O senador e ex-ministro da Casa Civil do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (2019-22), Ciro Nogueira (PP-PI), rompeu o silêncio e se manifestou a respeito da operação da Polícia Federal (PF) da qual foi alvo na última quarta-feira (6).
Em seu comunicado, Ciro Nogueira afirma ser vítima de perseguição e que querem “manchar sua honra”:
“Sobre a tentativa de manchar a minha honra pessoal que aconteceu nesta semana, vale lembrar algo: todo ano político é a mesma coisa. Tentam parar de todas as formas quem lidera as pesquisas de intenção de votos.”
Posteriormente, Ciro Nogueira cita outros momentos em que alega ter sido alvo de perseguição política:
“Isso aconteceu comigo em 2018, faltando 15 dias para a eleição. Mas o povo do Piauí sentiu a perseguição política e o efeito foi contrário: crescemos 6 pontos na pesquisa e vencemos aquela eleição.
Na primeira tentativa de me parar, o devido processo legal apurou as ilações e mentiras contra mim e ficou comprovada a minha inocência. Mas fica uma pergunta: quem devolve a honra de uma pessoa depois de um ataque tão maligno e sem fundamentos como esse?”
O senador conclui a sua nota afirmando que a operação da Polícia Federal o “fortalece”:
“Suportar esse tipo de pressão só é possível pra quem nasceu pra servir o povo. E eu digo: nada me faz abandonar o povo que confia em mim. Esses acontecimentos me dão mais energia para lutar por mais recursos para o nosso povo do Piauí e não deixar que os maus governem sobre os bons.”
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Emenda Master foi feita por banco e entregue em mãos por Vorcaro a Ciro Nogueira; leia decisão de Mendonça
Ciro Nogueira (PP-PI), presidente nacional do PP e ex-ministro da Casa Civil de Jair Bolsonaro (PL), entrou no centro da Operação Compliance Zero nesta quinta-feira (7) após decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), apontar que a chamada “Emenda Master” teria sido elaborada pela assessoria do Banco Master, encaminhada por um preposto de Daniel Vorcaro, impressa e entregue em envelope endereçado ao senador em seu endereço residencial.
LEIA A DECISÃO DE ANDRÉ MENDONÇA NA ÍNTEGRA
Segundo a decisão, a Polícia Federal afirma que o texto apresentado por Ciro ao Senado como Emenda nº 11 à PEC nº 65/2023 reproduziu “de forma integral” a versão previamente preparada pela assessoria do Banco Master. A proposta ampliava a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por depositante.
A medida, segundo os investigadores, beneficiaria diretamente o modelo de negócios do Master, banco então controlado por Daniel Vorcaro. O banqueiro teria comemorado a apresentação da emenda e afirmado, após a publicação da proposta, que o ato legislativo “saiu exatamente como mandei”.
“O texto da emenda foi elaborado pela assessoria do Banco Master, encaminhado por André Kruschewsky Lima a Daniel Vorcaro, impresso e entregue em envelope endereçado a ‘Ciro’, no endereço residencial do senador”, diz trecho da decisão de Mendonça, ao relatar a representação da PF.
Ciro Nogueira é apontado como destinatário central de vantagens
Na decisão, Mendonça registra que a PF aponta Ciro Nogueira como “destinatário central” de supostas vantagens indevidas e como agente público que, em tese, teria instrumentalizado o mandato parlamentar em favor de interesses privados de Daniel Vorcaro.
Os elementos citados pela PF incluem, segundo a decisão, pagamentos mensais da ordem de R$ 300 mil ou mais, com relatos de que o valor teria evoluído para R$ 500 mil, além de aquisição de participação societária com deságio expressivo, uso de imóvel de alto padrão, custeio de viagens internacionais, hospedagens, restaurantes, voos privados e possível recebimento de numerário em espécie.
A Fórum mostrou nesta quinta-feira que a investigação aponta um suposto “mensalão do Master” a Ciro Nogueira. Também revelou que mensagens de Vorcaro tratavam o senador como “grande amigo de vida” e detalhavam a relação entre o banqueiro e o ex-ministro de Bolsonaro.
Emenda Master previa salto do FGC para R$ 1 milhão
A Emenda nº 11 à PEC nº 65/2023 foi apresentada por Ciro Nogueira em 13 de agosto de 2024. O texto incluía na Constituição regras sobre o FGC e previa que o total de créditos de cada pessoa física ou jurídica seria garantido até R$ 1 milhão, nos termos das normas aplicáveis.
A emenda assinada eletronicamente por Ciro Nogueira consta do sistema do Senado. A proposta foi apresentada dentro da PEC que trata do regime jurídico do Banco Central.
Segundo a PF, a versão entregue a Ciro teria sido preparada no âmbito do Banco Master antes de ser reproduzida no Senado. Interlocutores do banco, ainda de acordo com a decisão, teriam registrado que a medida “sextuplicaria” o negócio do Master e provocaria uma “hecatombe” no mercado.
PF mira Ciro Nogueira na 5ª fase da Compliance Zero
A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira a 5ª fase da Operação Compliance Zero, com dez mandados de busca e apreensão e um mandado de prisão temporária em Piauí, São Paulo, Minas Gerais e no Distrito Federal. A decisão judicial também autorizou bloqueio de bens, direitos e valores de R$ 18,85 milhões.
De acordo com a PF, a nova fase busca aprofundar investigações sobre um esquema de corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes contra o Sistema Financeiro Nacional. A operação foi autorizada por André Mendonça.
A Fórum também publicou que Ciro Nogueira foi alvo da PF por fraudes ligadas ao caso Master e que o senador passou por procedimento capilar antes de virar alvo da operação.
Mendonça impõe cautelar contra Ciro Nogueira
André Mendonça autorizou medida cautelar contra Ciro Nogueira para proibir o senador de manter contato com pessoas investigadas na Operação Compliance Zero. A PF também pediu cautelares contra Raimundo Neto e Silva Nogueira Lima e Bernardo Rodrigues de Oliveira Filho, além da suspensão de atividades de empresas citadas na investigação.
A decisão também decretou a prisão temporária de Felipe Cançado Vorcaro, apontado como integrante do núcleo financeiro-operacional da organização criminosa e operador financeiro de Daniel Vorcaro. Segundo os autos, Felipe teria atuado em operações societárias e repasses mensais ligados ao parlamentar investigado.
O documento do STF informa que a íntegra da decisão pode ser conferida no sistema de autenticação do Supremo Tribunal Federal, com o código 631F-8ED9-F180-6BE2 e a senha CB86-CF8C-9FE4-FCDC.
Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/ciro-nogueira-rompe-silencio-apos-operacao-da-pf-e-fala-em-tentativa-de-manchar-sua-honra/

