Um documento do Banco Central foi decisivo para que o executivo Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, revertesse na Justiça sua prisão preventiva após ser alvo da Operação Compliance Zero, que investiga fraudes financeiras estimadas em R$ 12 bilhões. Para convencer a desembargadora Solange Salgado, do TRF-1, a tirá-lo da cadeia, a defesa anexou aos autos um relatório do BC que detalha a reunião de Vorcaro, no dia 17, com o diretor de fiscalização, Aílton de Aquino Santos, e com o chefe do departamento de supervisão bancária, Belline Santana – encontro realizado horas antes da ação da Polícia Federal. Com informações de Malu Gaspar, do Globo.
Segundo o documento, Vorcaro comunicou verbalmente que viajaria para Dubai, nos Emirados Árabes, para tratar com investidores estrangeiros. O ofício, assinado por Paulo Sérgio Neves de Souza, chefe-adjunto do departamento de supervisão bancária, foi usado pela defesa para afastar a suspeita de fuga. O BC, porém, ressalta que não recebeu “correspondência, e-mail ou mensagem escrita” sobre a viagem.
A reunião ocorreu por videoconferência entre 13h30 e 14h10. Vorcaro foi preso no mesmo dia, por volta das 22h, no aeroporto internacional de Guarulhos, quando tentava embarcar em um jato particular com destino a Malta. O ofício foi citado pela desembargadora ao substituir a prisão dele e de outros quatro executivos por medidas cautelares, como tornozeleira eletrônica, retenção do passaporte e proibição de contato com investigados.
“Os impetrantes anexaram prova demonstrando que o paciente comunicou previamente ao Banco Central sua viagem internacional com destino a Dubai, tendo informado formalmente o motivo da viagem — venda de instituição financeira”, escreveu a magistrada. Para ela, o risco de evasão é “controlável” com a retenção do passaporte.
A investigação menciona relatos de técnicos do BC à PF e ao Ministério Público sobre “pressão política” inédita em defesa do Master — primeiro na tentativa de aprovar a venda ao BRB, vetada em setembro, e depois para adiar a intervenção e permitir nova oferta, mesmo considerada inviável.


O BC só detalhou a reunião porque foi provocado pela defesa de Vorcaro. No ofício, o órgão relata que o executivo disse ter negociado com a Mastercard Brasil para liberar recursos bloqueados e que buscava soluções de mercado dividindo o conglomerado em três partes. Ele afirmou pretender divulgar, ainda no dia 17 de novembro de 2025, a venda do Banco Master S.A. para um grupo nacional e que viajaria a Dubai para assinar contrato com investidores estrangeiros.
Afirmou ainda que pretendia protocolar o contrato de intenção de compra e venda junto ao BCB e que esperava assinar a alienação da Will Financeira no dia 18 de novembro de 2025, além de anunciar a venda do Banco Master de Investimentos até o fim daquela semana.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/o-documento-do-bc-usado-por-vorcaro-para-derrubar-sua-prisao/


