Vingança é ‘dever e direito legítimo’, diz presidente do Irã após assassinato de Khamenei

Masoud Pezeshkian, presidente do Irã. Foto: Reuters

O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou que buscar vingança pela morte do líder supremo Ali Khamenei e de outras autoridades iranianas é um “dever e direito legítimo” do país.

Em declaração oficial, ele disse que a República Islâmica considera obrigação de Estado punir os responsáveis e aqueles que ordenaram o ataque, mobilizando todos os recursos disponíveis.

O ex-subsecretário adjunto de Defesa dos Estados Unidos, Michael Mulroy, avaliou que a morte do líder supremo não significaria colapso automático do regime iraniano. Ele comparou o cenário ao da Venezuela, onde o poder estaria mais concentrado na figura do presidente Nicolas Maduro.

Segundo Mulroy, o Irã possui múltiplos centros de poder:

  • o clero xiita
  • as Forças Armadas
  • a Guarda Revolucionária
  • serviços de inteligência

Isso reduz a chance de que a eliminação de uma única liderança leve à submissão política imediata.

Prédio residencial em Tel Aviv após ataque com míssil iraniano. Foto: REUTERS/Ronen Zvulun.

Mulroy afirmou que é improvável que o Irã aceite exigências dos United States após o assassinato. Pelo contrário, a tendência pode ser uma escalada militar regional.

Entre as capacidades mencionadas estão:

  • Produção em larga escala de drones
  • Ataques coordenados contra alvos estratégicos
  • Pressão sobre países do Golfo aliados de Washington

Ele citou ataques recentes contra edifícios nos Emirados Árabes e no Bahrein como exemplo do tipo de ação possível. Mesmo que muitos drones sejam interceptados, o envio simultâneo de grandes quantidades pode sobrecarregar sistemas de defesa aérea. Diante desse quadro, três cenários principais são considerados por analistas internacionais:

Mulher segura um cartaz com a foto de Khamenei. Foto: Majid Asgaripour/WANA via REUTERS.

1. Escalada regional controlada

O Irã amplia ataques indiretos por meio de drones, mísseis e aliados regionais, mas evita confronto direto em grande escala com forças americanas. Esse cenário mantém tensão alta, porém sem guerra aberta.

2. Guerra regional ampla

Ataques diretos contra bases americanas e infraestrutura no Golfo poderiam levar a resposta militar pesada dos EUA e de aliados. Isso afetaria rotas de petróleo, comércio global e estabilidade política em diversos países.

3. Reorganização interna com transição tensa

Mesmo com retórica dura, o regime pode priorizar reorganização do poder interno antes de ações externas mais agressivas. A sucessão dentro do sistema religioso e militar seria decisiva.

Pessoas se reúnem para lamentar em Teerã. Foto: Majid Asgaripour/WANA via REUTERS.

Impacto internacional

Uma escalada no Golfo tem efeitos imediatos:

  • Alta no preço do petróleo
  • Instabilidade nos mercados financeiros
  • Pressão diplomática de potências como China e Rússia
  • Risco de envolvimento de Israel

A região concentra rotas estratégicas de energia, como o Estreito de Ormuz, por onde passa grande parte do petróleo exportado no mundo.

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/vinganca-e-dever-e-direito-legitmo-diz-presidente-do-ira-apos-assassinato-de-khamenei/