A tentativa de acordo de colaboração premiada envolvendo integrantes da família Vorcaro passou a ser vista como uma meta distante nos bastidores da investigação sobre o Banco Master. Após a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República (PGR) rejeitarem formalmente as propostas de delação de Daniel Vorcaro, ex-controlador do banco, as atenções se voltaram para seu pai, Henrique Moura Vorcaro.
O clima entre investigadores, porém, é de ceticismo, de acordo com informações do Estadão. Fontes da PF avaliam que as tratativas com Henrique tendem a caminhar para o mesmo desfecho negativo. O principal motivo é o vínculo familiar. Para policiais, é pouco provável que o pai de Daniel aceite entregar elementos mais robustos do que os apresentados pelo próprio filho, especialmente se isso puder agravar a situação jurídica do ex-controlador do Master.
A avaliação interna é que a defesa da família enfrenta um impasse. Sem informações novas, documentos inéditos ou detalhes capazes de avançar nas apurações, a colaboração perde valor para os investigadores. Foi essa a leitura que levou PF e PGR a recusarem as propostas anteriores feitas por Daniel.
Nos bastidores, policiais federais passaram a ironizar a possibilidade de que a melhor chance de avanço venha de Fabiano Campos Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro. A provocação se apoia em um jargão popular repetido por investigadores: “cunhado não é parente”. A tese é que a barreira emocional seria menor para que Zettel expusesse detalhes do suposto esquema.

Apesar disso, as conversas com Zettel também não avançaram de forma concreta até agora. As negociações seguem lentas e ainda não há sinal de que uma colaboração efetiva esteja próxima de ser fechada.
As investigações da Polícia Federal sobre as fraudes financeiras bilionárias do extinto Banco Master descrevem uma estrutura dividida entre comando, ocultação patrimonial e operação financeira. Cada investigado teria exercido um papel específico dentro do grupo.
Daniel Vorcaro é apontado pela PF como líder da organização criminosa e mentor do esquema de fraudes financeiras. Sua prisão também foi fundamentada em suspeitas de obstrução de Justiça, monitoramento e ameaças a opositores. Ele foi preso em 4 de março de 2026.
Inicialmente, Daniel foi enviado para a Penitenciária Federal. Depois, acabou transferido para a Superintendência da Polícia Federal em Brasília por ordem do ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal.
Henrique Moura Vorcaro, pai de Daniel, é apontado como articulador do esquema. Ele é investigado por atuação e influência nos bastidores das fraudes atribuídas ao Banco Master, além de desdobramentos envolvendo intimidação de pessoas e invasão de sistemas da instituição. Henrique foi preso em 14 de maio de 2026, após ser capturado em Nova Lima, e está detido em Belo Horizonte.
Fabiano Campos Zettel, por sua vez, é descrito pela PF como o principal operador financeiro do grupo. Ele é acusado de usar contratos fictícios de consultoria e estruturas societárias intermediárias para lavar dinheiro. Zettel foi preso em 14 de janeiro de 2026 e está na Penitenciária II de Potim, no interior de São Paulo.
Com a rejeição das propostas de Daniel e a baixa expectativa em relação a Henrique, a colaboração dos Vorcaros segue incerta. Para os investigadores, qualquer acordo só terá chance de prosperar se trouxer fatos novos e provas capazes de ampliar o alcance das apurações sobre o Banco Master.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/pf-mira-zettel-apos-delacoes-de-vorcaro-travarem-cunhado-nao-e-parente/

