A vitória da Argentina por 3 a 2 sobre o Egito, pelas oitavas de final da Copa do Mundo, terminou em nova polêmica política nas arquibancadas e nas redes. Vídeos que circularam após a partida mostram torcedores argentinos exibindo bandeiras de Israel para provocar o técnico egípcio Hossam Hassan, que se tornou um dos personagens do Mundial ao defender publicamente a Palestina e denunciar o silêncio internacional diante da guerra em Gaza.
A provocação ocorreu depois da virada argentina em Atlanta. Hassan deixou o campo irritado com a arbitragem e com decisões que considerou decisivas para a eliminação do Egito. No caminho para os vestiários, foi alvo de torcedores que ergueram a bandeira israelense em sua direção, em uma cena interpretada como resposta direta à postura pró-Palestina adotada pelo treinador.
Dias antes, Hassan havia dedicado a classificação egípcia sobre a Austrália ao povo palestino e apareceu com a bandeira da Palestina no gramado. Em entrevista coletiva antes do duelo contra a Argentina, voltou ao tema e afirmou que o mundo deveria sentir vergonha pelo silêncio diante do sofrimento de civis palestinos em Gaza.
‘To anyone SUPPORTING Argentina… THIS IS WHO YOU’RE SUPPORTING’
Egyptian fans OUTRAGED as Argentinian supporters WAVE ISRAELI FLAG in ‘PROVOCATION’
Comes after Argentinians THROW BEER CANS & GARBAGE at Egyptian fans following Messi’s DRAW pic.twitter.com/uLr0h1zdTb
— RT (@RT_com) July 7, 2026
A cena com as bandeiras de Israel ampliou o clima político em torno da partida. Para críticos, a provocação passou do limite esportivo ao mirar um treinador árabe que usou a visibilidade da Copa para cobrar solidariedade aos palestinos. O episódio também reacendeu o debate sobre a seletividade da Fifa diante de manifestações políticas e ataques discriminatórios nas arquibancadas.
No mesmo dia, a conta oficial de Israel em espanhol entrou na onda da classificação argentina e usou Messi como peça de propaganda. Em uma publicação no X, o perfil afirmou que Messi “cresceu em Israel”, em referência ao fato de a casa onde o jogador passou a infância, em Rosario, ficar na rua Estado de Israel. A postagem dizia ainda que Israel também queria “ser parte” da euforia pela vitória argentina.
¿Sabías que Messi creció en Israel?
Así como lo lees.
La casa donde Messi pasó su infancia estaba en Rosario.. en la calle Estado de Israel.Y bueno.. nosotros también queremos ser parte de esta locura!
¡Vamos Argentina! 🇮🇱❤️🇦🇷 pic.twitter.com/veBAI0vkUT
— Israel en Español (@IsraelinSpanish) July 7, 2026
A publicação foi feita em meio à repercussão da provocação contra Hossam Hassan e reforçou a apropriação política da imagem de Messi por Israel. Até a publicação desta matéria, o camisa 10 da Argentina não havia se manifestado publicamente sobre o uso de sua figura pela conta oficial israelense nem sobre a provocação com bandeiras contra o técnico do Egito.
A polêmica ocorre no mesmo dia em que torcedores argentinos já estavam no centro de outro caso de discriminação. A Fifa abriu investigação sobre uma denúncia de racismo contra o influenciador estadunidense IShowSpeed durante Argentina x Cabo Verde, disputado no Hard Rock Stadium, em Miami, pela fase anterior do mata-mata.
Nas imagens do caso IShowSpeed, o influenciador aparece vestindo a camisa de Cabo Verde e discutindo com um torcedor argentino nas arquibancadas. Segundo a denúncia, ele teria sido alvo de gesto racista. A Fifa afirmou que abriu apuração assim que tomou conhecimento do episódio e reiterou sua política de tolerância zero contra racismo e discriminação.
Os dois episódios colocam a torcida argentina sob pressão em uma Copa marcada por controvérsias disciplinares, acusações de favorecimento e disputas políticas fora das quatro linhas. Depois do caso IShowSpeed, a provocação com bandeiras de Israel contra Hossam Hassan e o uso de Messi por Israel reforçam a sensação de que a Fifa terá de lidar com incidentes que desafiam seu discurso oficial de diversidade, respeito e inclusão.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/bandeiras-de-israel-garrafas-e-messi-a-nova-polemica-da-argentina-na-copa/

