PF aponta repasses de Mario Frias à produtora de “Dark Horse”

Karina Gama e Mário Frias. Foto: Reprodução

A Polícia Federal investiga se R$ 2 milhões em emendas do deputado federal Mario Frias (PL-SP) abasteceram um esquema de desvios que alcançou a Go Up, produtora do filme “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O documento policial cita suspeitas de peculato, fraude e lavagem de dinheiro em repasses destinados aos projetos “Lutando pela Vida” e “Jovem Empreendedor”.

Os recursos passaram pelo Instituto Conhecer Brasil, que recebeu as emendas e fez pagamentos a empresas ligadas a ex-secretários parlamentares e advogados de Frias, segundo a PF. A investigação também relaciona os fatos a despesas de cota parlamentar, doações eleitorais e transferências entre empresas citadas no inquérito.

Frias enviou R$ 645 mil à Go Up, valor que a PF considera incompatível com o salário mensal de R$ 44 mil pago ao deputado. A produtora também recebeu R$ 2,614 milhões da GO 7 entre novembro e dezembro de 2025; as duas empresas são ligadas à empresária Karina Gama, investigada no caso.

Karina nega irregularidades e afirmou que “investigação não é acusação, muito menos condenação”. Frias, que busca a reeleição, negou ilegalidades no exercício do mandato e classificou a operação de busca e apreensão realizada em 10 de setembro como uma “cortina de fumaça” durante as eleições de 2026.

Jim Caviezel interpreta Jair Bolsonaro em “Dark Horse” . Foto: Reprodução

Advogados, ex-secretários e gastos parlamentares aparecem no inquérito

Fábio Lago Meirelles, advogado de Frias, é dono da LF&P Consulting, empresa que recebeu R$ 80 mil do Instituto Conhecer Brasil por contratos ligados ao “Jovem Empreendedor”. A PF também identificou R$ 69 mil transferidos pela Complexsys a Meirelles entre outubro de 2024 e abril de 2026.

Outro advogado do parlamentar, Diego Aguilera Martinez, teve seu escritório remunerado em R$ 151.427,13 pelo instituto em um pagamento. Martinez disse que os serviços foram prestados de forma lícita e declarou: “Não se pode confundir a pessoa do investigado com os seus advogados, porque isso é criminalizar a advocacia”.

Raphael Augusto Azevedo, ex-secretário parlamentar de Frias, foi alvo de busca e apreensão. Seu irmão, Kayo Henrique Azevedo, apareceu como responsável técnico do “Jovem Empreendedor”, enquanto Gardenia Morais, ex-companheira de Kayo e ex-secretária do deputado, confirmou em maio o repasse de parte do salário a Raphael.

A PF também cita a Agência Loop, aberta por Paula de Oliveira Lima dois dias após ela deixar o gabinete de Frias, em abril de 2024. A empresa apresentou ao Instituto Conhecer Brasil uma proposta de R$ 311 mil para o “Jovem Empreendedor”; Kayo Azevedo disse não ter ciência do projeto citado no inquérito e afirmou não ter acesso aos documentos do processo.

Nos gastos de cota parlamentar, a Complexsys recebeu ao menos R$ 154 mil de Frias entre setembro de 2024 e abril de 2026. A empresa movimentou mais de R$ 18 milhões entre outubro de 2024 e outubro de 2025, incluindo R$ 5 milhões recebidos do instituto, conforme os dados analisados pela polícia.

A assessoria da Complexsys refutou “todas as imputações sobre a empresa” e disse que responderá às acusações no processo. A companhia afirmou ainda que o contrato com o gabinete de Frias atende às exigências legais e que prestará esclarecimentos às autoridades.

A Go Up recebeu também R$ 750 mil da NTT, cujo sócio-administrador é Heric Dias. Empresas vinculadas a Dias receberam R$ 700 mil de emendas destinadas ao Instituto Conhecer Brasil para o “Jovem Empreendedor”, enquanto a GO 7 recebeu R$ 1 milhão do instituto entre dezembro de 2025 e fevereiro de 2026.

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/pf-suspeita-que-r-2-milhoes-em-emendas-de-frias-abasteceram-produtora-de-dark-horse/