Paraná: um fim de semana em Morretes, com pitadas de Antonina

Morretes costuma entrar no roteiro dos viajantes como o ponto final do passeio de trem que parte de Curitiba. O problema é que muita gente desembarca, almoça um barreado e volta para a capital no mesmo dia. Eu sabia que a cidade tinha mais a oferecer, mas foi só passando um fim de semana por lá que entendi o tamanho da diferença entre conhecer Morretes e simplesmente passar por Morretes.

Além do centro histórico cortado pelo Rio Nhundiaquara, há um orgulho evidente da gastronomia local, das atrações centenárias e da natureza preservada. E, como Antonina fica a cerca de 15 km, dá para incluir a cidade no mesmo roteiro e conhecer seu casario colonial e uma tradicional fábrica de balas de banana.

O roteiro abaixo é para quem deseja passar três dias na região, após desembarcar do trem vindo de Curitiba. 

Sexta-feira

Almoço no Stazione

Assim que o trem chegou a Morretes, por volta das 13h, eu estava de olho no almoço. Não exatamente por fome, mas pela expectativa de finalmente provar o barreado. Depois de ouvir de tanta gente que experimentar o prato era quase obrigatório por ali, eu queria começar o fim de semana justamente por ele.

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Quando cheguei, aproveitei para almoçar o famoso barreado no restaurante Stazione (Cecília Carrilho/Arquivo pessoal)
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O barreado é um cozido de carne bovina preparado lentamente e servido com farinha de mandioca, arroz, banana e salada. Para experimentá-lo, fui ao Stazione.

Letreiro vermelho STAZIONE em gramado verde, com um edifício de tijolos e janelas espelhadas ao fundo, cercado por árvores e vegetação exuberante sob céu azul com nuvens
O Stazione combina gastronomia e natureza em Morretes (Cecília Carrilho/Arquivo pessoal)

O restaurante fica na Rua XV de Novembro, próximo ao centro, e se abre para a paisagem da Serra do Mar, com deck e uma área externa cercada pelo verde.

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Interior de um restaurante com mesas redondas de madeira escura e cadeiras estofadas, prontas para refeição. Grandes janelas de vidro revelam um exuberante cenário verde com árvores e um lago ao fundo, sob um céu azul. Uma coluna de tijolos aparentes e um extintor vermelho são visíveis à esquerda
As janelonas mantém o Stazione iluminado (Cecília Carrilho/Arquivo pessoal)

Antes mesmo de começar a comer, a mesa já dá um spoiler do que está por vir, com acompanhamentos da culinária local. Mas o verdadeiro ritual começa quando chega o barreado.

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Mesa redonda de madeira escura posta para seis pessoas com pratos brancos, copos, talheres embalados, azeite, pães, molhos, bananas e salgadinhos, em restaurante com outras mesas ao fundo
A mesa pré-almoço entrega o que está por vir (Cecília Carrilho/Arquivo pessoal)

O garçom ensina a misturar a carne com a farinha no prato, até chegar à consistência certa. Depois vem parte mais curiosa, o teste para saber se o barreado está no ponto: o funcionário vira o prato de cabeça para baixo sobre a cabeça de alguém.

Homem de barba e camiseta vinho segura um prato branco com uma colher, olhando para cima. Ao fundo, outras pessoas e uma janela com vegetação externa
O teste do barreado na cabeça é uma brincadeira tradicional em Morretes (Cecília Carrilho/Arquivo pessoal)
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Além do prato típico, o Stazione serve camarão, bolinho de siri e peixe frito. A área externa, com redes e playground, convida a esticar o almoço antes de seguir para os próximos passeios.

Um gramado verde vibrante se estende sob um céu azul claro com uma pequena nuvem branca. Uma fileira de palmeiras altas e frondosas, com troncos finos, divide o gramado de um rio ou lago à direita. Algumas redes coloridas estão penduradas entre as palmeiras, convidando ao descanso. A vegetação densa e verdejante forma uma paisagem exuberante e tranquila
A área externa com redes é um deleite para os olhos e para o corpo (Cecília Carrilho/Arquivo pessoal)

Fábrica Bala de Banana Bananina

Depois do almoço, segui para Antonina, a 15 minutos de carro do Stazione. A proximidade entre as duas cidades facilita a dobradinha no mesmo fim de semana.

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Fundada no início do século 18, Antonina preserva um conjunto de construções coloniais e se debruça sobre a baía que leva seu nome. Na cidade, encontra-se a Bala de Banana Bananina, espaço que reúne loja, um pequeno museu e parte da própria fábrica.

Fachada de uma casa com parede laranja avermelhada e um banner da Bala de Banana Bananina. O banner mostra um homem colhendo bananas de uma bananeira, com o nome do produto em letras grandes. À direita, uma janela de madeira verde com venezianas abertas revela o interior da loja. Acima da janela, um lampião preto ornamentado. À direita da casa, vegetação e um portão de madeira vertical. No canto inferior direito, parte de um banco de madeira.
A construção colorida que abriga a Bala de Banana Bananina (Cecília Carrilho/Arquivo pessoal)

Ao entrar, a loja ocupa logo o primeiro espaço. Como queria conhecer melhor a história das famosas balas de banana, fui para o fundo, onde ficam o pequeno museu e a área de produção. Entre fotografias da família e informações sobre a história da empresa e de Antonina, cheguei ao janelão que permite acompanhar a fabricação.

Parede laranja com vários quadros pretos emoldurando fotos e recortes de jornais, e um letreiro branco com bananas amarelas e o texto Bananina Bala de Banana
Nas paredes que cercam a fábrica, imagens funcionam como um museu que retrata a história das balas e da cidade de Antonina (Cecília Carrilho/Arquivo pessoal)

A fábrica funciona desde 1979 e conserva etapas artesanais da produção. A visita é gratuita e não tem acompanhamento de guia, mas, dali, é possível ver as balas sendo cortadas, embrulhadas e empacotadas.

Trabalhadores em uma fábrica de alimentos, com um homem sorrindo à direita operando uma máquina e uma mulher ao fundo, ambos usando uniformes brancos e toucas. À esquerda, pilhas de pacotes de alimentos embalados em plástico laranja. A cena é vista através de uma tela quadriculada, com um extintor de incêndio vermelho na parede ao fundo
É possível acompanhar parte do processo de produção das balas através de uma janela telada (Cecília Carrilho/Arquivo pessoal)

De volta à loja, havia amostras de diferentes sabores para provar, da tradicional, apenas com banana, combinações como abacaxi, coco, goiabada, gengibre e canela. Fica a dica: a de gengibre é maravilhosa.

Mão de uma pessoa pegando uma bala de um expositor de madeira com divisórias, contendo balas de banana, abacaxi, coco e gengibre. Ao lado, um aviso para clientes sobre balas de degustação.
A caixinha com balas para degustação mal é reposta e já está vazia novamente (Cecília Carrilho/Arquivo pessoal)

Além das balas, a loja reúne outros produtos artesanais, como geleias, paçocas e cafés, além de souvenires, como ímãs de geladeira.

Homem de camiseta marrom e mulher de blusa listrada observam produtos em uma loja com paredes amarelas e prateleiras cheias de pacotes de alimentos
A loja é simples, mas repleta de sabores (Cecília Carrilho/Arquivo pessoal)

Do lado de fora está uma antiga caldeira a vapor, que funcionou até 2023 e era responsável por aquecer os tachos usados no preparo dos doces.

Caldeira a vapor antiga e enferrujada, com um medidor de pressão, sobre um piso de pedras, ao lado de um painel informativo de madeira, em um ambiente verde com árvores e bananeiras
A antiga caldeira foi desenvolvida utilizando partes de uma maria-fumaça (Cecília Carrilho/Arquivo pessoal)

A loja funciona todos os dias, das 9h às 18h. Já a produção acontece de segunda a sexta-feira, até as 17h. Para conseguir acompanhar a fabricação, a orientação é chegar entre 9h e 12h ou das 14h às 16h.

Happy hour no Hangar Morretes

De volta a Morretes, meu fim de tarde teve como cenário um Airbus A318 ao pôr do sol. O avião é parte do Hangar Morretes, espaço de lazer e gastronomia localizado na Rua Almirante Frederico de Oliveira.

Lateral de um avião Avianca vermelho e branco, com escadas de acesso à fuselagem, em meio a árvores e vegetação densa. A asa esquerda está visível, e ao fundo, um pátio com mesas e cadeiras escuras. O céu azul com nuvens aparece no topo
A aeronave chama atenção pelo contraste com o cenário bucólico de Morretes (Cecília Carrilho/Arquivo pessoal)

Cheguei por volta das 16h30 com um grupo de amigos para o happy hour. A primeira coisa que fiz foi entrar na aeronave, claro. O avião basicamente funciona como um museu de aviação.

Os bancos e parte dos mecanismos foram preservados. Painéis transparentes permitem observar as estruturas internas da aeronave, incluindo componentes originais do motor e dos sistemas hidráulico e elétrico.

Interior de um cockpit de avião com dois assentos amarelos e bege, painel de controle cinza repleto de botões, alavancas e mostradores, e um manche à esquerda. A janela frontal exibe folhagens verdes
Visitantes também podem conhecer de perto a sala de comando (Cecília Carrilho/Arquivo pessoal)

Fora do avião, às margens do Rio Nhundiaquara, aproveitamos o fim de tarde com petiscos e bebidas. Para compartilhar, pedimos camarões à milanesa (R$ 79,90) e batata frita (R$ 29,90). Entre os drinques, a caipirinha de banana (R$ 29,90) foi a minha favorita.

A comida é simples e o cardápio é mais para petiscar do que para ter uma refeição completa. Para quem come pouco, como eu, dá para passar algumas horas por ali e transformar os petiscos em jantar. Agora, se a ideia for fazer uma refeição de fato, o recomendado é ir para um restaurante no centro de Morretes, como o italiano Il Maggiore.

Uma mesa escura com bandejas cheias de petiscos e bebidas. Há porções de batata frita com molho e cebolinha, camarões fritos com alface e limão, e vários copos de suco de banana e limão com canudos pretos. Ao fundo, um sofá de vime com almofadas verdes
As porções e as caipirinhas fizeram a alegria da mesa (Cecília Carrilho/Arquivo pessoal)

O Hangar funciona às quintas e sextas-feiras, das 10h30 às 18h; aos sábados, das 10h30 às 20h; e aos domingos, das 10h30 às 18h.

A entrada custa R$ 25 por pessoa na sexta e dá direito a conhecer o avião. Aos sábados e domingos, o valor sobe para R$ 35. O detalhe é que a taxa também é cobrada de quem vai apenas para ficar na área externa, sem entrar na aeronave.

Ponte de ferro enferrujada sobre um rio de águas escuras, cercado por vegetação densa e céu nublado. À direita, um guarda-sol de bar e uma parede de pedras.
Do Hangar Morretes, é possível avistar a Ponte Velha e, em determinados horários, a maria-fumaça cruzando a estrutura (Cecília Carrilho/Arquivo pessoal)

Sábado

Ekôa Park

No sábado, mergulhei no verde da Mata Atlântica. O Ekôa Park fica na Estrada da Graciosa, a cerca de 20 minutos do centro, e ocupa uma área de 238 hectares de Floresta Atlântica.

Criado para unir preservação ambiental e lazer, o parque está inserido na Grande Reserva Mata Atlântica, um dos principais remanescentes contínuos desse bioma no país. E, digo sem pestanejar, foi minha atração favorita de Morretes.

Ekoa Park Morretes
É melhor ir se acostumando com o verde, ele está em toda parte no Ekôa Park (Cecília Carrilho/Arquivo pessoal)

Cheguei por volta das 9h30. Na entrada, uma funcionária explicou ao nosso grupo como o parque funciona e falou sobre a relação do espaço com a floresta ao redor. A recepção também abriga uma loja com roupas e produtos artesanais. 

Mulher de cabelo loiro preso, camiseta laranja e roxa, calça cinza, fone de ouvido e rádio na cintura, olhando para um mapa ilustrado do Ekoa Park pendurado em uma parede vermelha. Plantas verdes à esquerda
O mapa próximo à recepção ajuda a entender a dimensão gigantesca do Ekôa Park (Cecília Carrilho/Arquivo pessoal)

Dali em diante, o verde toma conta da paisagem, e, quem adquiriu o bilhete padrão, segue sem o acompanhamento de guias. Um aviso vale desde já: passe repelente. Os mosquitos fazem parte da visita e não costumam desperdiçar a chance de provar sangue novo.

A primeira parada foi em uma casinha amarela onde acontece a projeção em 180° que conta a história de Morretes. No fim, uma animação revela uma porta escondida, que conduz ao próximo trecho do passeio.

Uma porta branca aberta revela um túnel de galhos e folhagens iluminado, enquanto as paredes laterais exibem projeções de uma floresta densa e verde, criando um ambiente imersivo com o chão escuro refletindo a luz da entrada
A projeção é finalizada com uma animação que revela o próximo trecho da visita (Cecília Carrilho/Arquivo pessoal)

O caminho segue pelo Corredor dos Sentidos, que começa em um túnel de madeira por onde a luz do sol entra por frestas. O som dos pássaros acompanha a caminhada e, depois da passagem, outros elementos reforçam a atenção nos aromas e sons da natureza, como as pequenas esculturas de orelhas instaladas nas árvores.

Jovem de boné e camiseta escura, com bolsa creme, caminha por túnel de madeira entrelaçada e vegetação exuberante, com outras pessoas ao fundo
O Corredor dos Sentidos é tomado pela trilha sonora da natureza (Cecília Carrilho/Arquivo pessoal)

A partir dali, fui entrando cada vez mais na floresta. No caminho principal, a Alameda das Artes espalha instalações pelo meio da vegetação e transforma a caminhada em uma espécie de galeria a céu aberto, com obras do artista plástico Tony Reis.

Escultura de tronco de árvore em forma de figura sentada, com folhagens verdes no lugar da cabeça, em meio a uma vegetação exuberante com palmeiras e plantas tropicais, sob luz solar
“O Pensador” é uma das obras pertencentes à Alameda das Artes (Cecília Carrilho/Arquivo pessoal)

As obras brincam com a relação entre o ser humano e a natureza. Em O Pensador, por exemplo, a famosa escultura de Rodin ganha uma releitura integrada à paisagem. Já em Gigante por Natureza, uma cabeça parece emergir do chão, coberta por musgo.

Escultura de musgo verde em formato de rosto com olhos azuis e plantas roxas como cabelo, em meio a uma floresta tropical exuberante com árvores e folhagens densas
“Gigante por Natureza” aparece integrada à vegetação do Ekôa Park (Cecília Carrilho/Arquivo pessoal)

A natureza guarda pequenas surpresas fora as artes. Meu grupo encontrou sementes de urucum, fruto usado para produzir um pigmento vermelho. Paramos para ver e, em poucos minutos, já estávamos com as mãos pintadas.

Mãos seguram um urucum verde e espinhoso, aberto ao meio, revelando sementes vermelhas. Uma das mãos tem duas listras vermelhas de tinta e uma pulseira de miçangas escuras, com vegetação verde desfocada ao fundo
O forte pigmento vermelho do urucum (Cecília Carrilho/Arquivo pessoal)

Depois, retornamos nosso rumo em direção ao Tekôa. O espaço funciona como uma escola, com atividades ligadas à bioconstrução, permacultura, sistemas agroflorestais, design ecológico e arquitetura bioclimática.

Exposição com quatro painéis sobre cavaletes de madeira em um ambiente rústico com paredes e chão de madeira. O primeiro painel, à esquerda, tem o título Evolução da Civilização e suas necessidades e um texto explicativo. Os outros três painéis mostram ilustrações de cidades e ícones coloridos, representando as eras Média, Antiga e Moderna. Ao fundo, uma janela e uma porta abertas revelam vegetação e pessoas.
No Tekôa os visitantes aprendem sobre ações sustentáveis (Cecília Carrilho/Arquivo pessoal)

Depois de passar uma manhã inteira andando pela mata, chegava a hora de almoçar. No Oka Gastronomia, o buffet estava daqueles de fazer o estômago roncar só de olhar, com opções como legumes salteados, caçarola de feijão, barreado, bobó de palmito e frango assado com ervas. E, quando achei que tinha terminado, ainda veio o brownie com mousse de maracujá para fechar. O buffet custa R$ 79,90 por adulto e inclui a sobremesa.

Ekoa Park Morretes
O buffet era bastante completo, com opções para todos os paladares (Cecília Carrilho/Arquivo pessoal)

O parque guarda três trilhas. A Trilha da Mata tem 553 metros e apresenta curiosidades da natureza; a Trilha do Peabiru percorre 1.190 metros e conta os segredos do caminho que ligava o Brasil ao Peru; e a Trilha das Aves, de 925 metros, leva até uma torre de observação da biodiversidade.

 

O ingresso principal custa R$ 100 por pessoa e inclui a projeção em 180°, o Corredor dos Sentidos, a Alameda das Artes, as três trilhas, o redário, o Curumim (área para crianças) e o Tekôa. Algumas atividades, como arvorismo, tirolesa, caiaque e bolha humana, são cobradas à parte e custam R$ 45.

Há também pacotes especiais. O Pacote Aventura custa R$ 180 e reúne o ingresso principal com acesso ilimitado ao circuito de arvorismo, tirolesa e caiaque. Já o Pacote Imersão sai por R$ 140 e inclui, além das atrações clássicas, o acompanhamento de especialistas e guias pelas trilhas e a mediação das intervenções artísticas. Reserve aqui.

Trem Caiçara

O Ekôa Park fica a 20 minutos de carro da Estação Ferroviária de Morretes e a 25 minutos da estação de Antonina. Como o parque tem atrações suficientes para ocupar praticamente um dia inteiro, vale encaixar o passeio de trem conforme o tempo disponível. Aos sábados, domingos e feriados, o Trem Caiçara parte de Antonina às 14h e de Morretes às 16h, percorrendo o trecho entre as duas cidades em uma viagem de pouco mais de uma hora.

E esse passeio mereceu uma matéria à parte. Para saber como é viajar em uma maria-fumaça de mais de 140 anos, com direito a buzina, fagulhas, saxofone e até quepe de chefe de trem, leia aqui a matéria completa sobre o Trem Caiçara.

Locomotiva a vapor preta e prateada, número 11 em destaque, estacionada ao lado de vagões com toras de madeira cobertas por lona preta. Ao fundo, uma montanha verdejante e céu azul com nuvens. À direita, pessoas observam a locomotiva sob uma estrutura de estação
A locomotiva é movida a vapor, com uso de madeira e carvão (Cecília Carrilho/Arquivo pessoal)

Uma volta pelo centro histórico

Flanar pelo centro histórico é praticamente obrigatório. Como a área é pequena, dá para conhecer tudo a pé e sem pressa, passando pelas ruas de paralelepípedo, pelos casarões preservados e pelas lojas de artesanato que ocupam boa parte das calçadas.

Rua de paralelepípedos com pessoas caminhando sob céu azul com nuvens. À esquerda, um prédio verde-água com mesas e cadeiras brancas sob guarda-sóis azuis e vermelhos. À direita, um bar com balcão e pessoas sentadas, e um prédio azul com grafite de figuras. Postes com fios elétricos e vegetação complementam a cena.
O centrinho de Morretes chama atenção pelas construções coloridas (Cecília Carrilho/Arquivo pessoal)

Aproveitei o início do pôr do sol para percorrer a região. Coincidência ou não, acabei parando na sorveteria Primorato. Fundada em 1954, ela tem hoje duas unidades, uma na Rua das Flores e outra na Rua XV de Novembro. O forte da casa são os sorvetes artesanais de frutas, mas vale experimentar sabores menos óbvios, como o de gengibre.

Expositor de sorvetes com 18 sabores em bandejas metálicas, incluindo milho verde, flocos, chocolate, creme com nozes, morango, nata, nata com goiabada, doce de leite, maracujá, leite condensado com calda de queijo, menta com chocolate, gengibre, amarantilha, café com chocolate, manjericão com limão e abacaxi
A Primorato tem sabores tradicionais e inusitados (Cecília Carrilho/Arquivo pessoal)

Entre os principais pontos históricos do centro está a Igreja Matriz de Nossa Senhora do Porto, construída em 1812 e marcada pelo sino português de 1854.

Igreja de cor creme com torre amarela e relógio, sob céu nublado. À direita, uma palmeira alta. Em primeiro plano, um muro com balaustrada amarela e uma placa de trânsito amarela indicando TRAVESSIA ELEVADA. Postes de luz e vegetação complementam a cena.
A arquitetura colonial da Igreja Matriz de Nossa Senhora do Porto (Cecília Carrilho/Arquivo pessoal)

O Rio Nhundiaquara corta o centro. Nas margens, vi gente pulando na água, jogando xadrez e tocando violão. Também é possível conhecer o rio em um passeio de gôndola, feito com acompanhamento de gondoleiro e mediante agendamento.

Pátio Morretes

Depois de bater muita perna, chegou a hora de jantar. Fui ao Pátio Morretes, ainda no centro da cidade, e encontrei um espaço movimentado, mas acolhedor.

Entrada de um bar noturno com arco de madeira iluminado por luzes amarelas e folhagens. No centro, um letreiro oval com Pátio Morretes e um pássaro, seguido de COMER CELEBRAR VIVER. Pessoas sentadas em mesas e balcões, algumas sob guarda-sóis, com um palco ao fundo exibindo um músico e uma paisagem
O ambiente ao ar livre do Pátio Morretes é aconchegante (Cecília Carrilho/Arquivo pessoal)

Repaginado em janeiro, o Pátio Morretes deixou para trás os tempos em que o espaço era ocupado por diferentes food trucks e passou a funcionar como uma casa só, com gastronomia e música ao vivo. A decoração também ganhou novos ares, com bambus e cipós ocupando o ambiente.

Cadeira de vime com manta xadrez em um pátio noturno. À direita, parede de bambu com letreiro luminoso Pátio Morretes. À esquerda, parede laranja e folhagens iluminadas.
O Pátio Morretes também esconde cantinhos para desacelerar e tirar uma foto (Cecília Carrilho/Arquivo pessoal)

A música, que é um dos principais destaques da nova fase do restaurante, esteve presente naquela minha noite em Morretes. A trilha sonora ficou por conta de Kadu Lambach, primeiro guitarrista do Legião Urbana, e acompanhou as conversas animadas junto com petiscos.

Pessoas sentadas em mesas de um restaurante ao ar livre sob uma tenda vermelha iluminada, com um músico tocando violão no palco ao fundo, onde se lê comer celebrar viver
Música, petiscos e muito bate-papo no Pátio Morretes (Cecília Carrilho/Arquivo pessoal)

Na parte gastronômica, o cardápio permite tanto beliscar quanto sentar para uma refeição completa. Há porções, chapas de carne e lanches, além do barreado.

Porção de batatas fritas com queijo e cebolinha, e carne acebolada em chapa preta sobre tábua de madeira, com molhos e farofa em potes pretos, em mesa de restaurante
Chapa de carne servida no Pátio Morretes (Cecília Carrilho/Arquivo pessoal)

O Pátio Morretes funciona atualmente de sexta, sábado e domingo, das 11h30 às 23h. O espaço também conta com uma área kids monitorada.

Domingo

Serra Adventure

Para fechar o fim de semana, escolhi o passeio Serra Adventure, que percorre cerca de 30 km em um veículo 4×4 por estradas de terra, rios e paisagens cercadas de verde.

O passeio começa às 14h e custa R$ 275 por pessoa. Como a saída é depois do almoço, vale comer antes de embarcar. Uma opção é o Restaurante Tradição de Morretes, que serve buffet de comida caseira.

A bordo do 4×4, o grupo parte acompanhado por um guia, que compartilha curiosidades sobre a região ao longo do caminho. Além dos trechos de natureza, roteiro inclui visita ao Hisgeopar e uma parada na Casa Poletto para degustação de bebidas produzidas no local.

Hisgeopar

A primeira parada do Serra Adventure foi o Parque Temático Hisgeopar, que reúne, em uma área de 110 m², maquetes automatizadas que contam a história e a geografia do Paraná.

Placa de entrada do Parque Temático HISGEOPAR, com a frase História e geografia do Paraná em miniatura, em uma estrutura rochosa coberta por vegetação verde e exuberante, sob um céu azul com nuvens brancas. Uma palmeira alta se destaca à direita
A entrada do Hisgeopar é tomada pelo verde da natureza (Cecília Carrilho/Arquivo pessoal)

A instalação percorre diferentes ciclos econômicos do estado, passando pela colonização, pela construção da ferrovia entre Curitiba e Paranaguá e por episódios como a Guerra do Contestado. Também aparecem representações das Cataratas do Iguaçu e das antigas Sete Quedas. É uma boa oportunidade de conhecer melhor a região onde passamos o fim de semana.

Maquete de trem a vapor preto e vermelho saindo de um túnel na montanha, passando por uma ponte com vagões de passageiros marrons e amarelos. Abaixo, bonecos de pessoas e animais em um cenário rochoso com vegetação
Os elementos da maquete são feitos de fibra de vidro, borracha, ferro e garrafas pet (Cecília Carrilho/Arquivo pessoal)

As maquetes são um tanto kitsch, mas a visita vai ganhando um pouco mais de graça conforme os bonecos começam a se movimentar, a água corre pelas cachoeiras e o guia vai contando as histórias.

Natureza a bordo de um 4×4

Depois do Hisgeopar, seguimos para a área rural de Morretes a bordo do 4×4. O carro passa por trechos estreitos, atravessa riachos e, em alguns momentos, a água chega a ser jogada para os lados com a passagem do veículo. É nesse trecho que a paisagem também muda, com a Mata Atlântica mais próxima e as montanhas aparecendo entre as árvores.

Vista lateral de um carro em uma estrada de terra, com um campo verde e uma cerca de arame à esquerda. Ao fundo, montanhas cobertas por vegetação e um céu azul com nuvens esparsas. Um poste de energia e árvores completam a paisagem rural
Vista das montanhas durante o trajeto de 4×4 (Cecilia Carrilho/Arquivo pessoal)

Uma das paradas é no Rio Marumbi. Para chegar à outra margem, atravessamos uma ponte pênsil sobre o rio, daquelas em que cada passo faz a estrutura balançar.

Três pessoas atravessam uma ponte pênsil de madeira e cordas sobre um rio de águas claras e rasas, cercado por mata densa sob sol forte
Ao atravessar a ponte pênsil, tome cuidado com os arames da estrutura para evitar se machucar (Cecília Carrilho/Arquivo pessoal)

Quem quiser pode aproveitar para entrar na água. Eu até cogitei, mas uma jararaca apareceu pelo caminho e resolveu minha dúvida rapidinho. Fiquei do lado de fora – e ainda precisei dividir o espaço com algumas formigas.

Rio de águas claras e rasas com pedras visíveis no fundo, refletindo o sol. À esquerda, um grupo de pessoas na margem, e um homem de preto em pé sobre as pedras. A margem é densamente arborizada com vegetação verde exuberante
As águas do Rio Marumbi, cercadas pela vegetação da região (Cecilia Carrilho/Arquivo pessoal)

O roteiro continua até a base do Pico Marumbi, conjunto de montanhas procurado por quem pratica montanhismo e trilhas. 

Alambique Casa Poletto

A última parada do Serra Adventure foi no Alambique Casa Poletto. É ali que é produzida a Cachaça Ouro de Morretes, premiada no Concurso Mundial de Bruxelas.

A visita passa pelos espaços de produção e pelos barris onde as bebidas são armazenadas. Ao longo do percurso, fomos conhecendo um pouco do processo de fabricação e da história da cachaça na região.

Várias barricas de madeira escura, com aros metálicos, empilhadas em prateleiras de madeira rústica, preenchendo um ambiente de armazenamento. Algumas barricas têm etiquetas brancas presas à madeira. No canto inferior esquerdo, há um empilhamento de recipientes metálicos prateados
Barris usados no armazenamento das bebidas da Casa Poletto (Cecília Carrilho/Arquivo pessoal)

Na degustação, provei rótulos como a cachaça clássica e premium, além de licores de banana e canela. O responsável pela visita explicou como observar os aromas, os sabores e até as chamadas lágrimas que escorrem pelas paredes do copo. Entre uma explicação e outra, descobri que os licores de banana e canela eram perigosamente fáceis de gostar.

Homem de camisa vermelha e colete verde escuro segura uma garrafa de cachaça Ouro de Morretes com líquido dourado, em ambiente de adega com barris ao fundo
Um dos rótulos premium produzidos e degustados no Alambique Casa Poletto (Cecília Carrilho/Arquivo pessoal)

Onde se hospedar

Durante minha estadia em Morretes, eu fiquei hospedada na Casa 1915, uma pousada instalada em um prédio tombado no centro histórico.

Fachada de uma pousada com paredes amarelas e detalhes azuis. Um homem de camiseta azul e jeans caminha na calçada. Na janela, estátuas de mulheres, uma delas com pele escura, turbante e lenço rosa. Placas de Casa 1915 Pousada e Hot Café penduradas.
O nome Casa 1915 faz referência ao ano em que o casarão foi construído (Cecilia Carrilho/Arquivo pessoal)

São 15 quartos, sendo 13 suítes voltadas para o jardim e duas suítes master com varanda e vista para o centro histórico. A decoração mistura móveis com “cara de casa” e objetos vintage, o que deixa o ambiente bem acolhedor.

Varanda de pousada rústica com paredes cor de pêssego, portas e janelas com molduras azuis. Há um corrimão de madeira e plantas penduradas. À direita, uma piscina azul e vegetação tropical exuberante.
A estrutura da pousada lembra uma casa na árvore (Cecilia Carrilho/Arquivo pessoal)

A pousada também tem piscina e jardim, além do Meu Pé de Serra Café, onde é servido o café da manhã incluso na diária. Durante o dia, o espaço continua aberto ao público para lanches e bebidas.

Mesa de café da manhã com pães fatiados, pães franceses em cesto, bolo de chocolate, bolo de fubá, bananas e melancia picada em potes
O café da manhã é simples, mas satisfaz bem e tem aquele sabor de comida feita em casa (Cecília Carrilho/Arquivo pessoal)

A localização é um dos pontos fortes da Casa 1915. Dá para sair a pé e chegar ao Rio Nhundiaquara, às praças, à Rua das Flores, aos restaurantes e às lojas do centro.

Como chegar

Morretes fica a 70 km de Curitiba, distância que pode ser percorrida em cerca de 1h20 de carro. Para quem dirige, há duas rotas principais: a mais rápida é pela BR-277, enquanto quem prefere uma viagem mais contemplativa pode descer a Serra do Mar pela Estrada da Graciosa, inaugurada em 1873. O trajeto tem curvas, trechos de paralelepípedo, bromélias e sete mirantes com vistas para a Mata Atlântica e o litoral paranaense.

O trem segue como a forma mais conhecida de chegar à cidade. A viagem parte de Curitiba pela manhã, por volta das 8h30, e dura cerca de quatro horas. Outra alternativa é o ônibus da Viação Graciosa, que liga Curitiba a Morretes em aproximadamente 1h20. As passagens custam em torno de R$ 40 e podem ser compradas com antecedência.

Como se locomover

Se você chegar a Morretes de trem, não precisa estar de carro para conhecer o centro. A área histórica é compacta e dá para fazer boa parte do roteiro a pé, entre restaurantes, lojas, casarões e as margens do Rio Nhundiaquara.

Para chegar a Antonina ou às atrações que ficam fora do centro, porém, o transporte passa a fazer diferença. O táxi costuma ser a alternativa mais prática. É possível chamar um táxi pelo aplicativo da Uber ou combinar trajetos com antecedência por meio do Táxi Morretes.

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Fonte: https://viagemeturismo.abril.com.br/brasil/parana-um-fim-de-semana-em-morretes-com-pitadas-de-antonina/