FMI alerta que IA traz mais riscos que oportunidades sem base ética

A inteligência artificial representa mais riscos do que oportunidades se não houver salvaguardas adequadas e uma base ética sólida para orientar seu desenvolvimento. O alerta foi feito pela diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, nesta sexta-feira (16), durante o painel das Reuniões Anuais do FMI e do Banco Mundial, realizadas em Bangkok, na Tailândia.

A advertência de Georgieva ecoa preocupações já levantadas pelo próprio FMI na terça-feira (13), quando o fundo sinalizou riscos significativos para o crescimento e a estabilidade financeira global diante de um possível fim do boom de investimentos em inteligência artificial, níveis elevados de dívida e a prolongação do conflito no Oriente Médio.

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“Se não houver salvaguardas, os riscos podem superar as oportunidades. E, acima de tudo, precisamos de uma base ética; não tenho certeza de que estamos lá como sociedade” afirmou Georgieva durante o painel, que também contou com a participação do cofundador da Anthropic, Jack Clark.

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Riscos opostos, mesma origem

A chefe do FMI reconheceu que a tecnologia já fortalece a economia global, mas alertou que pode gerar choques negativos caso não entregue ganhos de produtividade com a rapidez esperada. Para que os benefícios cheguem a todos, ela listou pré-condições necessárias: acesso à infraestrutura digital, acesso a energia elétrica e regulação adequada.

O economista de Harvard, Dani Rodrik, apresentou um diagnóstico de duplo risco. Se os ganhos de produtividade se materializarem, podem vir acompanhados de perdas expressivas de empregos e deslocamento em setores afetados. Se não se materializarem, os pesados investimentos em centros de dados podem desencadear uma correção financeira cara. “Não sabemos com qual das duas crises teremos de lidar; se é a crise do emprego ou a crise financeira” disse Rodrik à Reuters após a Conferência WZB interdisciplinar em Berlim, na semana passada.

O presidente do Bundesbank, Joachim Nagel, também expressou preocupação com os desequilíbrios globais que a tecnologia pode ampliar. “Isso fica claro quando se consideram os grandes investimentos exigidos pela inteligência artificial, tanto em hardware quanto em desenvolvimento de software” afirmou.

Autorregulação com limites

Ao debater como criar limites para uma tecnologia em evolução tão acelerada, Georgieva comparou o avanço da inteligência artificial a carros de Fórmula 1 em alta velocidade sem barreiras para proteger o público. Ela defendeu que a autorregulação da indústria é adequada, dado que os governos não estão bem posicionados para supervisionar um setor em constante mudança, mas que o processo deve incluir engajamento com a sociedade. Os países com os maiores setores de inteligência artificial, como Estados Unidos, China e Índia, além dos países inseridos na cadeia de suprimentos da tecnologia, deveriam participar desse processo, segundo ela.

Clark, da Anthropic, adotou a metáfora de Georgieva e a intensificou. “Acho que é Fórmula 1 à noite, talvez sem freios nos carros” disse. Ainda assim, o cofundador da empresa afirmou que definir padrões já está em curso, por meio de marcos regulatórios iniciais na União Europeia e de compromissos voluntários nos Estados Unidos. Para Clark, a regulação pelos países produtores de inteligência artificial é necessária; “Precisamos de padrões de bom senso, e é assim que se gera confiança na tecnologia e se constrói a economia.”

A disputa pelo nome

Em paralelo aos debates sobre riscos, uma divergência terminológica tomou espaço entre autoridades. A subsecretária do Tesouro dos Estados Unidos, Erin Browne, afirmou que o FMI está excessivamente focado nos riscos e deveria dar mais peso às oportunidades de choques econômicos positivos, como os gerados pela inteligência artificial, que o governo americano passou a chamar de “superinteligência”. Browne disse na quinta-feira (15) à Reuters que Washington negocia com outros acionistas do FMI a adoção do novo termo em uma declaração conjunta do comitê diretivo do fundo.

O ministro das Finanças da Alemanha, Lars Klingbeil, foi categórico ao rejeitar a mudança: “Vou continuar chamando de inteligência artificial.”

O governador do Banco da Inglaterra, Andrew Bailey, disse estar mais otimista do que há um mês quanto à possibilidade de os países chegarem a um alinhamento sobre padrões de testes para a tecnologia. Já o presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, brincou com Georgieva durante outro painel: “Kristalina, você pronuncia como ‘IA’. Nos Estados Unidos, agora pronunciamos como ‘SI’”, referindo-se ao termo superinteligence.

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Fonte: https://itforum.com.br/noticias/fmi-ia-mais-riscos-oportunidades/