Israel manteve genocídio em Gaza após cessar-fogo

Palestinos se reúnem em uma Cozinha Solidária para comentar na cidade de Gaza. Foto: Dawoud Abu Alkas/Reuters

Israel continuou a cometer genocídio contra os palestinos da Faixa de Gaza após o cessar-fogo de outubro de 2025, concluiu a Comissão Internacional Independente de Inquérito da ONU sobre o Território Palestino Ocupado, incluindo Jerusalém Oriental, e Israel.

O relatório, divulgado nesta segunda (26), afirma que autoridades e forças israelenses mantiveram atos genocidas com a intenção de destruir, total ou parcialmente, a população palestina de Gaza. Israel rejeitou as conclusões.

Datado de 14 de outubro, o documento A/81/430 é o quinto relatório da comissão à Assembleia Geral da ONU. Ele examina mortes e danos físicos e psicológicos causados por forças de segurança israelenses e palestinas desde outubro de 2023, com dados que chegam a setembro de 2026. A apuração reúne casos investigados, depoimentos, registros audiovisuais, imagens de satélite e informações de organismos internacionais.

Entre 10 de outubro de 2025 e 30 de setembro de 2026, o relatório registra ao menos 1.431 palestinos mortos em Gaza, incluindo pelo menos 300 crianças e 130 mulheres, além de 5.026 feridos. Os investigadores apontam a continuidade de ataques aéreos e do uso de artilharia, drones e disparos de armas de fogo durante a trégua.

A comissão também relata o emprego de munições pesadas e não guiadas em áreas densamente povoadas. Entre os episódios examinados estão bombardeios de 28 e 29 de outubro de 2025, que, segundo o Ministério da Saúde palestino citado no documento, mataram 104 pessoas, incluindo 46 crianças. As forças israelenses listaram oito dos mortos como integrantes do Hamas e da Jihad Islâmica Palestina e afirmaram que os locais atingidos eram alvos terroristas.

O documento relaciona parte das mortes à expansão do controle territorial israelense. Até 2 de setembro de 2026, a área sob controle de Israel havia passado dos 53% previstos no acordo de cessar-fogo para pelo menos 60% de Gaza. A chamada Linha Amarela, apresentada inicialmente como uma demarcação temporária, passou a funcionar como uma fronteira de fato, segundo a comissão, que identificou ao menos nove novas bases militares desde outubro de 2025.

Os investigadores também reiteram que crianças palestinas foram deliberadamente atingidas e que a violência sexual integra um padrão de destruição e submissão da população. Em junho, a comissão já havia apontado ataques intencionais contra crianças. Em março de 2025, outro relatório classificou a destruição de serviços de saúde reprodutiva em Gaza como atos genocidas.

Gaza
Região da Faixa de Gaza, na Palestina ocupada. Foto: Ammar Awad/Reuters

Na Cisjordânia ocupada, o relatório conclui que autoridades e forças israelenses cometeram crimes contra a humanidade, incluindo extermínio, tortura, estupro e perseguição. O documento contabiliza seis palestinos mortos em ataques aéreos entre 2008 e 6 de outubro de 2023 e 254 entre 7 de outubro de 2023 e 30 de setembro de 2026. A comissão considera as operações militares e a violência de colonos parte de um ataque amplo e sistemático contra civis.

As operações iniciadas em janeiro de 2025 provocaram o maior deslocamento de palestinos na Cisjordânia desde 1967, segundo o documento. Em agosto de 2026, 34.176 pessoas continuavam deslocadas. Os investigadores relatam destruição de moradias e infraestrutura, além de mortes e ferimentos de moradores que tentaram retornar a campos de refugiados fechados pelas forças israelenses.

O relatório também responsabiliza a Autoridade Palestina por violações dos direitos à vida e à segurança e pela repressão a opositores, jornalistas e defensores de direitos humanos. A comissão aponta falhas em investigações sobre mortes e afirma que mulheres jornalistas e manifestantes continuam sendo silenciadas por ameaças e violência.

Nas recomendações, a comissão pede que Israel interrompa imediatamente o genocídio em Gaza e que os demais países empreguem os meios disponíveis para prevenir e punir o crime. À Procuradoria do Tribunal Penal Internacional, recomenda examinar os crimes identificados para eventual inclusão em mandados de prisão existentes e em futuros pedidos.

Em resposta ao relatório, a missão israelense em Genebra o classificou como parte de uma campanha de desinformação para demonizar o país, segundo a Reuters. O embaixador Daniel Meron acusou a comissão de tentar enfraquecer a legitimidade de Israel e negar seu direito de existir e de se defender.

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/israel-manteve-genocidio-em-gaza-apos-cessar-fogo-diz-comissao-da-onu/