Como agro brasileiro pode se beneficiar da guerra comercial entre EUA e Canadá

Donald Trump durante discurso na Casa Branca, em Washington. Foto: Reprodução

Uma disputa tarifária entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o Canadá pode abrir mercados para o agronegócio brasileiro, sobretudo nas vendas de carne bovina. A relação comercial agrícola entre estadunidenses e canadenses movimentou US$ 64 bilhões em 2025, o que torna qualquer entrave nas negociações relevante para fornecedores dos dois países.

O comércio bilateral, que inclui produtos agrícolas, florestais e itens ligados ao setor, ficou praticamente equilibrado no ano passado: US$ 32 bilhões para cada lado. Considerados apenas os produtos agrícolas, a corrente somou US$ 51 bilhões, com vantagem dos Estados Unidos, que exportaram US$ 28,7 bilhões ao Canadá.

Nem todos os produtos agropecuários integram a disputa tarifária, mas o impasse ameaça a estrutura produtiva, logística e comercial que Estados Unidos e Canadá construíram nas últimas décadas. Se as restrições persistirem, os dois países podem buscar fornecedores e compradores alternativos.

O Brasil já ganhou espaço no comércio agrícola durante a tensão entre Washington e Pequim e pode repetir esse movimento. Carnes, etanol, alimentos para cães e gatos e produtos derivados de soja estão entre os segmentos com potencial para ampliar a presença brasileira.

Criação de gado em fazenda no Brasil. Foto: reprodução

Carne bovina é o principal segmento com espaço para o Brasil

O comércio de carnes bovina, suína e de frango entre Estados Unidos e Canadá alcançou US$ 4,9 bilhões em 2025. Os estadunidenses importaram US$ 1,6 bilhão em carne bovina canadense, em um cenário de déficit de produto no mercado interno dos EUA.

De janeiro a agosto, os Estados Unidos compraram 269 mil toneladas de carne bovina brasileira, no valor de US$ 1,8 bilhão, segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne. A alta dos preços internos em período eleitoral levou Trump a anunciar uma isenção temporária para o produto brasileiro.

O etanol também tem peso no intercâmbio entre Washington e Ottawa: o setor movimentou US$ 1,75 bilhão em 2025, com exportações estadunidenses de US$ 1,7 bilhão ao Canadá. Já o mercado de alimentos para cães e gatos teve vendas dos EUA de US$ 1,2 bilhão aos canadenses, segmento no qual empresas brasileiras mantêm produção relevante.

As exportações brasileiras de produtos agropecuários e relacionados ao agronegócio somaram US$ 11 bilhões para os Estados Unidos e US$ 1,3 bilhão para o Canadá em 2025, acima dos US$ 6,5 bilhões e US$ 578 milhões registrados em 2020. Nas importações, o Brasil comprou US$ 1,7 bilhão do Canadá e US$ 1,5 bilhão dos EUA no ano passado, com os fertilizantes canadenses entre os principais itens.

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/disputa-eua-canada-favorecer-agronegocio-brasileiro/