Ações de IA caem após alertas de CEOs sobre riscos

Ações de empresas ligadas à inteligência artificial despencaram no mundo todo nesta segunda-feira (14) depois que líderes das maiores companhias de IA alertaram para os riscos do desenvolvimento acelerado da tecnologia. A queda foi a ameaça mais direta até agora aos bilhões de dólares investidos no setor, que vinham impulsionando os mercados globais a máximas históricas.

A Agência Reuters, que noticiou o movimento, apurou que a venda generalizada de ativos se espalhou por toda a indústria em um momento em que as empresas do setor recorrem cada vez mais a dívidas e financiamentos circulares para bancar planos ambiciosos de gastos com IA, enquanto os custos globais de crédito seguem elevados, refletidos em rendimentos de títulos nas máximas de vários anos.

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Alertas que abalaram o mercado

O ensaio foi o gatilho imediato da turbulência. O presidente-executivo da Anthropic, Dario Amodei, publicou no sábado (12) um longo texto na plataforma X pedindo que as empresas de IA reduzam o ritmo de avanço das capacidades de seus modelos, diante do crescente temor de uso indevido da tecnologia. Tanto Elon Musk, que comanda a xAI, quanto Sam Altman, presidente-executivo da OpenAI, disseram concordar com Amodei.

Altman foi além; afirmou que a OpenAI não realizará uma oferta pública inicial de ações (IPO) neste ano, citando preocupações com segurança. No fim de semana, ele diz em entrevista que os riscos de extinção da humanidade causados pela IA são “inaceitáveis”.

Amodei, por sua vez, escreve que, em seis a 12 meses, agentes de IA “poderiam ser capazes de assumir o controle de toda a internet, causando potencialmente centenas de bilhões de dólares em danos”.

Tombo nas bolsas

O índice Nasdaq 100, referência das grandes empresas de tecnologia em Wall Street, recuou 1,2% para a mínima de seis semanas no início dos negócios. O índice Philadelphia de semicondutores caiu 5,1%. Entre as principais ações do setor, a Nvidia recuou 3,6%, a Advanced Micro Devices (AMD) cedeu 5,6% e a Micron perdeu 6%. A SpaceX, de Musk, registrou queda de 1,6%.

Fabricantes de equipamentos para semicondutores também foram atingidas; a Lam Research e a Applied Materials caíram 6% cada. Entre as chamadas utilities de tecnologia, a Bloom Energy perdeu 6,8% e a GE Vernova recuou 7,4%.

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Na Europa, o setor de tecnologia caiu 2,2%, puxado pela ASML, com baixa de 5,9%, além de perdas expressivas em Infineon e Siemens Energy. Na Ásia, o SoftBank chegou a despencar 13,2%, enquanto as fabricantes de chips TSMC e SK Hynix também recuaram.

“Se isso levar a uma desaceleração e a uma revisão dos gastos com IA, haverá repercussões para a economia e para setores importantes do mercado de ações, porque, basicamente, estivemos em ritmo acelerado com base nos gastos em IA”, diz Steve Sosnick, analista-chefe de mercado da Interactive Brokers.

Contexto e ceticismo

Os alertas do fim de semana se somaram a uma série de episódios que aumentaram o alarme sobre os riscos da tecnologia. No início deste mês, o pesquisador da Anthropic Jacob Coxon pediu demissão afirmando que “as pessoas que constroem IA acreditam sinceramente que ela poderia nos matar a todos até o fim da década”. Dias depois, o laboratório publicou um relatório de inteligência de ameaças detalhando como seus modelos Claude foram usados em atividades que vão desde o desenvolvimento de armas e operações cibernéticas até vigilância e fraudes.

Nem todos, porém, levaram os avisos a sério. Michael Burry, conhecido por suas apostas contra o mercado imobiliário americano antes da crise de 2008, retratadas no filme “A Grande Aposta”, diz no X que os alertas são “exagero e fanfarronice” e “cobertura para uma desaceleração real e incontrolável do crescimento”.

O presidente-executivo do Morgan Stanley, Ted Pick, projeta no início deste ano que os gastos com IA vão superar US$ 1,3 trilhão até 2027. O Deutsche Bank, em nota, avalia que “a questão central é se este é o primeiro sinal de que o extraordinário ciclo de investimentos em IA pode eventualmente moderar. Por ora, isso parece improvável. A corrida competitiva entre empresas e países permanece intensa, e é difícil imaginar que as empresas recuem voluntariamente enquanto os rivais continuam avançando”.

Disputas geopolíticas e próximos passos

O debate também ganhou dimensão geopolítica. Os governos dos Estados Unidos e da China devem realizar conversas sobre segurança em IA como parte de discussões bilaterais previstas para este mês, segundo a Reuters. O jornal estatal chinês Global Times, no entanto, critica o ensaio de Amodei em um editorial, classificando-o como um “manual da Guerra Fria” voltado a frear o desenvolvimento tecnológico do país.

A concorrência crescente de modelos chineses mais acessíveis, como o Kimi K3, da Moonshot AI, o Qwen, da Alibaba, e as ofertas da DeepSeek, preocupa OpenAI e Anthropic, pois pode pressionar os preços de modelos maiores e mais caros.

No front corporativo, a própria Anthropic avança com sua estreia no mercado de capitais, prevista para o mês que vem. Fontes ouvidas pela Reuters afirmam que a empresa negocia trazer a Nvidia como investidora âncora. A fabricante japonesa de chips Kioxia Holdings também estuda captar pelo menos US$ 10 bilhões por meio da listagem de recibos de depósito americanos.

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Fonte: https://itforum.com.br/noticias/acoes-ia-caem-alertas-ceos-riscos/