O veto do governo Lula ao funcionamento das bets no Brasil atingiu negócios do BTG Pactual, que se tornou um dos maiores prestadores de serviços bancários para empresas do setor de apostas. Segundo informações publicadas pela Folha de S.Paulo nesta quarta-feira (30), a instituição atendia 14 companhias que, juntas, representavam cerca de 70% do mercado.
O banco de André Esteves fornecia conta corrente e serviços financeiros para 14 empresas autorizadas pelo Ministério da Fazenda. Entre elas estavam algumas das maiores bets do país, como Betano, Bet365, SuperBet, Sportingbet e Blaze, além de marcas ligadas ao grupo Globo, como BetMGM e Rei do Pitaco. O BTG também atendia outras companhias do segmento.
A atuação do banco no setor ganhou espaço em meio à resistência de grandes instituições financeiras em receber empresas de apostas. Bancos consultados recusavam clientes do segmento por considerarem elevados os riscos ligados a compliance, lavagem de dinheiro, checagem das sociedades por trás das bets e incertezas regulatórias.
O BTG adotou uma estratégia diferente. O banco afirmou à reportagem que o relacionamento foi estabelecido apenas com operadores devidamente autorizados pela Fazenda e submetidos a processos internos de avaliação de risco. A instituição também implementou medidas para cumprir as exigências estabelecidas para o mercado.

Entre os mecanismos adotados estava a criação de contas específicas para apostas, chamadas de “Bet Accounts”. Essas contas tinham regras próprias para depósitos, pagamentos de apostas e saques de prêmios. O banco também utilizou uma autorização provisória para operar enquanto aguardava a regulamentação definitiva do setor.
O processo de regulamentação passou a exigir que as bets mantivessem uma conta destinada ao pagamento de prêmios e uma reserva financeira mínima de R$ 5 milhões como garantia aos apostadores em caso de falência da empresa. Para atender às companhias, o BTG também desenvolveu uma solução de conta-bolso para o setor.
Além do BTG, Banco Genial e Topázio também atuavam no mercado de apostas. A reportagem aponta que outros grandes bancos mantiveram restrições às empresas do segmento. O Itaú afirmou que não atendia companhias do setor, enquanto o Santander informou ter encerrado ou recusado relacionamentos comerciais ligados às bets.
Com o veto do governo, a operação dessas empresas no país passa a enfrentar uma nova configuração regulatória, atingindo também os serviços financeiros criados para atender um mercado que movimentou bilhões de reais e ganhou espaço no sistema bancário nos últimos anos.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/veto-as-bets-acerta-btg-que-dominava-70-do-mercado/


