Todos os jornalões deram no domingo a notícia a seguir, com a maior naturalidade. A perícia do Instituto de Criminalística de São Paulo recusou, em junho, o recebimento de ao menos 15 aparelhos apreendidos pela Polícia Civil em endereços ligados a Karina da Gama, dona da produtora do filme Dark Horse.
A perícia devolveu os aparelhos (notebooks, celulares e pen drives) ao registrar o seguinte problema: os equipamentos estavam lacrados, mas havia uma fresta nos invólucros de pelo menos 15 deles.
Deixaram um buraco (um vão no plástico), quando fecharam os sacos, por onde poderia ser introduzido um cabo USB, o que permitiria ligar o aparelho e extrair ou alterar dados sem romper o selo.
A perícia informou que essas frestas, com o uso de um cabo, permitiriam não só a extração, mas a manipulação dos dados no interior dos aparelhos. Deixaram buracos naqueles sacos usados para acondicionar equipamentos apreendidos.

Uma falha? Mas em 15 invólucros? Os jornais deram a notícia, com grande candura, como se fosse normal uma apreensão ter 15 aparelhos acondicionados em sacos com furos. Nenhum jornal esclareceu que a polícia, quando faz a apreensão, cuida dos lacres e deve tornar o invólucro inviolável.
Por que a polícia civil de Tarcísio de Freitas deixou as frestas? O que pode ter acontecido, se alguém introduziu um cabo nos equipamentos no trajeto entre os locais das apreensões e a entrega para a perícia?
É razoável supor que os equipamentos tenham sido violados por gente interessada em ocultar provas ou pelo menos embaralhar as investigações? Com outro detalhe: isso aconteceu em junho e só ficamos sabendo agora.
O material apreendido será transferido para a Polícia Federal, por ordem do ministro Flávio Dino. Ficaremos sabendo quem deixou os buracos nos sacos?
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/o-estranho-lacre-com-frestas-da-policia-de-tarcisio-de-freitas/

