Nascida da mistura cultural entre magiares, turcos, alemães, eslavos e romani, Budapeste, capital da Hungria, é uma cidade que teve seu auge no final do século 19, como co-capital do Império Austro-Húngaro.
Depois da Segunda Guerra Mundial e de décadas sob o regime comunista soviético, a capital, hoje, surge como uma metrópole movimentada, famosa por seus banhos termais e pela união histórica de suas duas partes (Buda e Peste), divididas pelo majestoso rio Danúbio, que corta a cidade ao meio.
É nesse cenário que surgem as curiosas mini estátuas de bronze: pequeninas esculturas espalhadas por cantos muitas vezes improváveis da capital. Caminhantes costumam encontrar essas obras em situações cotidianas – enquanto andam pelas calçadas, visitam algum monumento histórico ou percorrem de bicicleta as margens do rio.
Não é incomum, por exemplo, que o viajante se depare, ao longo do passeio, com uma mini Lisa Simpson imitando Joana d’Arc; ou, ainda, com uma imagem que representa o imperador austro-húngaro Francisco José I – que teve o reinado mais duradouro do império – descansando em uma rede.
A seguir, confira a história por trás das estátuas e onde encontrá-las.
A história por trás das estátuas
O responsável por todas essas criações é o escultor – e guerrilheiro – húngaro-ucraniano Mihály Kolodko, nascido na cidade de Uzhhorod, no oeste da Ucrânia. O conceito das mini estátuas surgiu da frustração do artista com a burocracia excessiva necessária para erguer monumentos públicos.
Foi por volta de 2010 que Kolodko percebeu que a arte em miniatura lhe concedia maior liberdade criativa e agilidade: por serem pequenas, as esculturas são mais fáceis de moldar e instalar na calada da noite, em espaços públicos, sem a necessidade de pedir autorização prévia. O artista, assim, não anuncia onde ou quando colocará uma nova obra – o que atiça a curiosidade do público.
De modo geral, as estátuas homenageiam diferentes elementos da cultura húngara e a influência das mídias de massa norte-americanas no país. Muitas delas envolvem personagens de animações e séries infantis que faziam sucesso na tevê húngara entre as décadas de 1970 e 1980 – e que, talvez, o público brasileiro nunca tenha ouvido falar.
Um dos populares personagens é o bode biscateiro Mekk Elek, principal rosto da série “Mekk Elek az ezermester” – em tradução livre, “Mekk Elek, o faz-tudo”. Outro é o carismático coelho Kockásfülű nyúl, do programa “O Coelhinho de Orelhas Xadrez” (em tradução livre), do final dos anos 1970. Ele pode ser encontrado no topo da Colina do Castelo de Buda, observando a cidade com uma luneta.
Kolodko ainda aborda temas históricos e geopolíticos – muitos considerados sensíveis. Um exemplo é o Mini Tanque (“Sad Tank”, no idioma original), que se posiciona com o canhão voltado para baixo e “aponta” para o fim da Revolução Húngara de 1956.
Lugares para encontrá-las
As mini estátuas convidam o viajante a desbravar a capital húngara com olhar atento. Muitas delas, inclusive, estão colocadas em pontos turísticos tradicionais, tornando os destinos habituais ainda mais atrativos.
É na margem de Buda, próximo à Praça Batthyány, que fica uma das mais célebres esculturas: o Cubo de Rubik (em inglês, “Rubik’s Cube”) celebra a famosa invenção do arquiteto húngaro Ernő Rubik, em uma versão em miniatura do que, no Brasil, chamamos popularmente de “cubo mágico”.
A já citada imagem do longínquo imperador austro-húngaro Francisco José I descansando em uma rede fica localizada ao lado leste da Ponte da Liberdade – responsável por ligar os dois lados da cidade – e relembra o momento do ano em que o local é fechado para veículos, a fim de que as pessoas possam relaxar – inclusive em redes de descanso.
Agora, também é possível encontrar personagens norte-americanos queridos no mundo inteiro. Um exemplo é o Sapo Caco – em inglês, Kermit the Frog –, rosto mais famoso dos Muppets. A peça pode ser encontrada na Praça da Liberdade – um dos destinos mais ricos da capital, ladeada por imponentes construções em estilo Art Nouveau –, junto à base de uma cerca próxima ao principal café do parque.
Na Praça Fővám, no canto sul da Universidade Corvinus, há uma das imagens que mais intrigam viajantes e moradores da região de Peste: a estatueta de bronze apresenta a personagem Lisa Simpson amarrada a uma estaca, recriando uma cena do seriado de comédia Os Simpsons que monta um paralelo com a história de Joana d’Arc.
Fonte: https://viagemeturismo.abril.com.br/mundo/a-historia-por-tras-das-intrigantes-mini-estatuas-espalhadas-por-budapeste/


