O Rayo Vallecano, clube espanhol com raízes no bairro operário de Vallecas, em Madrid, disputa nesta quarta-feira (27) a final da Conference League contra o inglês Crystal Palace, às 16h (de Brasília).
Tradicionalmente ligado a políticas de esquerda e antifascistas, o Rayo tem hoje um dono, Raúl Martín Presa, cujo posicionamento político não coincide com o da torcida. Ainda assim, a equipe chegou longe e pode conquistar seu primeiro título europeu em apenas sua segunda participação continental.
Fundado em 1924 por jovens que buscavam criar um clube próprio, o Rayo sempre esteve próximo da comunidade de Vallecas. Os moradores levaram seus ideais políticos para dentro do estádio, e a torcida, especialmente a principal organizada do time, Bukaneros, tornou-se símbolo de resistência antifascista.
Protestos contra contratações polêmicas e visitas de líderes da extrema-direita evidenciam a disputa interna entre a ideologia da torcida e decisões da gestão. Em 2017, por exemplo, a tentativa de contratar o atacante ucraniano Roman Zozulya, acusado de envolvimento com grupos neonazistas, foi abortada após forte pressão dos Bukaneros.
Outro caso ocorreu quando o presidente levou ao estádio um líder do partido Vox, de extrema-direita, que foi hostilizado pela torcida. Essas tensões refletem o conflito histórico entre o posicionamento político da administração e o engajamento da comunidade.

O Rayo Vallecano é reconhecido por sua história operária e progressista, refletida tanto na trajetória de seus presidentes quanto na atuação da torcida. O clube ganhou a alcunha de “Matagigantes” na temporada 1977/78, após derrotar grandes times como Real Madrid, Barcelona e Atlético de Madrid, marcando uma fase histórica de conquistas.
Seus vínculos políticos também se manifestam nas relações internacionais, como os laços de amizade com o St. Pauli, da Alemanha, conhecido por suas atitudes antifascistas, reforçando a identidade progressista do Rayo.
Outro símbolo do clube é a faixa diagonal vermelha em seu uniforme, inspirada no River Plate, que se tornou um marco de identidade e resistência, consolidando uma conexão histórica com o futebol argentino.
O clube também se destacou por ter Teresa Rivero como primeira presidenta, entre 1994 e 2011, pioneira no futebol espanhol e responsável por impulsionar o futebol feminino. A torcida e o clube mantêm lemas progressistas, como “Ame o Rayo, odeie o racismo” e “Pequeno no esporte, grande nos valores”.
Além disso, o clube já utilizou uniformes com faixas rosa e cores do arco-íris em campanhas de conscientização sobre câncer de mama e homofobia, destinando parte da renda a instituições de caridade.
Os torcedores do Rayo já se mobilizaram para arrecadar fundos e quitar a dívida de Carmen Martínez Ayudo, moradora do bairro que havia sido despejada de sua casa hipotecada. Atendendo ao pedido da torcida, o clube assumiu o compromisso de pagar o aluguel da senhora de forma vitalícia em 2015.
A equipe feminina também é destaque, com título da Superliga Espanhola 2010/11, e contou com atletas como Milene Domingues. O Rayo enfrentou ameaças de extinção do setor feminino, mas a torcida garantiu recursos via crowdfunding, mantendo o time ativo.
A equipe chega à final contra o Crystal Palace diante de um cenário de disparidade financeira: enquanto os ingleses investiram R$ 880 milhões apenas na temporada 2025/26, o Rayo Vallecano aplicou cerca de R$ 400 milhões ao longo de dez anos.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/o-time-antifascista-que-briga-com-a-direita-espanhola-e-pode-ser-campeao-hoje/

