Pesquisas eleitorais de 2026: veja quais institutos chegaram mais perto dos resultados das urnas

A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) neste domingo (25) contrariou a vantagem numérica apresentada por grande parte das pesquisas eleitorais divulgadas na reta final do segundo turno. Entre 16 levantamentos nacionais analisados, 14 colocavam Flávio Bolsonaro (PL) numericamente à frente e apenas dois indicavam vantagem para Lula.

Porém, nas urnas Lula conquistou 51,79% dos votos válidos, com 64.256.232 votos. Flávio terminou com 48,21%, ou 59.826.041 votos.

A diferença entre os dois foi de 3,58 pontos percentuais e 4.430.191 votos.

O levantamento feito nesta segunda-feira (26) comparou as últimas pesquisas nacionais de 16 institutos, divulgadas entre quinta-feira (22) e sábado (24), às vésperas da votação.

O resultado chama atenção também pela inversão em relação ao primeiro turno: em 4 de outubro, a maioria das pesquisas analisadas colocava Lula numericamente à frente, mas foi Flávio quem terminou a primeira votação na liderança.

Vox Brasil e Colectta chegaram mais perto

Entre os 16 levantamentos analisados, a Vox Brasil foi a que apresentou os percentuais mais próximos do resultado das urnas.

Divulgada na sexta-feira (23), a pesquisa estimou 50,6% dos votos válidos para Lula e 49,4% para Flávio. Em relação ao resultado oficial, o levantamento subestimou Lula em 1,19 ponto percentual e superestimou Flávio na mesma proporção.

A Colectta também colocou o presidente numericamente à frente. Divulgado no sábado (24), o levantamento registrou 50,3% para Lula e 49,7% para Flávio, diferença de 1,49 ponto percentual em relação ao percentual efetivamente obtido por cada candidato.

Foram os únicos dois entre os 16 levantamentos examinados que indicaram Lula numericamente à frente de Flávio.

A Futura/100% Cidades, por sua vez, registrou 50,1% para Flávio e 49,9% para Lula. Embora tenha invertido a ordem observada nas urnas, o levantamento ficou a 1,89 ponto percentual da votação final de cada candidato.

Isso evidencia uma distinção importante: uma pesquisa pode se aproximar dos percentuais finais em uma disputa apertada, e ainda assim apresentar o candidato que termina derrotado numericamente à frente.

Datafolha e Quaest indicaram 51% para Flávio e 49% para Lula. A diferença estava dentro das respectivas margens de erro, configurando empate técnico.

Infográfico 2º Turno Pesquisa Presidente/Gerado por IA

Primeiro turno teve cenário inverso

A comparação com o primeiro turno mostra uma inversão no desempenho dos levantamentos.

Em 4 de outubro, Flávio Bolsonaro terminou com 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula recebeu 45,16%. A vantagem do senador foi de 1,87 ponto percentual.

Na ocasião, a maior parte das pesquisas nacionais analisadas colocava Lula numericamente à frente.

Entre os institutos que mais se aproximaram das urnas estavam Veritá, Gerp e Futura/100% Cidades.

O Veritá estimou 47% para Flávio e 45% para Lula, ficando a apenas 0,03 ponto percentual do resultado do senador e 0,16 ponto do percentual obtido pelo petista.

A Gerp apontou 46% para Flávio e 44% para Lula, enquanto a Futura registrou 44,8% e 42,6%, respectivamente.

Os três institutos, no entanto, apresentaram Flávio numericamente à frente em seus levantamentos finais do segundo turno, quando Lula acabou reeleito.

infografico primeiro turno

Infográfico 1º Turno Pesquisa Presidente/Gerado por IA

Por que pesquisas e urnas podem ser diferentes?

A diferença entre pesquisas e o resultado das urnas não significa, isoladamente, que determinado levantamento tenha apresentado erro metodológico.

Pesquisas eleitorais são retratos das intenções declaradas por uma amostra do eleitorado em determinado período. O resultado da eleição depende, entre outros fatores, de quem efetivamente comparece às urnas e de eventuais mudanças de voto ocorridas depois da coleta.

O segundo turno de 2026 teve um elemento particularmente relevante: a abstenção caiu para 19,21%, diante de 21,08% no primeiro turno. Mais de 128 milhões de brasileiros compareceram às urnas.

Dados da votação também mostram avanço de Lula em grandes colégios eleitorais. O petista ampliou sua votação especialmente em São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Bahia na comparação com o primeiro turno.

Esses movimentos ajudam a compreender a virada eleitoral.

Acertar percentuais não é o mesmo que apontar quem ficou à frente

A eleição também evidencia a importância de diferenciar dois critérios ao avaliar pesquisas: a proximidade dos percentuais estimados e a ordem numérica dos candidatos.

A Futura, por exemplo, ficou a menos de dois pontos percentuais do resultado de cada presidenciável, mas apresentou Flávio 0,2 ponto à frente. Nas urnas, Lula venceu por 3,58 pontos.

Datafolha e Quaest também mostravam Flávio numericamente à frente, mas dentro de cenários de empate técnico.

Já Vox Brasil e Colectta foram os dois levantamentos do conjunto analisado que reuniram as duas características: colocaram Lula numericamente à frente e apresentaram os percentuais mais próximos do resultado final.

A comparação reforça que pesquisas eleitorais devem ser interpretadas como estimativas produzidas a partir de amostras, metodologias e períodos de coleta específicos — e não como resultados antecipados da eleição.

Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/pesquisas-quais-institutos-chegaram-mais-perto/