento, desde direito até medicina e astronomia.

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A fundadora foi Fatima al-Fihri, uma intelectual muçulmana nascida na Tunísia. Ainda jovem, se mudou com seus pais para a cidade marroquina de Fez, centro cultural e comercial da época. Vinda de família abastada, recebeu uma herança após a morte do pai e aplicou esses recursos em fundar a mesquita de al-Qarawiyyin, que nasceu como um centro de estudos religiosos e expandiu suas áreas de ensino no decorrer das décadas.

Homem de túnica branca e turbante, de costas, em pátio de mesquita com fonte central. O chão tem mosaicos verdes e brancos, e ao fundo ergue-se um minarete decorado sob céu azul
Al Quaraouiyine: a mais antiga universidade do mundo com seus ladrilhos verdes, cor símbolo do Islã (Emre Koşak/Pexels)

8. O cuscuz veio daqui

Você atravessa 5 mil km sobre o Atlântico, pousa no Marrocos, senta no primeiro restaurante bacana que vê e ele está lá: o cuscuz. A receita milenar usa sêmola hidratada, com água ou caldo, e é geralmente servida com legumes ou carne de carneiro.

Essa delícia é criação dos povos berberes, nativos do Norte da África. Na língua desse grupo, o nome original “k’seksu” reproduz o som da cuscuzeira durante o cozimento.

O primeiro registro conhecido do prato é de um livro de culinária magrebiana do século XIII. Quando os mouros conquistaram a Península Ibérica, em 711 d.C., levaram junto suas receitas, que ficaram por lá depois da retomada das terras pelos portugueses e espanhóis. Após conquistar o paladar lusitano, o cuscuz foi trazido ao Brasil durante a colonização e aqui ganhou muito adeptos.

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9. Uma Hollywood ao Norte de África

A Roma de Gladiador (2000), os sonhos de A Origem (2010) e as ruínas de A Múmia (1999) tiveram o Marrocos como cenário. O país é adorado por cineastas por suas paisagens diversas, cidades coloridas e o sol raiando a maior parte do ano. Mais de 100 produções foram gravadas em terras marroquinas, desde a cidade de Yunkai de Game of Thrones, até cenas de perseguição com Tom Cruise em Missão Impossível – Nação Secreta (2015) e muitas das cenas de O Céu Que Nos Protege (1990), de Bernardo Bertolucci.

Curiosamente, porém, o clássico Casablanca (1942), que se passa na cidade ao norte do país, não teve cenas gravadas por lá. O filme foi inteiro rodado nos estúdios da Warner Bros, em Burbank, Califórnia.

Minarete da Mesquita Hassan II em Casablanca, Marrocos, visto através de um arco ornamentado. O minarete alto e bege tem detalhes em mosaico verde e branco, com um telhado verde da mesquita ao fundo. O céu é azul claro e o pátio vazio tem piso de pedra com padrões geométricos
Mesquita de Hassan II, em Casablanca: apesar das belezas da cidade litorânea, o filme de mesmo nome não teve um minuto gravado por lá (Aldin Alihodzic/Unsplash)

10. Cidades coloridas

A arquitetura marroquina é uma aquarela, mas há cidades que ficaram conhecidas por se destacarem com apenas um tom. Marrakech é a mais conhecida: com o título de “Cidade Vermelha”, tem muralhas e edifícios históricos avermelhados devido ao barro e a argila usados nessas estruturas.

A “Cidade Azul” de Chefchaouen é outro destaque. Com apenas 45 mil habitantes, as ruas azuladas deste município atraem turistas mundo afora. A origem da cor não é consenso. Uma das hipóteses aponta para a comunidade judaica que se estabeleceu na região no século XV, após fugir da Inquisição Espanhola. Comum entre os judeus sefarditas, o costume de pintar as casas de azul estaria ligado ao símbolo da cor no judaísmo, associada ao céu, à espiritualidade e à proximidade com o divino. Mas há também quem diga que o tom tenha sido adotado simplesmente por manter os mosquitos longe ou reduzir o calor dentro das construções.

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Já a milenar Fez ganhou o título de “Cidade Amarela”. Antiga capital do país, essa metrópole foi um centro de sofisticação, cultura e riqueza por centenas de anos. É também lar da maior medina (bairro cercado por muralhas) do mundo, com cerca de 9 mil ruelas e 150 mil moradores.

Chefchaouen cidade azul marrocos
O azul domina Chefchaouen, cidade marroquina nas montanhas do Rif (Ning Tranquiligold Jin/Flickr)

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Fonte: https://viagemeturismo.abril.com.br/mundo/10-curiosidades-sobre-o-marrocos/