Como é a visita ao Palácio do Itamaraty, em Brasília

Niemeyer pensou em tudo quando desenhou o Palácio do Itamaraty. Projetar o Brasil para o mundo, com toda a exuberância de seus mais de 8 milhões de km², exigiu um edifício com três andares amplos, que revelam o país aos poucos aos visitantes. O melhor de tudo é que as belezas ali reunidas não estão reservadas apenas aos estrangeiros, diplomatas e servidores que fazem o Ministério das Relações Exteriores (MRE) funcionar diariamente: nós, meros cidadãos, também podemos visitar o palácio. E foi o que fiz na minha primeira incursão por Brasília.

A inauguração oficial do edifício foi em 1970, uma década após a mudança da capital para o Planalto Central. Assinam a obra, além de Niemeyer, o engenheiro Joaquim Cardozo, responsável pelos cálculos que mantêm o projeto em pé; Milton Ramos, mente por trás da escada helicoidal; e o paisagista Roberto Burle Marx.

Arcos: um mirante sobre o planalto (Samuel Amaral/Arquivo pessoal)

O resultado que essa turma alcançou parece obra de ficção: o palácio aparenta flutuar sobre as águas. O cubo de concreto e vidro parece leve, quase um convite para explorar seu interior.

Em frente à entrada principal, está a obra Meteoro (1968), de Bruno Giorgi, feita em mármore de Carrara. Suas peças, que juntas pesam 50 toneladas, simbolizam os laços diplomáticos entre os cinco continentes do globo.

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Os visitantes seguem pela Entrada Oeste, ao lado do Ministério da Saúde. Antes de entrar, é preciso passar pela segurança, que irá conferir se seu nome está na lista de reservas feitas pelo site oficial. É proibido fazer a visita com mochilas e sacolas grandes; o ideal é ir leve, somente com o necessário, já que o passeio exige bastante caminhada.

Por dentro dos arcos

Os primeiros passos acontecem em um dos maiores salões sem colunas do mundo: 2800 m² de área livre compõem o térreo do palácio. Ao centro, a obra Ponto de Encontro (1969), de Mary Vieira, é a única que se pode tocar no local. Suas folhas de metal presas em uma haste permitem que cada visitante altere a peça, criando composições únicas.

Pessoas observam uma escultura cilíndrica de metal espelhado no centro de um piso escuro, cercada por bancos curvos de mármore branco. Ao fundo, um jardim exuberante com árvores e folhagens verdes é visível através de uma abertura retangular, iluminado pela luz natural. O teto baixo e escuro contrasta com a iluminação do jardim e dos bancos.
Ponto de Encontro: obra de Mary Vieira permite diferentes arranjos (Samuel Amaral/Arquivo pessoal)
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O pano de fundo é o jardim de Burle Marx que avança para o segundo andar. Há plantas da Amazônia, do Cerrado e da Mata Atlântica, adornadas por obras de arte.

No canto, a Escada Helicoidal é a grande musa do espaço, com degraus que já foram pisados pelos figurões da história recente, como Rainha Elizabeth II e Barack Obama. Todos param para tirar fotos ali.

Palácio do Itamaraty, Brasília
Escada Helicoidal: marca do edifício e ponto de partida do passeio (Daniella Duarte/Itamaraty/Divulgação)
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No primeiro andar, a Treliça de Athos Bulcão divide o espaço, deixando a luz passar entre seus feixes de madeira pintados de preto, vermelho e amarelo. À sua frente, está a Mesa dos Tratados, móvel em jacarandá em que a Princesa Isabel assinou a Lei Áurea em 13 de maio de 1888.

O último pavimento é acessado por uma escada azul que parece flutuar sobre o chão. Quando se chega ao topo, os degraus desaparecem.

O piso final é como um museu, com obras por todo o salão. Os olhos se voltam primeiro para o lustre Revoada dos Pássaros (1968), de Pedro Corrêa de Araújo. Embora tenha uma tonelada, a obra de bronze, prata e cristais parece flutuar. Encantam também os tapetes persas, nos quais não se pode pisar.

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Lustre escultural de metal escuro com formas orgânicas e sinuosas, pendurado no teto branco com iluminação embutida. Pequenos discos translúcidos pendem do lustre, criando sombras dramáticas no teto.
Revoada dos Pássaros: lustre garante o “uau” dos visitantes (Samuel Amaral/Arquivo pessoal)

Em destaque, fica Independência ou Morte (1888), de Pedro Américo, em uma versão de 109 cm × 201 cm (menor do que a original no Museu Paulista, com impressionantes 415 cm × 760 cm). Há ainda peças de Alfredo Volpi, Bruno Giorgi, Lasar Segall e Victor Brecheret (veja uma lista completa aqui). 

Duas pinturas em estilo muralista, com figuras humanas em tons terrosos e azuis, expostas em uma parede branca de galeria, com um tapete persa vermelho no chão
Candido Portinari: à esquerda, Cena Gaúcha (1939) e, à direita, Jangadas do Nordeste (1939) (Samuel Amaral/Arquivo pessoal)
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Ao sair para a varanda, Brasília surge imponente. Em frente, contrapondo à leveza do Itamaraty, fica o Palácio da Justiça, robusto e pesado, quase uma caixa preta em pleno Eixo Monumental.

Um jardim interno com plantas verdes e arbustos coloridos, em um ambiente com teto de concreto e vigas horizontais. Ao fundo, arcos de concreto revelam o exterior com prédios e céu azul. O chão é de mármore claro e reflete a luz solar, criando um ambiente sereno e arquitetônico
Varanda: jardim de Burle Marx e Palácio da Justiça ao fundo (Samuel Amaral/Arquivo pessoal)

O jardim ao meio traz frescor para o ambiente e precede o grand finale: a sala de jantar. A mesa onde são recebidos os representantes internacionais tem ao fundo a tapeçaria Vegetação do Planalto Central, de Burle Marx, com formas orgânicas em tons de azul e vermelho.

A visita acaba com todos mirando a cidade, talvez em busca de seu próximo destino após a visita. Um grupo sai e outro já adentra. A vontade é de ficar mais, explorar tudo e conhecer um pouco desse Brasil inventado, quase onírico. É como sair de uma visão do futuro que nunca tivemos.

Vista de Brasília através de arcos de concreto, mostrando o anexo do Congresso Nacional, uma rua com um carro vermelho, vegetação exuberante e um céu azul claro
Esplanada: vista é enquadrada pelos arcos (Samuel Amaral/Arquivo pessoal)

Como funciona o passeio

A visita ao Palácio do Itamaraty é gratuita e permite conhecer de perto a arquitetura modernista do edifício. Para participar, é preciso agendar com antecedência mínima de 24 horas pelo site oficial.

Há dois roteiros disponíveis. O Tradicional, realizado de terça-feira a domingo, percorre diferentes ambientes do palácio, do térreo ao terceiro andar. O passeio inclui o Hall Principal, o Jardim Aquático e a famosa Escada Helicoidal, além de salas como a dos Tratados, a Dom Bosco, a D. Pedro I e a Portinari. O trajeto também passa pelo Salão Nobre e pela Sala Brasília.

Já o roteiro “O Palácio Itamaraty como você nunca viu” acontece somente aos sábados e apresenta espaços menos conhecidos do edifício. Entre as paradas estão o Cerimonial, o Salão Branco, com painéis de Emanoel Araújo e Rubem Valentim, e o Espaço Sebastião Salgado. O percurso ainda inclui salas de reunião, o auditório Embaixador Wladimir Murtinho, que abriga o grande painel de Sérgio Camargo, e uma perspectiva da Escada Helicoidal, que permite observar o subsolo e o térreo.

As visitas são conduzidas por mediadores e acontecem em horários agendados a partir das 8h30. O passeio está disponível em português, espanhol, francês e inglês.

Quem vai de carro durante a semana deve estacionar em outras áreas da Esplanada dos Ministérios, já que o estacionamento do Itamaraty é exclusivo para funcionários. Por transporte de aplicativo, o melhor é indicar como destino o Ministério da Saúde, Bloco G, e pedir para desembarcar na lateral do edifício.

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Fonte: https://viagemeturismo.abril.com.br/brasil/como-e-a-visita-ao-palacio-do-itamaraty-em-brasilia/