PF vai investigar quem orquestrou sabotagens no transporte no dia da eleição

A Polícia Federal (PF) investiga possíveis crimes eleitorais relacionados à redução da oferta de transporte público durante o segundo turno das eleições presidenciais, realizado neste domingo (25). As denúncias envolvem cidades de cinco estados e levantam suspeitas de uma tentativa de interferir no resultado das urnas por meio de obstáculos à votação, em municípios administrados por aliados de Flávio Bolsonaro (PL), candidato derrotado na disputa presidencial.

Passageiros relataram filas, longas esperas e uma redução drástica da frota de ônibus em circulação. Em São Paulo, uma reportagem citada pela Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, apontou que 29% da frota permanecia nas garagens, apesar de uma ordem judicial para que os veículos circulassem em sua totalidade, com frequência equivalente à dos dias úteis.

A falta de ônibus dificultou o deslocamento de eleitores até os locais de votação, comprometendo o direito de participação no processo eleitoral. Diante dos problemas registrados em diferentes municípios, a Justiça Eleitoral determinou a recomposição das frotas, e o ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), prorrogou o horário da votação até as 19h, ampliando em duas horas o prazo para que os eleitores pudessem votar.

A PF informou que apura ocorrências na Bahia, em São Paulo, no Piauí, em Sergipe e em Alagoas. O diretor de Investigação e Combate ao Crime Organizado e à Corrupção da corporação, Denis Cali, afirmou que estão sendo realizadas diligências e colhidos depoimentos, em conjunto com os Tribunais Regionais Eleitorais (TREs), o Ministério Público Eleitoral e as polícias estaduais. Até o momento da divulgação das informações, apenas Sergipe tinha um inquérito instaurado.

Na Bahia, a situação levou o presidente do Tribunal Regional Eleitoral a determinar a recomposição imediata da frota de Salvador e a prisão em flagrante do secretário municipal de Mobilidade, Pablo Souza.

A PF deverá apurar se a redução da frota de ônibus em municípios administrados por aliados de Flávio Bolsonaro teve o objetivo de dificultar o deslocamento de eleitores até os locais de votação. As denúncias incluem o descumprimento de decisões judiciais que determinavam a circulação dos veículos. Caso sejam comprovadas ações deliberadas para impedir ou embaraçar o exercício do voto, os responsáveis poderão responder por crimes eleitorais.

Em São Paulo, governada por Ricardo Nunes (MDB), que mantém estreita ligação política com Flávio Bolsonaro e seu pai, Jair Bolsonaro, a Federação Brasil da Esperança pediu a prisão em flagrante do secretário municipal de Mobilidade Urbana e Transporte, Celso Jorge Caldeira, e do presidente da SPTrans, Victor Hugo Borges.

A representação acusa os dois de descumprir a ordem judicial que determinava a circulação de 100% da frota operacional. O juiz Tiago Ducatti Lino Machado negou o pedido por considerar que não havia “elementos concretos” que comprovassem uma situação de flagrante delito. O Ministério Público Eleitoral também se manifestou contra a prisão.

Em 2022, a PRF, comandada pelo bolsonarista Silvinei Vasques, realizou operações de fiscalização e bloqueios em rodovias no segundo turno das eleições, com concentração de abordagens no Nordeste, onde Lula havia obtido ampla vantagem no primeiro turno. As ações foram denunciadas como uma tentativa de dificultar o acesso de eleitores às urnas e favorecer Jair Bolsonaro, então candidato à reeleição. A atuação da corporação provocou reação da Justiça Eleitoral, que determinou a liberação do transporte de eleitores.

Vasques acabou preso preventivamente em agosto de 2023, no curso das investigações sobre sua atuação. Em 2025, o Supremo Tribunal Federal (STF) o condenou a 24 anos e seis meses de prisão por participação na trama golpista, liderada por Bolsonaro em conluio com aliados. Em agosto de 2026, também foi determinada a cassação de sua aposentadoria da PRF. A investigação específica sobre as operações nas rodovias durante o segundo turno, contudo, foi arquivada em janeiro de 2026, a pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR). 

Fonte: https://horadopovo.com.br/pf-vai-investigar-quem-orquestrou-sabotagens-no-transporte-no-dia-da-eleicao/