Nova Venezuela? Os planos de Trump contra Cuba e Raúl Castro

Raúl Castro em 1º de maio de 2025 em Havana, Cuba — Foto: Reprodução

Os Estados Unidos enviaram o porta-aviões USS Nimitz para a região do Caribe, em meio à escalada de tensões com Cuba e após acusações formais contra Raúl Castro por crimes ligados a uma operação militar contra exilados em 1996. A movimentação gerou suspeitas sobre uma eventual ação americana para capturar o ex-presidente cubano. Com informações do G1.

O indiciamento de Raúl Castro inclui quatro supostos homicídios, atribuindo ainda ao irmão de Fidel dois crimes de destruição de aeronaves e conspiração para matar cidadãos americanos. Atualmente com 94 anos, Castro ainda exerce influência no governo cubano, o que torna qualquer operação complexa e com potencial de resistência significativa.

A decisão americana se insere em um contexto de precedentes recentes, como a ofensiva contra a Venezuela, que resultou na captura do então presidente Nicolás Maduro. Especialistas afirmam que os EUA podem tentar uma ação rápida em Cuba, mas que a experiência militar e histórica da ilha pode gerar resistência e guerra de guerrilha.

Maurício Santoro, doutor em Ciência Política pelo Iuperj, explicou que os Estados Unidos podem enfrentar choque violento, apesar da grave situação econômica de Cuba, que poderia gerar apoio popular à ação externa. Bases estratégicas na Flórida e Guantánamo facilitam a operação, assim como a presença de um porta-aviões na região.

O porta-aviões USS Nimitz, das Forças Armadas dos EUA. Reprodução

A operação poderia incluir a captura de Raúl Castro e do presidente Miguel Díaz-Canel, ambos eventualmente levados para os EUA, como ocorreu com Maduro. O procurador-geral interino Todd Blanche afirmou que Castro compareceria “por vontade própria ou de outra forma”.

Segundo Oliver Stuenkel, professor de Relações Internacionais da FGV, o desafio é a ausência de uma liderança cubana que possa negociar transição política alinhada aos interesses americanos, diferente do que ocorreu na Venezuela. O objetivo seria estabilizar o país e permitir acordos econômicos e comerciais favoráveis.

Do ponto de vista jurídico, qualquer ação militar suscita questionamentos internacionais. Uriã Fancelli, especialista em relações internacionais, lembra que a Carta da ONU permite força apenas em legítima defesa ou com autorização do Conselho de Segurança. A ameaça de intervenção sem respaldo legal também pode ser considerada ilegal.

O cenário mostra que os EUA estudam alternativas diplomáticas, econômicas e militares, mas que a operação contra Cuba envolveria riscos significativos de resistência militar e impactos políticos. Especialistas alertam que qualquer ação seria avaliada como estratégica e propagandística para o eleitorado americano.

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/nova-venezuela-os-planos-de-trump-contra-cuba-e-raul-castro/