3 anos depois, o 8 de janeiro ainda não acabou

Disseminação de notícias falsas sobre o processo eleitoral e urnas eletrônicas; ataques a instituições e autoridades públicas.

Núcleo 5

O único integrante deste núcleo é o influenciador e lobista político Paulo Figueiredo. Ele é neto dos ex-presidentes da ditadura militar no Brasil João Figueiredo, que governou o país entre 1979 e 1985. O réu mora nos EUA e ainda não há previsão de data para o julgamento.

O plano para matar Lula, Moraes e Alckmin

O papel que mudou tudo

Uma folha de papel encontrada na casa do ex-ministro da Justiça Anderson Torres, em 12 de dezembro de 2023, mudou o destino de Jair Bolsonaro e seus apoiadores. Não era um mero documento; tratava-se de uma minuta, espécie de rascunho prévio à versão finalizada de um documento, do decreto planejado para instaurar estado de defesa no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O objetivo era claro: reverter o resultado das eleições de 2022, em que Lula (PT) obteve vitória contra Jair Bolsonaro (PL).

Torres chegou a alegar total desconhecimento da origem do documento e o classificou como “fantasioso”. Durante depoimento à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do 8 de janeiro, em agosto de 2023 classificou a tal minuta um dos “absurdos que constantemente chegam aos detentores de cargos públicos”.

A PF constatou, contudo, relação direta entre a minuta com a operação “Punhal Verde e Amarelo”, que previa o assassinato de autoridades como o ministro do STF Alexandre de Moraes, do presidente Lula e do vice-presidente, Geraldo Alckmin. O texto contendo as estratégias da operação teria sido impresso no Palácio do Planalto, em novembro de 2022, e elaborado pelo general da reserva Mário Fernandes – à época secretário-executivo da Secretária-geral da Presidência da República.

Ao ser interrogado por Alexandre de Moraes, em junho de 2025, o ex-ajudante de ordens e delator no caso, tenente-coronel Mauro Cid, confirmou que Bolsonaro leu, editou e apresentou a minuta à cúpula militar das Forças Armadas. Na delação, Mauro Cid contou que a primeira versão do documento previa a decretação de Estado de Defesa e prisão de várias autoridades. Bolsonaro, todavia, retirou trechos sobre prisão e manteve somente a de Moraes.

Bolsonaro admitiu ter impresso e lido a minuta, mas alegou ter sido motivado apenas pela curiosidade sobre o conteúdo do texto. O ex-chefe do Executivo também reforçou, durante interrogatório no STF, ter participado de reuniões sobre o protocolo GLO (Garantia da Lei e da Ordem), medida que garante às forças armadas o poder de polícia no Brasil. Mesmo diante das provas e depoimentos, Bolsonaro ressaltou jamais ter atuado pelo retorno da ditadura militar no país.

Durante o voto no julgamento que condenou o núcleo 1 da trama golpista, o ministro Alexandre de Moraes destacou que, embora diferentes versões da minuta tenham sido identificadas, todas retratavam a “vontade do líder da organização criminosa”, em referência a Jair Bolsonaro.

Bastidores da dosimetria no Congresso

O que antes era um projeto para anistiar os réus pelo 8 de janeiro precisou ser modificado para ganhar força no Congresso Nacional. O texto inicial foi protocolado pelo deputado Marcelo Crivella (Republicanos-RJ) três meses após a invasão às sedes dos Três Poderes, em Brasília, em 2023.

Em 17 setembro de 2025, um mês depois de bolsonaristas obstruírem a mesa diretora da Câmara em protesto pela libertação dos condenados pelo ato golpista, o plenário da Casa aprovou a urgência na votação do que ficou conhecido como “PL da Anistia”. O momento político era de pressão e desgaste em virtude de outro texto aprovado naquela mesma semana: a PEC (proposta de Emenda à Constituição) da Blindagem, que, na prática, dificultaria a abertura de processos criminais de todo tipo contra congressistas.

A resposta veio nas ruas. Os projetos enfrentaram resistência popular e provocaram manifestações em todo o Brasil. As principais ocorreram em 21 de setembro. Percebendo a mobilização, inclusive no ambiente digital, o Senado rechaçou a PEC. Já a anistia foi deixada de lado pela Câmara, que começou a analisar outra saída aos condenados: a redução significativa das penas.

O “PL da Dosimetria” não teve amplo apoio de bolsonaristas quando começou a ser formulado. Bolsonaro seria um dos beneficiados com a nova proposta – ele teria a pena de 27 anos e 3 meses de prisão reduzida a 2 anos e 4 meses. Porém, as articulações avançaram e o relator, deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP), obteve consenso entre as lideranças do centro, direita e extrema direita.

O relator justificou aos aliados que, diferentemente de um projeto de anistia, a diminuição das penas enfrentaria menos resistência do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e não seria declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Ainda assim, houve reação à proposta.

“O Congresso não votou a anistia porque o Paulinho não escondeu de ninguém que estava fazendo um relatório no limite que o STF aceitaria. Ou seja, a Câmara está sendo pautada pelo STF porque não tem independência, não tem coragem”, declarou o deputado Domingos Sávio (PL-MG). O vice-líder do governo, deputado Alencar Santana (PT-SP), disse que houve oposição “ferrenha” contra o projeto, mesmo com as mudanças no texto. “Totalmente inconstitucional, incabível, indevido e que favorece e estimula a impunidade no país.”

O PL da Dosimetria foi aprovado de madrugada pela Câmara dos Deputados. A data era 10 de dezembro, e o placar, 291 votos a favor, 148 contra. Logo após a aprovação, parlamentares de esquerda articulavam-se para protelar a apreciação no Senado. Um dos argumentos utilizados pela base governista em conversas com o presidente do Congresso, senador Davi Alcolumbre (União-AP), era que o projeto também mudaria os critérios de cumprimento de pena para outros crimes de ação violenta – além do 8 de janeiro.

Em 17 de dezembro, mesmo com embates, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou o “PL da Dosimetria” com as alterações feitas pelo relator na Casa, o senador Esperidião Amin (PP-SC). Diante das críticas de juristas sobre as brechas no texto, o relator limitou a progressão de pena aos crimes contra o Estado Democrático de Direito.

No mesmo dia da decisão na CCJ, o plenário do Senado iniciou e estendeu madrugada adentro a votação da proposta – aprovada com 48 votos a favor, 25 contrários e uma abstenção. Para chegar a esse resultado, houve uma espécie de “acordão” entre oposição e senadores governistas. A anuência dos parlamentares foi admitida pelo líder do Governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), e pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE), em entrevistas à imprensa. O presidente Lula, no entanto, negou qualquer participação e prometeu vetar o projeto. “Se houve acordo com o governo, eu não fui informado”.

 

!function(f,b,e,v,n,t,s)
{if(f.fbq)return;n=f.fbq=function(){n.callMethod?
n.callMethod.apply(n,arguments):n.queue.push(arguments)};
if(!f._fbq)f._fbq=n;n.push=n;n.loaded=!0;n.version=’2.0′;
n.queue=[];t=b.createElement(e);t.async=!0;
t.src=v;s=b.getElementsByTagName(e)[0];
s.parentNode.insertBefore(t,s)}(window, document,’script’,
‘https://connect.facebook.net/en_US/fbevents.js’);
fbq(‘init’, ‘301448060382165’);
fbq(‘track’, ‘PageView’);

Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/golpe-anistia-e-dosimetria-3-anos-depois-o-8-de-janeiro-ainda-nao-acabou/