O Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), criado em 1950 em São José dos Campos (SP), forneceu a base de formação de engenheiros que ajudou a transformar a Embraer em uma das principais fabricantes de aeronaves do mundo. A instituição também integra a origem da participação brasileira no desenvolvimento do caça Gripen F, produzido em parceria com a sueca Saab.
Mais de 350 engenheiros, técnicos e pilotos brasileiros participaram do programa de transferência de tecnologia do Gripen. O modelo realizou seu primeiro voo em 28 de agosto, no aeródromo da Saab em Linköping, na Suécia, e parte dos profissionais envolvidos passou pela formação técnica ligada ao setor aeronáutico brasileiro.
A Embraer acumula uma carteira de pedidos de cerca de US$ 34,5 bilhões e aparece entre as empresas que podem ganhar espaço no próximo ciclo da indústria aeronáutica. A fabricante brasileira disputa mercado com Boeing e Airbus, que enfrentam atrasos e longas filas de encomendas.
O presidente do Instituto de Pesquisas Tecnológicas, Anderson Correia, ex-reitor do ITA, afirmou que o país reuniu capacidade incomum na América Latina para absorver conhecimento de alta complexidade. “Não é qualquer país que teria 200 engenheiros formados capazes de serem exportados para aprender por dois anos na Suécia como fazer um caça de última geração”, disse.

Do plano de Casimiro Montenegro à criação da Embraer
O marechal Casimiro Montenegro Filho idealizou o ITA após conhecer instituições de ensino dos Estados Unidos durante os anos 1940. Ele convidou o professor Richard Smith para comandar a nova escola, instalada com o projeto de formar especialistas e estruturar uma indústria nacional de aviação.
Em palestra no Ministério da Educação, em 1945, Smith defendeu que o Brasil não dependesse da importação de aviões e propôs também a criação do Centro Técnico Aeroespacial, então chamado CTA. O plano previa que o país dominasse etapas de pesquisa, desenvolvimento e fabricação de aeronaves.
A formação oferecida pelo ITA contribuiu para o desenvolvimento do Bandeirante na década de 1960. O projeto, conduzido no CTA por Ozires Silva, egresso da instituição e futuro fundador da Embraer, mobilizou cerca de 300 pessoas e criou as condições técnicas para o surgimento da empresa.
O ITA já formou cerca de 9 mil engenheiros em 75 anos de existência. Um novo campus está em construção na Base Aérea de Fortaleza, no Ceará, estado natal de Montenegro, com investimento previsto de R$ 400 milhões e cursos iniciais nas áreas de energia, sistemas e biotecnologia.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/ita-base-tecnica-embraer-industria-aeronautica-brasileira/


