Robert Kraft, bilionário dono do New England Patriots e do Gillette Stadium, tornou-se uma das figuras centrais da crise que atingiu a turnê americana de Ed Sheeran após a exclusão do rapper Macklemore. O empresário, apoiador histórico de Israel e amigo do presidente Donald Trump, também teve seu nome citado em documentos relacionados ao criminoso sexual Jeffrey Epstein.
A controvérsia começou depois que Macklemore fez declarações em defesa da Palestina durante uma apresentação da “Loop Tour”. Segundo o rapper, Sheeran lhe contou que Kraft havia telefonado para informar que ele não poderia se apresentar no Gillette Stadium, em Massachusetts. Macklemore afirmou ainda que Kraft mobilizou proprietários de outros estádios para pressionar pela sua retirada da turnê. Reportagens publicadas nos Estados Unidos confirmam que donos de arenas pressionaram pela exclusão do artista.
Após Macklemore ser retirado da programação, outros artistas que participariam dos shows, entre eles Finneas, Lukas Graham, Aaron Rowe e Beoga, abandonaram a turnê. Macklemore anunciou que doaria US$ 1 milhão, correspondente aos seus ganhos líquidos previstos com a excursão, para seis organizações de apoio aos palestinos.
Kraft, de 85 anos, tem fortuna estimada em bilhões de dólares e mantém há décadas vínculos públicos com Israel. Em 2019, recebeu em Jerusalém o Genesis Prize, conhecido informalmente como “Nobel Judaico”. Na ocasião, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que Israel não tinha “amigo mais leal” que o empresário.
O nome do dono dos Patriots também aparece nos documentos tornados públicos relacionados a Jeffrey Epstein. A presença de uma pessoa nesses arquivos, por si só, não representa acusação de crime nem comprova relação com os delitos praticados pelo financista.

Em uma troca de e-mails de 2019, o advogado Jack Goldberger comentou com Epstein a notícia de que Kraft havia sido detido na Flórida. Epstein respondeu que estava tentando fazer com que o empresário contratasse Goldberger. O advogado havia participado anos antes da defesa de Epstein e ajudado nas negociações do acordo judicial firmado pelo financista em 2008.
Kraft posteriormente contratou Goldberger para integrar sua equipe jurídica no caso da Flórida. Naquele episódio, o empresário foi acusado de duas contravenções por solicitação de prostituição depois que policiais instalaram câmeras escondidas em salas de massagem do Orchids of Asia Day Spa. Kraft declarou-se inocente
Em 2020, as acusações foram retiradas depois que decisões judiciais impediram o uso das gravações secretas como prova. Os tribunais concluíram que a instalação das câmeras violou direitos de Kraft e de outras pessoas filmadas. Portanto, o empresário não foi condenado no caso.
Outro documento ligado a Epstein registra o financista dizendo a Goldberger que o advogado precisava saber sobre uma “questão passada com Kraft que pode vir à tona”. A mensagem não explica a que Epstein se referia. Também não há, nos documentos citados, registros de conversas diretas entre Kraft e Epstein.
O empresário já havia aparecido ainda nos Paradise Papers, vazamento internacional divulgado em 2017 sobre estruturas financeiras offshore. Os documentos indicaram que Kraft possuía, há décadas, uma companhia registrada nas Bermudas. Um porta-voz afirmou na época que a estrutura havia sido criada para realizar negócios com determinados clientes e não tinha motivação tributária.
A relação de Kraft com Israel também inclui doações e projetos desenvolvidos ao longo dos anos. A posição do bilionário ganhou nova atenção após sua intervenção na turnê de Sheeran. Kraft afirmou que a exclusão de Macklemore não ocorreu por sua defesa dos palestinos, mas porque considerou determinadas manifestações anteriores do rapper antissemitas e classificou sua conduta como discurso de ódio. Macklemore rejeita essa interpretação.
Em meio à repercussão, Kraft anunciou que destinaria US$ 2 milhões para enfrentar a crise humanitária na região. Segundo ele, Ed Sheeran havia telefonado anteriormente e pedido que igualasse uma contribuição de US$ 2 milhões do próprio cantor. Kraft não informou quais entidades receberiam seu dinheiro.
Sheeran, por sua vez, afirmou que a decisão de retirar Macklemore foi tomada pela promotora responsável pela turnê e não pessoalmente por ele. O cantor disse respeitar as convicções do rapper e declarou que não pretende transformar seus shows em plataforma política.
A crise, porém, continuou. Com a saída dos demais artistas de abertura e manifestações de solidariedade a Macklemore, a “Loop Tour” passou a enfrentar protestos e forte repercussão pública. Apesar disso, a turnê não havia sido cancelada até este sábado (19): Sheeran tinha apresentação programada na Filadélfia.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/robert-kraft-arquivos-epstein-ed-sheeran-palestina/


