A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro avisou a interlocutores que pretende atuar nas campanhas de aliadas do PL, mesmo após deixar o comando do PL Mulher e em meio à crise com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato do partido à Presidência. Com informações da coluna de Malu Gaspar, do Globo.
O plano de Michelle é gravar vídeos para impulsionar candidaturas de mulheres da legenda comandada por Valdemar Costa Neto. Ela também mantém indefinida sua pré-campanha ao Senado pelo Distrito Federal, uma das principais apostas de aliados para 2026.
A mulher de Jair Bolsonaro fez chegar à direção do partido que quer usar recursos e estruturas da legenda para atuar como cabo eleitoral das candidatas apoiadas por ela. Questionado sobre a movimentação, Valdemar disse: “Garanto a ela o que ela quiser. Os recursos do PL Mulher são para isso.”
Michelle saiu do comando do PL Mulher há uma semana, depois de uma reunião tensa com Valdemar que quase terminou em desfiliação. Com a saída, perdeu o salário de R$ 46 mil, deixou de ter uma equipe própria de assessores e viu a presidência da setorial ser extinta.
Crise com Flávio pressiona campanha entre mulheres

A ruptura ocorreu depois da divulgação de um vídeo em que Michelle acusou Flávio Bolsonaro de tê-la maltratado e “apunhalado nas costas”. A briga pública aumentou a preocupação da campanha do senador com o eleitorado feminino, considerado um dos pontos mais frágeis da pré-candidatura.
Na pesquisa Datafolha divulgada em junho, o presidente Lula aparecia à frente entre mulheres, com 52% das intenções de voto contra 37% de Flávio. Entre os homens, o cenário era diferente: Flávio tinha 50%, ante 41% do petista.
Flávio tentou reduzir o desgaste em um evento com mulheres do PL na semana passada, mas a agenda ficou esvaziada com as ausências de Michelle e da senadora Damares Alves (Republicanos-DF). A ex-primeira-dama também tem deixado claro a aliados que não pretende se empenhar na campanha presidencial do enteado.
No comunicado em que formalizou a renúncia, Michelle chamou o PL Mulher de “grande exército de mulheres de bem” e agradeceu a presidentes estaduais e municipais da setorial. Ela atribuiu a saída à decisão de se dedicar “integralmente” aos cuidados de Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar em Brasília, e da filha Laura.
Aliados próximos afirmam que Michelle não desistiu de disputar o Senado pelo Distrito Federal na chapa da governadora Celina Leão (PP), que tentará a reeleição. A sinalização de que atuará como cabo eleitoral indica um recuo em relação ao afastamento da militância partidária anunciado na renúncia.
Uma das aliadas que devem receber apoio de Michelle é a vereadora de Fortaleza Priscila Costa (PL), vice-presidente do PL Mulher. Priscila era pré-candidata ao Senado, mas passou a mirar uma vaga de deputada federal depois da crise provocada pelo apoio de Flávio e de outros enteados de Michelle à campanha de Ciro Gomes (PSDB) ao governo do Ceará.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/michelle-bolsonaro-votos-aliadas-pl-flavio/

