A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) denunciou que o governo de São Paulo, comandado por Tarcísio Gomes de Freitas (Republicanos), está tentando impedir trabalhadores de ocupar a Avenida Paulista no 1º de Maio para reivindicar o fim da escala 6×1. Segundo ela, o espaço foi direcionado a grupos bolsonaristas, o que, em sua avaliação, busca esvaziar o sentido histórico da data.
“FIM DA 6×1: ALERTA. O governo Tarcísio de Freitas está tentando IMPEDIR os trabalhadores de irem às ruas de São Paulo neste 1° de Maio pra reivindicar o FIM da escala 6×1. Pra isso, a Av. Paulista foi reservada para lideranças bolsonaristas que nunca celebraram o 1° de Maio. A intenção é clara: enfraquecer a nossa luta e fazer os jornais, ao invés de estamparem uma luta por dignidade e VIDA além do trabalho, estamparem bolsonaristas pedindo a liberdade para um golpista condenado”, escreveu a deputada em suas redes sociais.
https://x.com/ErikakHilton/status/2048454333616754988
Veto ao ato sindical
A denúncia ocorre após a Polícia Militar de São Paulo impedir que centrais sindicais realizassem seu tradicional ato na Avenida Paulista no Dia do Trabalhador. De acordo com a corporação, três grupos bolsonaristas já haviam solicitado previamente o uso da via, o que teria garantido a eles a autorização com base em critérios cronológicos.
A PM também alegou que, por se tratar de um ano eleitoral, haveria risco de tensão entre manifestações com pautas opostas. Caso o veto seja desrespeitado, a corporação indicou que poderá acionar o Batalhão de Choque para desobstruir a avenida.
Para lideranças sindicais, a decisão é vista como desproporcional e política. O 1º de Maio é historicamente associado à luta por direitos trabalhistas, e impedir sua realização na principal avenida da cidade é interpretado como uma tentativa de reduzir a visibilidade dessas reivindicações.
Paulista liberada para bolsonaristas
Enquanto isso, grupos de direita — de pouca expressão — devem ocupar a Paulista com pautas distantes das reivindicações trabalhistas. A convocação divulgada nas redes inclui apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro, críticas ao Supremo Tribunal Federal e pedidos de liberdade para Jair Bolsonaro.
O contraste entre as agendas reforça as críticas de que o governo estadual permitiu a substituição de um ato tradicionalmente voltado aos trabalhadores por manifestações de caráter político-partidário e ideológico.
Mudança de local
Diante do veto, movimentos sociais e centrais sindicais reorganizaram suas atividades para outros pontos da cidade. A Praça Roosevelt, no centro de São Paulo, deve concentrar atos a partir das 9h, mantendo a pauta do fim da escala 6×1 e outras reivindicações trabalhistas.
A mudança, no entanto, não diminuiu a insatisfação. Para os organizadores, a decisão do governo Tarcísio de Freitas não apenas limita o direito à manifestação, mas também altera o significado público do 1º de Maio, deslocando o foco da luta por direitos para disputas políticas ligadas ao bolsonarismo.
PM se manifesta
Em nota, a Polícia Militar afirmou que atua de forma “técnica e isonômica”, seguindo critérios previamente estabelecidos e sem distinção quanto à pauta ou representatividade dos organizadores. Segundo a corporação, o planejamento busca garantir segurança, mobilidade e ordem pública.
Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/ato-escala-6×1-paulista-tarcisio/

