O governo dos Estados Unidos anunciou nesta quarta-feira (1º) sanções contra o empresário Victor Henrique de Oliveira Shimada, apontado como um “elo fundamental” entre o Primeiro Comando da Capital (PCC) e traficantes internacionais. A decisão, formalizada pelo Departamento do Tesouro, bloqueia todos os bens e ativos de Shimada nos EUA e proíbe cidadãos e empresas americanas de realizar negócios com ele.
Segundo as autoridades estadunidenses, ele liderava, a partir de São Paulo, uma estrutura de lavagem de dinheiro que atuava em conjunto com integrantes da facção radicados na Flórida, movimentando mais de US$ 30 milhões em recursos ilícitos por meio de criptomoedas.
O comunicado do Tesouro americano afirma que Shimada foi um “elo-chave entre membros do PCC na Flórida e traficantes internacionais”, utilizando criptomoedas para transferir fundos de volta ao Brasil em nome da facção.
As sanções também atingem Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, descrita como parente e “secretária” de Shimada, que atuava como intermediária na coleta de grandes quantias em dinheiro. Além deles, foram sancionadas três empresas brasileiras: Victory Trading; Pixwave e Wave Construções. A portuguesa Avenidas Flutuantes Unipessoal Lda. também aparece na lista.
No Brasil, Shimada é investigado por suspeita de participação em operações de lavagem de dinheiro relacionadas ao caso VaideBet, que apura desvios de recursos do contrato de patrocínio entre o Corinthians e a casa de apostas. Ele é o único sócio da Victory Trading, que também foi incluída na lista de sanções.
Segundo o governo estadunidense, a Victory foi utilizada para “lavar dinheiro roubado de um clube de futebol brasileiro em um esquema de fraude publicitária”, sem citar nominalmente o Corinthians.

De acordo com denúncia do Ministério Público de São Paulo, a Victory Trading manteve intensa movimentação financeira com a Wave Intermediações, apontada como uma das empresas utilizadas para movimentar valores provenientes do esquema. Relatório da Polícia Civil cita transações suspeitas, como mais de R$ 5 milhões transferidos da Wave para a Victory nos primeiros dias de março de 2024, e doze transferências em um único dia totalizando aproximadamente R$ 5,3 milhões.
A investigação também aponta conexões financeiras com a UJ Football Talent, empresa citada no acordo de colaboração premiada de Antonio Vinicius Lopes Gritzbach, delator assassinado em novembro de 2024, como supostamente relacionada a Danilo Lima de Oliveira, o “Tripa”, apontado como integrante do PCC.
Shimada foi denunciado por lavagem de dinheiro e preso em janeiro de 2025 pela Polícia Federal. As sanções americanas ocorrem após o governo Trump classificar o PCC como organização terrorista estrangeira em junho, ampliando o poder de persecução global contra a facção.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/bet-corinthians-e-pcc-quem-sao-os-primeiros-sancionados-pelos-eua-por-elo-com-faccoes/

