A Bienal de Veneza registrou nesta sexta-feira (8) uma série de protestos envolvendo delegações internacionais e artistas participantes da mostra. Representantes de quase 20 países decidiram fechar temporariamente seus próprios pavilhões em repúdio à presença de Israel no evento.
A mobilização ocorreu durante a pré-abertura da exposição para convidados e antecede a estreia oficial para o público neste sábado (9). A ação foi organizada por artistas e ativistas ligados ao grupo Art Not Genocide Alliance, que acusa Israel de promover um genocídio na Faixa de Gaza.
Manifestantes pró-Palestina realizaram atos em frente ao pavilhão israelense ao longo da semana. Entre os países que aderiram ao fechamento das galerias estão Reino Unido, Suíça, Áustria, Bélgica, Espanha, Irlanda, Holanda, Finlândia, Turquia e Egito.
Os organizadores da mobilização classificaram o ato como uma greve geral de trabalhadores da cultura. O movimento também ganhou força após a confirmação do retorno da Rússia à Bienal de Veneza. O país de Vladimir Putin estava fora do evento desde 2022, quando começou a ofensiva militar contra a Ucrânia.
A reintegração da delegação russa ampliou a pressão sobre a organização da mostra. Desde o anúncio da presença russa, artistas, curadores e representantes culturais passaram a defender a manutenção do fechamento do pavilhão do país.

A decisão da organização de permitir a participação da Rússia provocou reações internas, incluindo uma carta aberta assinada por integrantes da Bienal e a renúncia do corpo de jurados da premiação.
A edição de 2026 já é considerada uma das mais turbulentas da história da Bienal de Veneza, que existe há mais de 130 anos. Além das manifestações de artistas, autoridades de diversos países também passaram a boicotar o evento. Entre elas está a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, que não participou da abertura da mostra.
Outro ponto que aumentou a repercussão internacional foi a mudança no modelo de escolha do Leão de Ouro, principal prêmio da Bienal. Pela primeira vez, a seleção do vencedor será feita pelo público, e não por um grupo de críticos especializados. A decisão ocorreu em meio à crise institucional enfrentada pela organização.
A União Europeia também anunciou um corte de € 2 milhões destinados ao financiamento da próxima edição da Bienal. O valor corresponde a cerca de R$ 12 milhões na cotação atual. O bloqueio ocorre em um cenário de tensão envolvendo as decisões políticas e curatoriais da mostra italiana.
Em comunicado, a Bienal de Veneza afirmou que os protestos e paralisações “não envolvem os profissionais da própria instituição”. A organização acrescentou que os contratos das equipes seguem dentro da legislação italiana e destacou o compromisso em garantir o funcionamento do evento “em respeito à liberdade de expressão e ao pluralismo das opiniões”.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/protestos-contra-israel-causam-fechamento-de-galerias-na-bienal-de-veneza/

