Após ação de Erika Hilton, Ratinho dobra aposta nas redes sociais

O apresentador do SBT, Ratinho, se manifestou nesta sexta-feira (13) após ser alvo de uma ação da deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP). A parlamentar acionou a Justiça contra o comunicador após ser alvo de comentários transfóbicos.

Durante programa exibido na quarta-feira (11), Ratinho criticou o fato de Erika Hilton ter sido eleita presidenta da Comissão da Mulher da Câmara dos Deputados e afirmou que Hilton “não é mulher”, declaração que configura o crime de transfobia.

Mesmo após a repercussão negativa, Ratinho não voltou atrás em sua posição e voltou a afirmar que Erika Hilton “não é mulher”. Em um vídeo publicado em suas redes sociais, o apresentador do SBT disse que exerce o direito à livre opinião.

“Muita polêmica. Eu defendo a população trans, mas defendo também o direito de questionar quem governa. Crítica política, gente, não é preconceito, é jornalismo e eu não vou ficar em silêncio”, disse Ratinho.

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Já nos stories, Ratinho compartilhou uma série de vídeos de figuras da extrema direita que fazem ataques transfóbicos contra a deputada Erika Hilton e repercutem a ideia propagada pelo apresentador durante seu programa de que a parlamentar do PSOL não seria uma mulher.

Confira abaixo alguns prints dos vídeos compartilhados pelo apresentador:

 

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Ratinho nega transfobia contra Erika Hilton, mas insiste: “Não é mulher”

O apresentador Ratinho negou que tenha sido transfóbico com a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP), elogiou seu trabalho na Câmara, mas insistiu: “ela não é uma mulher”.

Em entrevista ao jornalista Lucas Pasin, Ratinho deu a entender que pode procurar Erika Hilton para se explicar:

“Talvez eu até converse com a Erika para que ela entenda o que eu quis dizer. Eu não a ofendi. E até aproveito esse espaço para pedir desculpas, se ela considera que eu a ofendi. Mas repito: eu não a ofendi.”

Ratinho ameaça processar quem o chamar de transfóbico:

“Em nenhum momento falei mal de trans. Transfobia é você tratar mal o outro. E eu jamais diz isso. Vou processar todos que me chamarem de transfóbico.”

Posteriormente, o apresentador do SBT voltou a afirmar, de maneira considerada transfóbica por críticos, que Erika Hilton “não é uma mulher”:

“Eu não desrespeitei a deputada Erika Hilton em nenhum momento. Considero, inclusive, que ela é uma boa deputada. O que eu quis dizer é que Erika não é uma mulher mesmo. Sou contra uma mulher trans ser representante das mulheres. O que eu argumentei é que eu não a vejo como mulher e acho que, para presidir a Comissão da Mulher na Câmara, seria necessário ser uma mulher de verdade.”

Erika Hilton pede prisão de Ratinho após ataque transfóbico na TV

A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) apresentou representação ao Grupo Especial de Combate aos Crimes Raciais e de Intolerância do Ministério Público de São Paulo contra o apresentador Ratinho, após declarações transfóbicas feitas por ele em seu programa no SBT.

Na peça, a parlamentar pede a abertura de investigação criminal e a responsabilização do comunicador pelas falas exibidas em rede nacional, depois de sua eleição para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados. A parlamentar solicita ainda a consequente prisão de Ratinho. Caso condenado, a pena pode chegar a 6 anos. 

Durante a transmissão, Ratinho questionou a legitimidade de Erika Hilton para comandar o colegiado e sustentou que o posto deveria ser ocupado por uma “mulher de verdade”. Em seguida, afirmou que a deputada “não é mulher” e associou a identidade feminina a critérios biológicos, como ter útero e menstruar.

Para Hilton, as declarações não se limitam a uma opinião, mas configuram discurso discriminatório com o objetivo de deslegitimar sua atuação política e institucional por sua condição de mulher trans.

Representação cita transfobia e violência política de gênero

Na representação enviada ao Ministério Público, Erika Hilton sustenta que as falas de Ratinho configuram crime de transfobia, entendimento equiparado ao crime de racismo pelo Supremo Tribunal Federal, além de violência política de gênero, por atacar sua legitimidade no exercício de uma função pública.

O pedido é para que o caso seja apurado formalmente e resulte na responsabilização criminal do apresentador, nos termos da legislação vigente e da jurisprudência do STF sobre discriminação contra pessoas trans.

A deputada foi eleita nesta quarta-feira (11) para presidir a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara, tornando-se a primeira mulher trans a comandar o colegiado. Ao assumir o posto, afirmou que sua gestão terá como prioridade a proteção das mulheres e o enfrentamento da violência política de gênero.

Fala ocorreu após eleição de Erika Hilton na Comissão da Mulher

A eleição de Erika Hilton para a presidência da comissão ocorreu em meio à reação de setores da oposição, que contestaram sua escolha sob argumentos semelhantes aos reproduzidos depois por Ratinho na televisão. O episódio ampliou a repercussão política do caso e levou aliados da deputada a classificarem as declarações como mais um ataque transfóbico contra sua atuação parlamentar.

Até o momento, não havia informação pública sobre eventual manifestação do apresentador ou do SBT a respeito da representação apresentada ao Ministério Público.

O SBT divulgou nesta quinta-feira (12) uma nota pública para se descolar das falas transfóbicas feitas por Ratinho contra a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP). A emissora afirmou que repudia “qualquer tipo de discriminação e preconceito”, declarou que os comentários do apresentador “não representam a opinião da emissora” e informou que o caso será tratado internamente.

A manifestação do canal veio após a forte repercussão das declarações feitas por Ratinho ao comentar, em seu programa, a eleição de Erika Hilton para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara. Ao atacar a parlamentar, o apresentador tentou deslegitimar sua condição de mulher trans justamente no momento em que ela assumia um posto de destaque institucional.

SBT age após desgaste público

Na nota encaminhada à imprensa, o SBT afirmou que as falas exibidas ao vivo contrariam os princípios da empresa. O texto também registra que a direção da emissora analisará o episódio internamente, numa reação que expõe o tamanho do desgaste provocado pela declaração de um de seus principais apresentadores.

“O SBT repudia qualquer tipo de discriminação e preconceito, que são o oposto dos princípios e valores da empresa. As declarações do apresentador Ratinho, expressadas ao vivo ontem em seu programa, não representam a opinião da  emissora e estão sendo analisadas pela direção da empresa, que tratará do tema internamente a fim de que nossos valores sejam respeitados por todos os colaboradores.”

O movimento do canal ocorre depois de a fala de Ratinho ultrapassar o circuito de polêmica televisiva e ganhar dimensão política e jurídica. O caso passou a pressionar o SBT não apenas no campo da imagem, mas também diante da repercussão de uma declaração discriminatória exibida em rede nacional.

 

Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/apos-acao-de-erika-hilton-ratinho-dobra-aposta-nas-redes-sociais/