Congonhas (MG): a história dos “12 Profetas” de Aleijadinho

A 80 quilômetros de Belo Horizonte, Congonhas abriga um dos mais impressionantes conjuntos de arte religiosa barroca do mundo. São as esculturas dos 12 Profetas, obra-prima de Aleijadinho, que dividem a paisagem com seis capelas dos Passos da Paixão. No interior delas, imagens atribuídas ao Mestre Ataíde convivem com outras obras saídas das oficinas do célebre escultor.

Todo o conjunto, encontrado no Santuário do Senhor Bom Jesus de Matosinhos, é tombado nacionalmente desde os anos 1930, e considerado um Patrimônio da Humanidade pela Unesco desde 1985. Conheça mais sobre as famosas esculturas de Congonhas.

A história dos 12 Profetas de Aleijadinho

O ponto mais famoso de Congonhas é o adro (parte externa) do Santuário, localizado no alto do Morro do Maranhão. De longe, é possível avistar as imagens dos 12 Profetas, esculpidas em pedra-sabão na virada dos séculos 18 para o 19 com o objetivo de rodear a basílica. Embora frequentemente confundidos com os apóstolos de Jesus, que também chegavam a uma dúzia, os personagens retratados por Aleijadinho na verdade são figuras do Antigo Testamento: Isaías, Jeremias, Baruque, Ezequiel, Oséias, Joel, Amós, Obadias, Habacuque, Jonas e Naum.

Tão famosa quanto as imagens, é a história por trás de sua confecção. O santuário foi resultado de uma promessa feita pelo minerador português Feliciano Mendes: segundo registros históricos, em 1756 ele teria contraído uma grave doença, endereçando suas orações ao Senhor de Matosinhos em busca de uma cura. Quando se recuperou, Mendes dedicou o resto dos seus dias a erguer um local de culto como agradecimento – o santuário levaria décadas para ser concluído, tempos depois da morte de seu idealizador.

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As próprias esculturas de Aleijadinho só foram elaboradas quase meio século mais tarde, entre 1800 e 1805. Na época, o artista – cujo nome de batismo era Antônio Francisco Lisboa – já estava convivendo com sua lepra em estágio avançado, o que levava a limitações nos movimentos. A doença teria sido a responsável por seu triste apelido, e também o motivo das obras de Congonhas serem “atribuídas” a Aleijadinho: embora ele tenha sido o grande responsável por coordenar os trabalhos, a execução prática de boa parte das obras expostas no santuário só foi possível graças a ajudantes e aprendizes.

Esculturas restauradas representam etapas da via-crúcis (André Brasil/Iphan/Reprodução)
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O conjunto das 12 esculturas em pedra-sabão é a parte mais conhecida do santuário, mas há outras obras de Aleijadinho também presentes no Jardim dos Passos, onde ficam as seis capelas que simbolizam a Via Sacra de Jesus Cristo. Lá, além das pinturas em cedro elaboradas no ateliê de Mestre Ataíde, é possível ver as 64 imagens de Antônio Francisco Lisboa esculpidas parcialmente em madeira: elas foram restauradas pela última vez em 2024, combatendo uma infestação de cupins.

O que mais ver em Congonhas

Ainda que o Santuário seja o grande atrativo do município de 55 mil habitantes, adeptos do turismo religioso também podem passar por atrativos como a Igreja Matriz da Nossa Senhora da Conceição, a Igreja São José e a Igreja do Rosário – este, o mais antigo templo da cidade, datado do fim do século 17. Também é possível mergulhar mais na história da devoção local visitando o Centro Cultural da Romaria, onde romeiros e fiéis que passavam por Congonhas encontravam pouso até o início da década de 1960.

Outras atrações incluem o Museu de Congonhas, que oferece mais dados da história da cidade e da importância das obras de Aleijadinho, e o Museu da Imagem e Memória, que foca em aspectos do século 20 no município, destacando personagens folclóricos locais como o médium Zé Arigó, que se tornou nacionalmente conhecido entre as décadas de 1950 e 1960.

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Outra boa pedida, para quem quer conhecer a natureza ao redor da cidade e se refrescar em dias mais escaldantes, é se dirigir ao Parque Ecológico da Cachoeira – a 6 km do centro de Congonhas, o local conta com quedas d’água aptas para banho e estrutura para camping, prática de esportes e restaurante.

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Fonte: https://viagemeturismo.abril.com.br/brasil/congonhas-mg-a-historia-dos-12-profetas-de-aleijadinho/