Bolsonaro ainda não leu nenhum livro para reduzir sua pena

A possibilidade de reduzir a pena por meio da leitura não mudou os hábitos do ex-presidente Jair Bolsonaro. Preso após condenação a 27 anos e 3 meses pela trama golpista, Bolsonaro ainda não leu nenhum livro desde que o ministro Alexandre de Moraes autorizou a remição de pena por leitura, em decisão assinada no último dia 15 de janeiro.

Segundo o site Amado Mundo, de Guilherme Amado, relatórios semanais enviados pela Polícia Militar do Distrito Federal ao Supremo Tribunal Federal (STF) mostram que, desde a autorização, o campo destinado às atividades de leitura do ex-presidente foi preenchido repetidamente com a expressão “não houve”. Ao todo, já foram encaminhados doze relatórios ao STF sem qualquer registro de leitura por parte de Bolsonaro.

Contraste com outros condenados

A postura do ex-presidente contrasta com a de outros condenados no mesmo processo. O ex-ministro da Justiça Anderson Torres, por exemplo, leu “A metamorfose”, de Franz Kafka. Já o ex-ministro da Defesa Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira escolheu títulos como “Vidas secas” e “São Bernardo”, ambos de Graciliano Ramos, além de “Reminiscências da campanha do Paraguai”, de Dionísio Cerqueira.

O ex-comandante da Marinha Almir Garnier também aderiu ao programa de leitura. Entre as obras registradas estão “A bordo do contratorpedeiro Barbacena”, de João Carlos Gonçalves Caminha, além dos livros religiosos “Como Deus transforma a tristeza em alegria” e “O agir invisível de Deus”, do pastor Luciano Subirá, e “O vinho novo é melhor”, de Robert Thom.

A autorização de Moraes

Na decisão que autorizou a remição da pena, Moraes também determinou a transferência de Bolsonaro para o 19º Batalhão da Polícia Militar, na Papuda, conhecido como “Papudinha”. Pelas regras estabelecidas, cada obra lida e comprovadamente resenhada pode reduzir a pena em quatro dias.

Entre os títulos autorizados pela Justiça para o programa de leitura está o livro Ainda Estou Aqui, de Marcelo Rubens Paiva, que revisita a trajetória da família do ex-deputado Rubens Paiva, morto durante a ditadura militar. A obra ganhou notoriedade internacional após sua adaptação cinematográfica conquistar o Oscar de Melhor Filme Internacional em 2025.

Também constam na lista obras como Democracia, do autor Philip Bunting, voltada ao público infantojuvenil, e Crime e Castigo, clássico de Fiódor Dostoiévski sobre culpa e punição.

A lista de livros

A lista oficial de livros aptos à remição de pena é elaborada pela Secretaria de Educação do Distrito Federal e homologada pela Justiça. Segundo o governo do DF, obras que incentivem violência ou discriminação são vetadas. O catálogo reúne títulos sobre democracia, ditadura, racismo, desigualdade social, gênero e regimes autoritários.

Entre os livros autorizados estão 1984 e A Revolução dos Bichos, de George Orwell; Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley; O Conto da Aia, de Margaret Atwood; e Pequeno Manual Antirracista, da filósofa Djamila Ribeiro.

O programa também inclui obras brasileiras contemporâneas, como Tudo é Rio, de Carla Madeira, Um Defeito de Cor, de Ana Maria Gonçalves, além de livros de Conceição Evaristo, Ailton Krenak e Lázaro Ramos.

Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/bolsonaro-nao-leu-livro-reduzir-pena/